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Resposta ao artigo ?O tiro no pé?

Hélio Amaro Dias Filho
| Tempo de leitura: 4 min

Quero primeiramente dizer da minha admiração pela família Coube, gente do bem, gente honrada e de muita tradição em Bauru. No entanto, gostaria de tecer alguns comentários a respeito do artigo mencionado no título e publicado no último dia 16 de outubro, já me desculpando pela minha pouca cultura. Muito se fala que vivemos em um Estado Democrático de Direito. Será?

Na recente greve dos trabalhadores dos Correios e na dos bancários, o que vimos na mídia foram manchetes procurando colocar a população contra os trabalhadores, mostrando pessoas de idade que não conseguem receber seus salários no banco etc. Mas esta mesma TV que influencia até mesmo na eleição de presidentes no Brasil não noticia que nossos bancários ganham menos que os uruguaios e os argentinos.

Não tivemos deputados, senadores ou jornalista na mídia nacional falando a favor dos grevistas e o porquê de norte a sul do Brasil insistiram na greve, mesmo após acordo firmado no TST. Na verdade, não querem saber, isto não interessa, nós não fazemos anúncios milionários em suas redes. Na verdade, não temos hoje oposição política no Brasil, é como se vivêssemos em um país onde há partido único.

Concordo com o sr. Coube quando diz que os funcionários dos Correios são bons e comprometidos, o que de fato o Brasil todo atesta, já que nos últimos anos somos os primeiros na avaliação da população. Nos últimos dois anos trabalhamos sábados, domingos e feriados, pois devido a um Plano de Demissão Voluntária, tínhamos a falta de mais de 10.000 funcionários.

Quando o sr. ministro Delazen afirma que "É urgente uma reforma sindical!" eu concordo. A primeira mudança seria a não permissão de qualquer diretor ou dirigente sindical escolhido para negociar com as empresas nos dissídios num prazo de 10 anos assumirem qualquer função de chefia na empresa em que tenha vínculo empregatício, pois esta é uma prática hoje muito adotada, onde líderes dos sindicatos recebem convites para assumirem funções até mesmo de diretores regionais e outras funções de chefias, dentro das empresas sstatais, abandonando a base trabalhadora e se posicionando do lado patronal. É legal? Se for, então é imoral!

Quando descontaram os 6 dias de nosso salário, atitude esta que não vimos nem em governo de direita e ordenada por ex-dirigentes sindicais, participantes ativos das maiores greves do Brasil, a nossa greve em vez de diminuir aumentou mais ainda. A partir dessa atitude, conseguimos parar mais de 20 cidades em nossa região e todas elas nunca tinham participado em toda sua história de alguma greve. Portanto, quando vemos o governo que aí está, na calada da noite, levarem nossos "melhores líderes sindicais" para assumirem funções na empresa, a fim de enfraquecer nossos sindicatos e minarem nossa greve, inclusive para serem os negociadores pela empresa, eu me pergunto, onde vamos parar, o que é certo e o que é errado hoje? Onde está a decência? Nunca na minha história de 25 anos na empresa havia visto tal coisa.

Sou testemunha que os sindicatos tentaram acordos, mas não foram ouvidos, a comissão de negociação dos trabalhadores posteriormente assinou o acordo no TST, não era o que tínhamos decidido em nossas assembleias. Não subestimem as pessoas, decidimos continuar a greve, 35 sindicatos, de norte a sul, e ninguém procurou saber do porquê e aí jogaram a culpa nos sindicalistas radicais, não foi isto, foi o senso de justiça, de não aceitar negociatas, ir até o limite permitido pela Justiça, pois não queremos ninguém assinando acordos que nós, da base, não autorizamos. Portanto, nós trabalhadores fizemos esta greve e estamos arcando com todas as decisões do TST e não é a toa que é a classe de maior credibilidade do Brasil.

Existe Lei de Greve, sim, existe, fizemos a greve e a mesma foi julgada legal, sim, mas ninguém publicou isto. Mas caro Ricardo Coube, sua matéria foi muito divulgada em nosso meio, a matéria do ministro presidente do TST ao R7, mas ninguém falou da ministra vice-presidente do TST, que julgou nossa greve legal e não abusiva. Do ministro relator do julgamento do dissídio, que também não julgou a greve abusiva e em seu relatório final foi o anjo da guarda dos grevistas dos Correios.

O autor, Hélio Amaro Dias Filho, é colaborador de Opinião

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