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Reforma Já!

Gilson Souto Maior Junior
| Tempo de leitura: 4 min

Em 31 de outubro de 1517 o reverendo Martinho Lutero afixou nas portas da Catedral de Wittenberg as suas famosas 95 teses para um debate acerca das indulgências que eram cobradas pela Igreja naquele momento. Essas teses condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por toda a Europa. Em junho de 1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia. Em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória. Finalmente, em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito Exsurge Domini. Em janeiro de 1521, a bula Decet Romanum Pontificem excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.

Hoje, 494 anos depois, precisamos de novo de uma reforma, mas agora entre o evangelicalismo que se diz cristão. Precisamos de uma reforma de modo que a cristandade volte aos princípios do cristianismo puro e simples e não fique no conformismo pós-moderno nem na utopia de que pode se relacionar com o mundo negociando princípios. Por isso, proponho ? com temor e tremor ? algumas teses para a nossa reflexão. 1. Os pastores devem voltar seus olhos às Sagradas Escrituras (2Tm. 2:15; 4:2), pautando suas vidas pelo exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo, de modo que sejam mais servos e menos senhores (Ef. 5:1; 1Pe. 5:1-3). 2. Que os pastores voltem para uma vida piedosa de oração e meditação das Escrituras (Ne. 1:4; Dn. 6:1-11; 1Tm. 4:7; 6:11; 2Pe. 1:3-7). Pastorado não é profissão, muito menos uma forma de emprego, mas um ofício do qual deve ser exercido com seriedade e temor. 3.  Que a mensagem da cruz seja resgata e o valor do sangue do Cordeiro seja relembrado, não como um fetiche ou símbolo, mas como a mensagem central da pregação bíblica (Mt. 10:38; Lc. 9:23; 1Co. 1:17,18; Gl. 6:14; Cl. 1:20; 2:14,15). 4. Que rejeitemos toda e qualquer idéia de batalha espiritual, cobertura espiritual e maldição hereditária nos moldes que nos são apresentados hoje em dia, compreendendo que esses ensinamentos perniciosos são fruto de uma mente corrompida e de uma interpretação sem quaisquer bases bíblicas coerentes (Rm. 16:17; Fp. 3:2; Cl. 2:8). 5. Que rejeitemos às fábulas e mitos (1Tm. 4:7; 2Pe. 1:16), as palavras dos falsos pregadores com sua teologia da prosperidade, compreendendo que nossa riqueza está em Cristo e não nas coisas e no consumo desenfreado que produz idolatria. 6. Que rejeitemos aos pregadores que comercializam a Bíblia e a fé como se fossem produtos de consumo (Fp. 3:18,19; Jd. 1:12,13,16). Evangelho não é para ser consumido, mas para ser vivido em novidade de vida. 7.  Que sejam rejeitadas todas e quaisquer tentativas de dobrar a vontade de Deus, pensando que nossas ações ou ritos possam demovê-lO de Sua ação Soberana (Is. 43:10-13; 46:10,11; 1Tm. 6:15).

8. Que as indulgências modernas unções, orações poderosas, montes santos, etc. sejam rejeitadas pelo povo de Deus, lembrando que por essas coisas o povo de Israel no passado acabou se envolvendo com os cultos sincréticos de Ca naã (Ez. 14:4; 23:49; Am. 5:5).

9. Que nos lembremos que Deus é Soberano e não se prende aos modismos de nosso tempo, não negocia princípios e é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é o que era, o que é e o que há de vir (Ap. 1:8), sendo o alvo único de nossa vida e adoração.

10.  Que nossa vida seja exclusivamente para a glória de Cristo, a quem Deus sujeitou todas as coisas (1Co. 15:27,28). Lembremos que tudo é dele, por ele e para ele (Rm. 11:36). Desse modo, nossa vida precisa estar sujeita a Cristo para que, no poder do Espírito Santo (Ef. 5:18), vivamos uma vida que agrada a Deus.

Que o Senhor nos ajude a refletir sobre essas coisas e buscarmos viver um cristianismo mais bíblico e menos pós-moderno; mais cristocêntrico e menos humanista e antropocêntrico; mais servo e menos déspota; mais cruz e menos ganância; mais obediência e menos diversão.

O autor, Gilson Souto Maior Junior, é pastor sênior da Igreja Batista do Estoril e Professor de Antigo Testamento da Fateo - Faculdade Teológica Batista de Bauru.

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