Trípoli - O ditador líbio Muammar Gaddafi, morto na última quinta-feira, foi enterrado ontem ao amanhecer ao lado de seu filho Motassim. Eles foram sepultados no deserto, em local a ser mantido em segredo pela insurgência - que teme que o corpo ou seja violado por inimigos, ou se torne destino de peregrinação de adoradores. Foi enterrado também ontem Abu Bakr Younes, ex-ministro da Defesa da Líbia.
Segundo o Conselho Nacional de Transição (CNT), o clérigo Khaled Tantoush rezou pelos cadáveres ainda no frigorífico em que eles foram expostos a civis, em Misrata. Tantoush era clérigo de Gaddafi e também foi capturado pelos rebeldes.
Familiares dos mortos puderam assistir à cerimônia. Entre eles, dois primos de Gaddafi: Mansour Dhao Ibrahim, ex-líder da Guarda Popular, e Ahmed Ibrahim. Em seguida, os corpos foram entregues a rebeldes para serem levados a um local distante no deserto. Eles se comprometeram a jamais revelar a localização do jazigo.
A medida contraria as tribos de Sirte, leais a Gaddafi, que pediam que o cadáver do ditador lhes fosse entregue. A cerimônia encerrou a espera pelo enterro. O CNT era criticado pela demora. Segundo as leis islâmicas, anunciadas nesta semana como futura base para a Constituição líbia, mortos devem ser enterrados sem tardar.