O transporte coletivo urbano no Brasil já viveu seus áureos tempos. Com a indústria automobilística em alta, o transporte individual ganhou espaço, especialmente com as facilidades dos financiamentos. Raras são as pessoas que não possuem pelo menos uma moto. Já nas cidades de menor porte, esse tipo de transporte aparece de forma gratuita.
Para quem acha que oferecer transporte dentro das cidades de forma gratuita para deslocamento de trabalhadores e pessoas das classes sociais menos abastadas é garantia de voto, o ex-prefeito e atual secretário de Obras de Agudos,Carlos Octaviani, avisa: só prejudicou a campanha.
Era eleição de 2000, quando Octaviani resolveu lançar a ideia de implantar o serviço gratuito. Segundo ele, visando o social dos menos abastados. “A proposta não trouxe nenhum voto, mas tirou um montão. Fui muito criticado à época. Ninguém acreditava que eu pudesse oferecer circular sem cobrança de passagem. Serviu de piada e motivos de chacota. Na visão da população, isso era impossível e não passava de mais uma proposta de campanha.”
Ele frisa que, logo após ser eleito, fez questão de implantar o transporte coletivo urbano gratuito para mostrar que era possível. “Me custou um processo, mais um. Adquiri os veículos com verba da Educação. Deixei de gastar com as empresas privadas para transportar os estudantes.”
A gratuidade do transporte urbano continua até hoje, quase 11 anos depois na cidade de Agudos. São 10 mil passageiros/dia. “Uma empresa até fez teste para explorar os serviços, mas desistiu porque achou que não compensava.”
O modelo adotado por Agudos inspirou o prefeito de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), Odail Falqueiro (PTB), a implantar serviço semelhante. “Eu não acho que isso é uma bandeira política. Acredito que seja bom para os moradores e para os comerciantes da cidade, por isso investi.”
Falqueiro pretende oferecer o transporte urbano gratuito a partir de dezembro, quando os moradores poderão ir às compras no comércio local. “Eles poderão se deslocar sem desembolsar qualquer quantia. Estão acostumados a pagar a passagem como se fossem para Bauru e descer no centro comercial. Acho que eles vão economizar.”
Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), o transporte coletivo gratuito data de 2004. O circular corta a cidade e transporta trabalhadores dos bairros mais distantes para as empresas e comércio local.
A cidade de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) não adota o sistema de coletivo gratuito, mas está expandindo com a contratação de duas novas empresas. A tarifa custa R$ 2,35.