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Familiares contaram que, em segundos de distração, Otávio Romano entrou na piscina |
O que era para ser um dia tranquilo e gostoso de confraternização de uma família bauruense se tornou uma tragédia em uma chácara localizada em Arealva (41 quilômetros de Bauru). Na ocasião, um garoto de 3 anos, depois de poucos segundos de distração dos familiares (leia mais abaixo), entrou em uma piscina e morreu afogado. A tragédia familiar aumenta a preocupação com a chegada do calor, já que neste período aumentam os riscos de afogamentos.
O acidente ocorreu na tarde de domingo em um lote localizado no bairro Jardim Primavera. Por volta das 17h15, Otávio Luciano Romano, de 3 anos, estava brincando perto da piscina quando entrou na água.
“Foi algo que ocorreu em uma questão de segundos. A chácara é relativamente grande, mas tinha gente mexendo nas árvores e outros bem perto dele. Ele estava brincando na grama naquela hora. Foi o tempo de olharmos para o lado e ver ele na água”, conta, ainda bastante abalado, Augusto Zuquieri Pelizzaro, namorado da mãe da vítima.
Segundo ele, havia na chácara, além da vítima, outras quatro pessoas. Quem percebeu que o garoto estava inconsciente na piscina foi uma tia. “Ela entrou em choque quando viu ele boiando. Começou a gritar desesperada. Eu ouvi os gritos, saí correndo, pulei e tirei ele da água”, relembra.
Ele conta que ainda tentou fazer os primeiros-socorros no garoto, porém, não conseguiu reanimá-lo. “Eu tenho certo conhecimento e tentei fazer respiração boca-a-boca nele. Tentava de tudo e não acontecia nada. Não dá para acreditar que isso aconteceu”, conta Pelizzaro.
A criança chegou a ser levada pelo tio ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) de Arealva, onde foi atendida pelo médico e enfermeiros plantonistas. Entretanto, o garoto não resistiu e acabou morrendo.
“Estamos sem saber o que fazer. Ele (Otávio) adorava aquela chácara. Quando sabia que iríamos para lá, acordava e dizia: ‘está um dia lindo para ir para a chácara’”, conta.
O corpo do garoto foi trazido para Bauru e o sepultamento ocorreu por volta das 13h de ontem no Cemitério de Ypê.
Preocupação
A tragédia que se abateu sobre a família do pequeno Otávio Luciano Romano liga um alerta para a população, principalmente nesta época do ano. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, o risco de afogamentos aumenta com a chegada do calor.
“Nessa época, muitos procuram maneiras de se refrescar. As pessoas precisam entender que a água não é seu ambiente natural. Por isso, tudo é tão perigoso”, conta.
Segundo ele, cada ambiente aquático tem uma particularidade de segurança a ser compreendida (veja no quadro ao lado), porém, há maneiras básicas de evitar acidentes. “Como regra geral, deve-se ver a profundidade e a força das águas. Em locais de água ‘mansa’, pode-se ficar com a água até a altura do umbigo. Já em locais com maior força, o limite deve ser o joelho”, explica Brito.
Em relação às crianças, ele alerta que “todo cuidado é pouco”. “Muitos não avisam os pais que vão nadar. Dizem que vão brincar e, na verdade, estão em um lago a quilômetros de casa. Então, os pais precisam sempre estar monitorando isso”.
Outro problema é em relação ao comportamento da própria criança na água. Assim, é preciso tomar cuidado com algumas “brincadeiras”. “A garotada tem costume de dar ‘caldo’ um no outro. Isso é extremamente perigoso. Em uma brincadeira assim, pode entrar água no pulmão e ocorrer uma tragédia”, conclui o coordenador da Defesa Civil.
5 segundos fatais
Conforme relataram os familiares da vítima, segundos são suficientes para compor o cenário trágico. Por isso, de acordo com o médico pneumologista e coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Carlos Eduardo Sacomandi, qualquer distração pode ser fatal.
“Quando a pessoa aspira a água pelo pulmão, independente da idade ou tamanho, é comum ela se desesperar e, em cinco segundos, perder a consciência. É igual a um avião quando há despressurização. Em segundos, a consciência é perdida”, conta.
Depois disso, o médico explica que um minuto já é suficiente para que o afogamento seja completo. “Depois desse tempo, se não houver socorro imediato, é bem provável que a vítima morra”, conclui.
O que se deve fazer em casos de afogamento?
Paciência e pressa. Segundo a Defesa Civil de Bauru e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), as duas palavras que originalmente são antagônicas devem agir em conjunto para que uma vítima de afogamento sobreviva.
Nesse tipo de acidente, o próprio resgate é perigoso. Quando a pessoa está se afogando e não perde a consciência, o desespero toma conta da situação. “Só alguém com técnica pode fazer o resgate. É muito comum ver pessoas que tentaram fazer o salvamento e também morreram. No desespero, a força aumenta muito e um pode puxar o outro para o fundo”, alerta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
Entretanto, se o resgate deve ser especializado e o recomendado é que seja realizado pelo Corpo de Bombeiros, o tempo não contribui para esse cuidado. O coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, afirma que cada segundo é fundamental. “Se a vítima se afoga, o certo é que alguém faça os primeiros-socorros nela. É preciso tentar uma respiração boca-a-boca e a massagem cardíaca”.
O médico explica que tal procedimento é tão fundamental que, mesmo que o socorrista não esteja apto, deve tentar algum desses métodos. “Se a pessoa já está há um minuto ou mais na água, é preciso que seja feito algo. Mesmo que a pessoa não saiba fazer a respiração boca-a-boca ou a massagem cardíaca, ela deve tentar. É a única chance do afogado”, completa.
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