No ambiente econômico trava-se importante debate sobre o futuro das economias capitalistas. Entre as várias vertentes há os que defendem o neoliberalismo, em que o mercado é soberano, contudo, com a regulação por parte do Estado, e sempre vem à tona o velho desejo do socialismo, em que órgãos centrais ligados ao Estado controlam os fatores de produção.
Alguns apontam que uma terceira via nasce naturalmente, principalmente ao analisar experiências de países com elevado grau de desenvolvimento, em que a social democracia permitiu ampliação da qualidade de vida das pessoas.
Não obstante essa discussão, sem fim, as economias mundiais têm que conviver com estruturas de mercado concentradas e viciadas.
É notória a globalização dos mercados e atuação de várias empresas nos mais diversos segmentos em nível mundial. São corporações com um enorme contingente humano e tecnológico, o que de um lado garante geração de riquezas, mas de outro se apresenta como risco. Não é por acaso que crises em países sem expressão no contexto do comércio internacional, são capazes de afetar economias do mundo todo.
O caso brasileiro é a ainda mais acentuado. Setores estratégicos e importantes observam grande concentração. São exemplos os setores financeiro, siderúrgico, pneumático, mineração, entre outros.
Atuam em mercados denominados imperfeitos em que o poder econômico pode e fala mais alto. Interferem na oferta, impondo preços e inibindo a livre concorrência, pilar da economia de mercado.
O controle de preços fica mais difícil e o Estado, inerte, acaba contornando os desequilíbrios entre oferta e procura em vários setores, com política fiscal e monetária restritiva.
Ao não atacar as causas, ou seja, a transparência na formação de preços por parte dos setores concentrados, o governo atua somente nas consequências, e agentes econômicos que não têm a menor participação nesta cadeia, pagam um preço elevado, como por exemplo, os com menor renda.
Existem no Brasil as denominadas leis antitrustes que se utilizadas de maneira adequada, sem influência política e com determinação, poderiam regular efetivamente o mercado, permitindo o desarme da verdadeira armadilha, a qual se tornou um vício do controle econômico, que é, como mencionado, o uso dos instrumentos clássicos de monitoramento da economia.
Serão necessárias quantas crises mundiais para enxergar o óbvio, ou seja, que não é mais possível alicerçar a economia em mercados concentrados, ficando nas mãos de grandes corporações, concentradas, que inibem o pleno e livre funcionamento do mercado?
Em determinado momento será necessária uma ruptura se efetivamente o bem estar da população for o objetivo final.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC