São Paulo - No segundo dia de protestos na Feira da Madrugada, no Pari, região central de São Paulo, camelôs saquearam lojas e entraram em confronto com a Polícia Militar, ontem.
Aos gritos de “Camelô não é ladrão”, cerca de 300 manifestantes bloquearam a rua Oriente e impediram a abertura de lojas. Ao menos sete ônibus que levavam passageiros foram apedrejados.
Após atacarem um policial, dois homens foram detidos. A PM dispersou o grupo com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. “Pessoas estão se infiltrando no nosso grupo pra atrapalhar os protestos, que são pacíficos”, disse o presidente do sindicato dos camelôs, Leandro Dantas.
Os camelôs protestam contra a retirada do comércio ambulante da região da Feira da Madrugada. Cerca de 4.200 ambulantes atuam no local.
Lojistas já sentem perdas. “Foi péssimo, caiu em 50% o movimento. O pessoal está com medo de comprar”, diz Júnior Paiva, 29 anos. As excursões de compras também caíram, segundo a associação Guias do Brasil. Hoje, a associação contou 72 ônibus na região da feira. Na terça-feira, eram cerca de 150.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), defendeu ontem a punição do grupo de camelôs que participou do confronto. Segundo Kassab, “não é justo que a Prefeitura não imponha ordem” no comércio ilegal.
“Temos o dever de fazer com que essas pessoas sejam evidentemente punidas. Porém, estamos ao lado dos pequenos, dos camelôs e ambulantes. Nesta região, são mais de 2 mil camelôs regulamentados, trabalham corretamente e merecem todo nosso apoio”, afirmou.