O Brasil é um País repleto de atrações naturais e culturais. Contudo, o ramo turístico que apresenta maior faturamento, de acordo com um recente levantamento encomendado pelo Ministério do Turismo, é o das viagens a negócios, que são preponderantes em Bauru. Diferentemente do ar descontraído dos viajantes que buscam lazer e descanso, o pegar a estrada ou decolar entre os engravatados movimenta mais a economia do que, justamente, os passeios.
Por aqui, o cenário é semelhante ao do País. Estudo da Demanda do Turismo Internacional, divulgado pelo Ministério do Turismo, mostra que turistas internacionais atraídos por negócios deixam cerca de US$ 120 (R$ 203) por dia. Já quem vem se divertir gasta, em média, US$ 70,53 (R$ 119) a cada dia.
Apesar de não haver nenhum estudo ou sondagem oficiais, tanto por parte da administração municipal quanto órgãos voltados diretamente ao setor de turismo, como o Bauru Convention & Visitors Bureau, a ampla visitação de estrangeiros na cidade, seja por fins de negócios através das empresas instaladas na cidade ou acadêmicos, pelo vasto leque universitário local, gera considerável demanda nas redes hoteleira e grastronômica.
Em até 90% das reservas de apartamentos nos hotéis, observam representantes do setor, são destinadas a esses vieses turísticos. Dentro desse nicho, o contingente de hóspedes estrangeiros chega até a casa dos 20% da ocupação dos estabelecimentos. "Essa média varia de acordo como está o mercado. Mas, em nosso hotel, 80% da demanda é voltada aos negócios, com os estrangeiros ocupando entre 15% e 20% dessa fatia", contabiliza Juliana Bravin, executiva de compras de um grande hotel da cidade, com 165 apartamentos.
Em outro grande empreendimento do gênero, também em Bauru, quase que a totalidade das reservas é relacionada a turistas que vêm à cidade para fins profissionais, científicos ou de saúde, estatística impulsionada pelo Centrinho/USP, referência internacional no tratamento de anomalias craniofaciais. "90% de nossa ocupação é voltada ao turismo de negócios e também de saúde. Já entre os hóspedes estrangeiros, os números são sazonais", comenta Fernanda Said, gerente de vendas do hotel.
Essa variação, contabiliza ela, tem picos máximos de ocupação variantes entre 15% e 20% de visitantes do exterior, particularmente neste estabelecimento. Um terceiro grande hotel da cidade, também consultado pelo JC, divulga, por meio de sua gerência de eventos, que a ocupação de estrangeiros é estimada em 10%.
Michele Obeid, presidente do Bauru Convention & Visitors Bureau, confirma um aumento na presença de estrangeiros na rede hoteleira da cidade. Segundo ela, apesar do órgão ainda não ter números exatos sobre contingente e cifra movimentada por essa parcela de visitantes, a cidade atualmente passa por melhorias estruturais para melhor atender à demanda. "Tivemos grandes obras viárias bem como investimento nas rodovias. Isso, aliado ao melhor treinamento dos funcionários dos hotéis, bem como a localização estratégica de Bauru são pontos muito favoráveis ao crescimento desse ramo turístico", considera.
Além da vocação natural da cidade para o turismo de negócios e científico, a presidente do Bureau salienta também que a já verificada "interiorização", especificamente no ramo corporativo, é outro propulsor ao crescimento no número de visitantes, incluindo estrangeiros, no município e região. "A tendência é a descentralização dos negócios e nossa expectativa é que Bauru ganhe muito com isso", vislumbra ela, anunciando que o Bureau prepara levantamento estatístico sobre o turismo de negócios na cidade, que, segundo ela, deve ganhar em breve três novos empreendimentos no ramo de hotelaria.
Legião estrangeira ?faz a festa?
O elo entre negócios com outras vertentes do turismo para Bauru também encontra nos matrimônios um forte chamariz para visitantes, incluindo de outros países. Ao menos é o que revela a executiva Juliana Bravin, que representa um dos principais hotéis da cidade. "Aos finais de semana, as hospedagens por motivos de casamento são muito freqüentes. Boa parte é de bauruenses que vivem fora e voltam para se casar aqui", observa.
E é justamente esse o cenário da união entre a bauruense Natália Mondelli e o alemão Christian Hoferer, que se casaram ontem na cidade. "A vontade da noiva é a que vale né?", diverte-se ela, que, entre os convidados, trouxe uma legítima "legião estrangeira". "Vem gente da Rússia, Suíça, Alemanha, Espanha, França e Dinamarca", elenca Natália, que trabalha no ramo de turismo e atualmente vive na Suíça.
Em Bauru desde a semana passada, familiares e amigos germânicos são alguns dos estrangeiros hospedados na cidade. Nessa esteira, além dos hotéis e comércio em geral, os restaurantes também comemoram. No caso da turma alemã, ao menos na quinta e sexta-feira, diferentes pontos gastronômicos da cidade foram visitados.
Um deles foi uma das mais tradicionais churrascarias bauruenses. A proprietária, Terezinha Basegio, confirma a freqüência de estrangeiros em almoços ou jantares no estabelecimento. "Varia, mas há ocasiões em que vêm bastante (clientes do exterior). Toda semana tem", garante ela, caracterizando os fregueses, principalmente na hora do almoço, como colaboradores de grandes empresas.