Esportes

A um ano dos Jogos Abertos, Bauru não tem a estrutura necessária

Neto del Hoyo
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Aceituno Jr.

Estádio Milagrão deve abrigar pista de atletismo de R$ 4 milhões

Faltando pouco mais de 1 ano para o início dos 76º Jogos Abertos do Interior “Horácio Baby Barioni”, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e a Prefeitura de Bauru ainda “batem cabeça” para traçar o plano financeiro do evento que deve acontecer entre os dias 18 e 30 de novembro de 2012, retornando ao município após mais de 40 anos. Os questionamentos sobre os gastos e a utilidade das obras realizadas após os Jogos, levantados à época em que foi confirmada a vitória da cidade, voltam à tona. Porém, desta vez com valores bem maiores do que os estipulados no início e que já não fazem frente às expectativas do governo.

O maior exemplo - e dilema - da organização segue sendo a pista de atletismo. Antes programada para ser construída no estádio municipal Luiz Edmundo Coube, no Jardim Araruna, a obra deve ser feita no distrital Antonio Milagre Filho, o Milagrão, na Vila Nova Esperança. Além disso, os “modestos” 1 milhão estipulados à época devem chegar a, no mínimo, R$ 4 milhões.

Assim sendo, os R$ 6,3 milhões previstos do orçamento municipal de 2012 para serem destinados à Semel não serão suficientes. Pelo menos é isso que o secretário José Carlos de Souza Batata pretende defender hoje, às 15h, quando apresenta à Câmara, em audiência pública, o orçamentoda pasta para o ano que vem.

“Já fizemos algumas compras de materiais e algumas reformas, como no estádio Edmundo Coube e até mesmo na Panela de Pressão, mas ainda restam algumas melhorias. A grande obra, e que será também o grande legado dos Jogos Abertos para Bauru, é a pista de atletismo. Já enviamos o projeto para a secretaria de administração para que seja elaborado o processo de licitação e seja colocado o mais rápido possível. Espero que ainda neste ano tenhamos isso em processo licitatório”, diz.

 


4x mais cara

Batata confirma ainda que os Jogos devem multiplicar os gastos da Semel em 2012, como já noticiou o JC em setembro deste ano, mas reitera que o valor pode não ser suficiente. Em entrevista ao JC em novembro de 2010, ele garantiu que a pista de atletismo, então projetada para ser construída no Edmundo Coube e fazer parte do Centro de Desenvolvimento Esportivo (Cedesp), custaria em torno de R$ 1 milhão.

Ontem, porém, o secretário afirmou que o valor pode ultrapassar R$ 4 milhões. “Será uma pista moderna, com uma camada de concreto de 20 cm abaixo de um piso emborrachado importado da melhor qualidade. A intenção é que seja uma pista homologada pela IAF (Fundação Internacional de Atletismo) e que seja o grande colaborador para a cidade em sua luta para ser um centro de treinamentos para as Olimpíadas do Rio em 2016. Porém, vamos tentar fazer com que esse gasto fique dentro do orçamento para não haver problemas”, diz.

O plano orçamentário municipal, entregue pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) no final de agosto, prevê aumento de R$ 3,5 milhões para R$ 6,3 milhões nos valores destinados à pasta. Em contato com a reportagem do JC, Rodrigo afirmou que os R$ 3 milhões a mais nesta projeção são destinados à construção da pista de atletismo. “Ainda é difícil falar sem ver o plano, mas a princípio já destinamos esse valor para a construção da pista de atletismo. Mas acredito que a decisão da mudança para o Milagrão foi a mais acertada, uma vez que no Edmundo Coube gastaríamos, só para obras de drenagem, cerca de R$ 4 milhões. Isso seria o valor de duas obras”.

A Prefeitura espera também o repasse de verba do Estado que, pelo montante liberado a Mogi das Cruzes, sede deste ano, deve girar em torno de R$ 800 mil. “Ainda não sabemos o quanto será, mas essa verba é destinada à cerimônia de abertura e o que sobrar para eventuais despesas”, afirma Batata.

 


Elefante branco?


Questionado sobre a utilização da futura pista de atletismo, o titular da pasta dos Esportes garantiu que esta justificará os altos gastos em sua viabilização. “Bauru tem tradição em formar e exportar atletas de várias modalidades para todos os cantos. Esta pista vai fazer com que sejamos mais uma referência nesse esporte. Poderemos trabalhar para trazer grandes nomes do atletismo para treinar aqui e também criar uma fonte para revelar talentos”, pontua.


 

 ‘Estamos a todo vapor’

“O cronograma está dentro do esperado, tanto no que diz respeito a preparação, formação e suporte das equipes quanto às obras. Estamos a todo vapor”. É nisso que acredita o secretário de esportes de Bauru. “Não estamos nem adiantados e nem atrasados”, diz. A segurança é reflexo da posição, circunstancial, um pouco mais “distante” da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude (Selt) do Estado de São Paulo, que ainda centra suas atenções para a edição da competição deste ano, em Mogi das Cruzes. “Se os locais que vão abrigar as provas estiverem prontos um dia antes das competições, está tudo certo”, afirma Batata.

Porém, restando pouco mais de 1 ano para o evento, algumas praças desportivas ainda revelam problemas. De acordo com o cronograma prévio da Semel, ao todo serão utilizados na competição quatro campos, sendo três municipais e distritais, mais o Alfredo de Castilho, três ginásios municipais mais o Panela de Pressão, e outros clubes particulares, como Bauru Tênis Clube (BTC), Sesi e Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).

No estádio distrital Silvio de Magalhães Padilha, o “Padilhão”, na Vila Giunta, ainda resta a elaboração do projeto para construção de uma cancha de bocha. “Isso é mais fácil, é uma obra pequena que deve custar entre R$ 15 ou R$ 20 mil e que deve ser realizada rapidamente também”, afirma o secretário.

De acordo com Batata, o estádio Edmundo Coube já está pronto. “Se os jogos começassem amanhã, o estádio já poderia ser utilizado”. Em relação ao Panela de Pressão, Batata confirmou que as chuvas atrapalharam um pouco o andamento das reformas. “A chuva de ontem (terça) acabou derrubando algumas placas do teto, e isso pode atrapalhar um pouco. Mas não acredito que teremos grandes problemas”.

Prefeitura de Bauru e a empresa Recoma Construções, Comércio e Indústria Ltda, que venceu a licitação, assinaram contrato de reforma do telhado, que recebe uma manta impermeabilizante, e de instalação de novo piso na quadra. Já a Semel cuida da parte elétrica, hidráulica, além da pintura e troca de vidros.

 


Alternativas


Enquanto sofre com idas e vindas nos projetos em relação às obras físicas, a Semel fecha acordos com parceiros privados. É o caso da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que deve ceder as piscinas para as disputas de natação. Apesar disso, Rodrigo Agostinho ainda deve repensar o caso. “Temos essa alternativa, mas, se tivermos ‘perna’, vamos trabalhar para ter uma piscina também”, comenta o prefeito.


Outro espaço provado que deve ser cedido à organização dos Jogos é a arena do recinto Mello Moraes. Conforme determinação da Selt, 26 modalidades são obrigatórias nos Jogos ficando a critério das cidades-sedes indicarem modalidades que acreditem possam integrar, no ano em questão, o quadro de esportes praticados. “Por isso tivemos a ideia de propôr o rodeio, que é hoje, por lei, um esporte. Ainda vamos enviar a proposta para a Selt que só deve analisar isso no ano que vem”, afirma Batata.

 

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