Pesquisa realizada pelo Instituto Gallup compara a evolução do otimismo do brasileiro desde 2009 e projeta para 2014. A expectativa de felicidade para 2014 faz do Brasil campeão mundial, segundo matéria da revista Época. Aos poucos, o Brasil se livra do eterno slogan de País do Futuro. O sentimento nacional é que este futuro promissor está mais próximo e já é percebido. Procurando interpretar algumas informações da pesquisa, entendo que a nossa autoestima evoluiu no sentido positivo, ou seja, reconhecemos melhor o potencial que representamos e somos em termos econômico e sociais.
Outra interpretação que faço é a constatação do sentimento de melhora em termos relativo, ou seja, o brasileiro em geral e graças à globalização sabe que a vida aqui está melhor em vários aspectos quando comparada a países em crises econômicas há anos. Vários indicadores técnicos da pesquisa sustentam esta percepção de melhora coletiva. Destaco a recuperação de mais de 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza para o consumo nos últimos 16 anos. E a diminuição da desigualdade, onde para 50% dos mais pobres a renda cresceu 68% nos últimos 10 anos. Os 10% mais ricos a renda evoluiu 10% neste período. O jornalista Ricardo Amorim, que retornou ao Brasil depois de viver 10 anos nos EUA, sustenta em suas palestras a potencialidade brasileira de continuar crescendo economicamente nos próximos anos versus as dificuldades dos países concorrentes.
O Brasil tem um potencial de crescimento muito maior que o atual. Acontece que a infraestrutura não acompanha na mesma velocidade, além da formação educacional dos brasileiros para acompanhar um ritmo de crescimento chinês. Vejam o horror em que se encontram dois exemplos de infraestrutura: os aeroportos brasileiros e o trânsito urbano nas principais cidades. Este ambiente positivo de otimismo, pleno emprego, renda crescente, etc... deveria reforçar a valorização de políticas públicas com visão de futuro. Como resolveremos gargalos de infraestrutura e a imensa necessidade de reformas no campo político, tributário, trabalhista, previdência e outras, se não tomarmos decisões agora que melhore as condições dessas áreas nos próximos 10, 20, 30 anos?
Em resumo, continuar evoluindo e melhorando as condições de vida dos cidadãos depende de decisões urgentes que precisamos tomar já. Em nível local, o trânsito de Bauru piora a cada ano e se não houver medidas urgentes a cidade estará estrangulada nos próximos 5 anos. Outro fator que nos insere neste contesto de integração e desenvolvimento é o nosso aeroporto. Entretanto, falarei dele no próximo artigo. Precisamos pensar grande e ter visão estratégica. É assim que a nossa região acompanhará o ritmo dos negócios existentes e atrairá investimentos que garantirão um futuro promissor.
O autor, Ricardo Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform