Pesca & Lazer

História de Pescador: O sorriso do dourado


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Voltamos a pescar, que delícia! Já dizia o grande filósofo "Zé Lambari" que "pescador que se preza não mente, inventa verdades"! Estávamos, desta vez, com uma turma imbatível como podem ver na foto: Cirilo, apelidado carinhosamente de "Caju", Xexa, o homem do cavaco, Hélio Vanini, conhecido como "Chico Xavier", Dado, bom de pandeiro, Sérgio, "top model" internacional, Tobias, profundo conhecedor de piranhas (de escamas) e cozinheiro de mão cheia e o Fernandinho Lucilha, tocador de timba.

O rio Paraguai se mostrava exuberante como sempre e a abundância de peixes era o ponto forte da pesca, principalmente os dourados. Coisa linda de se ver, pela manhã ensolarada, o reluzir de seus corpos em pleno ar, tentando escapar do anzol! Mas o fato curioso da pesca ocorreu com um de nós que, para evitar constrangimento, vamos chamá-lo, simplesmente, de "pescador".

Num intervalo das "fisgadas", comíamos aquele ovo cozido, o popular mata-fome, apoitados à sombra de frondosas árvores. Numa mordida mais forte no produto da galinha, nosso amigo "pescador" deixou cair sua "perereca" (dentadura) dentro d`água. Que desespero! Ficou furioso, blasfemando e soltando palavrões sem parar.

Justamente naquele dia em que o almoço anunciado na pousada seria uma feijoada com direito a torresminho e tudo mais. Isto sem contar com amendoim de aperitivo. Foi um sufoco, coitado do "pescador". No dia seguinte, continuamos a pesca dos belos dourados e o nosso "pescador" com a boquinha murcha, tadinho, não falava uma palavra.

Todos os dourados do pantanal deviam estar naquele trecho do rio. Coisa de louco! Nosso experiente piloteiro pegou o maior deles, pesando 15 quilos! Ao embarcar o peixe, notamos algo estranho nos dentes do peixão. Eram diferentes olhando a arcada superior, pareciam maiores, mais largos... Olhamos todos ao mesmo tempo para o douradão. Nosso "pescador", com os olhos esbugalhados, gritou: - Não pode ser verdade! Será que é o que eu estou pensando? E era.

No dia anterior, o enorme e voraz peixe, "caçando" alimento, tinha abocanhado a dentadura do "pescador", sequer deixando que ela chegasse ao fundo do rio. E foi uma tremenda duma bocada, de maneira tal, que a "perereca" encaixou-se anatomicamente na boca do peixe! - É um milagre, gritava nosso companheiro, segurando com firmeza o lindo dourado que lhe sorria com "seu sorriso" emprestado.

Arrancou da boca do peixe com violência a sua dentadura e, antes mesmo de lavá-la, ajeitou-a na sua, escondendo a gengiva já calejada. Num misto de contentamento e desabafo, nosso "pescador" gritou para o cozinheiro: - Faz um torresminho hoje só pra mim, tá legal? E assim voltamos felizes, prometendo e cumprindo não falar o nome do "contun dente" pescador!


?Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de "histórias verdadeiras"

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