Nacional

Lençóis vindos de hospitais e motéis brasileiros são vendidos em Manaus

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Manaus - O Departamento de Vigilância Sanitária de Manaus (DVisa) realizou, na tarde de ontem, uma operação na qual foram apreendidas cerca de 500 lençóis e fronhas com inscrições de hospitais e motéis de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Parte dos tecidos tinha manchas e foi encaminhado para análise laboratorial para saber se é lixo hospitalar ou não.

A reportagem adquiriu produtos semelhantes ontem, em duas lojas no centro de Manaus. Os produtos comprados pela reportagem estavam em bancas e caixas de papelões nas lojas da Acrópolis Cama, Mesa, Banho e Confecções. Há cinco filiais na cidade. Cada fronha custou R$ 2,50. Os lençóis saíram por R$ 20,00.

A dona das lojas, Abigail Gomes, disse que os produtos são comprados de uma empresa de Santa Catarina, mas não quis informar o nome. As peças compradas têm etiquetas da fábrica Döhler, principal fornecedor das lojas Acrópolis para toalhas, lençóis e fronhas.

Gomes afirmou que os produtos chegam dentro de lotes de mercadorias de ponta de estoque, compradas a quilo na fábrica. A empresa vende as peças em liquidação, segunda ela. “Vendemos nas lojas do centro, no queima (liquidação) para o povo do Interior”, disse a proprietária.

Abigail Gomes afirmou que se queixou com o representante da fábrica a respeito do envio dos produtos, mas não adiantou. Sem precisar uma data, ela disse que “há muito tempo vêm esses lençóis de motéis, hospitais e hotéis nos lotes que compramos”. A reportagem esteve em duas lojas da Acrópolis no centro de Manaus. Comprou sete fronhas com inscrições das unidades de saúde Home Doctor, Maternidade Santa Lúcia, Unimed Nordeste-RS, São Luiz, Hospital Regina Ciência e Fé pela Vida e Hospital de Base. Também adquiriu fronha do Motel Celina e um lençol do Motel Snobi.

Na primeira loja da Acrópolis, a vendedora não entregou uma nota fiscal da compra de R$ 35,00, alegando que o produto não tinha código. Na segunda loja, a vendedora entregou uma nota fiscal de R$ 5,00, mas com o código de duas toalhas.

A Döhler, empresa com sede em Joinville (SC), afirmou que comercializa para terceiros lotes de lençóis e fronhas novos que “não atingiram o padrão de qualidade estabelecido pelo cliente (no caso, hospitais)”.

Comentários

Comentários