Botucatu, Jaú e Barra Bonita esperam receber cerca de 40 mil pessoas em seus cemitérios municipais no Dia de Finados. Em Barra Bonita, a prefeitura já removeu as árvores que caíram nas instalações devido a forte chuva do último final de semana.
Na cidade de Botucatu são três cemitérios: Portal das Cruzes, Jardim e o do Distrito de Vitoriana. Apenas o Portal, o maior e mais antigo da cidade, que contabiliza desde 1.893 pouco mais de 58.500 sepultamentos, poderá receber mais de 10 mil visitantes durante todo o dia. Já o Cemitério Jardim contabiliza quase 8 mil sepultamentos e deve receber um público superior a cinco mil pessoas, informa a prefeitura.
Os portões dos cemitérios Portal e de Vitoriana serão abertos a partir das 6h, e às 6h30 os do Jardim. Por conta do horário de verão, a visitação será estendida até as 19h. Os cemitérios Portal e Jardim também têm em sua programação de Finados horários específicos para as missas em homenagem às pessoas falecidas: 7h30, 9h, 10h30, 15h e 17h. Em Vitoriana, a missa será realizada às 9h. Agentes fiscais de renda da Prefeitura também irão coibir a comercialização ambulante na parte interna dos cemitérios.
Os administradores dos cemitérios e a equipe da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) ainda orientam que as pessoas optem por levar arranjos de flores artificiais (plástico) devido a sua durabilidade e, principalmente, por não precisar ser regadas com água que, se acumulada em vaso ou suporte, permite a proliferação das larvas do mosquito da dengue (Aedes aegypti).
Sistema digitação
Mas a maior novidade deste ano, segundo a Prefeitura, é a implantação do sistema informatizado de consulta dos cemitérios de Botucatu que permitirá encontrar informações como data e número de sepultamento, filiação, quadra, rua e número do jazigo onde determinada pessoa está sepultada.
O trabalho, iniciado em junho de 2010, e coordenado pela Seção de Processamento de Dados do Poder Executivo Municipal, utiliza um sistema de banco de dados e a colaboração de estagiários que ficaram responsáveis por transferir os dados de cada óbito para os computadores.
O Portal da Cruzes com mais de 59 mil pessoas sepultadas, em 6.400 jazigos, mantém a tradição das grandes estruturas de tijolos, concreto, mármore e bronze, deixando o cemitério parecendo uma cidade, daí a denominação o Portal da “Cidade dos Mortos”.
É nesse cemitério que estão sepultadas as pessoas que fizeram parte da história de Botucatu e na administração estão registrados fatos muito curiosos desde que o cemitério foi inaugurado. Um dos fatos curiosos é o sepultamente em série de dezenas de pessoas que ano de 1918, contraíram a gripe espanhola.
Outra curiosidade é o jazigo da camponesa Ana Rosa que foi, brutalmente, assassinada pelo seu marido Francisco, conhecido como “Chicuta”. O seu jazigo é o mais visitado todos os anos e nele existem centenas de placas de bronze de agradecimentos feitos por pessoas que asseguram que através de promessas e orações feitas a Ana Rosa conseguiram milagres.
Em Barra Bonita, a estimativa é de cerca de 10 mil pessoas visitando o Cemitério Municipal, de acordo com a assessoria de imprensa.
Os túmulos mais visitados são os dos padres Cônego Francisco Ferreira Delgado Júnior, Vladimir Fregolente, de Belmonte antigo integrante de dupla sertaneja junto com Amarai e da menina Isabel, que virou mito popular após sua morte trágica.
Guarda Municipal faz esquema especial em Botucatu
Durante o feriado de Finados, a Guarda Civil Municipal (GCM) atuará com esquema especial de segurança junto aos três cemitérios da cidade com a finalidade de manter a ordem e evitar possíveis delitos. De acordo com o comandante Sérgio Luís Bavia serão empregados 20 guardas no patrulhamento.
“O volume de visitantes nos cemitérios da cidade será grande. São esperadas em torno de 12 mil pessoas. Vamos trabalhar para coibir principalmente casos de furtos, furtos em veículos. Também temos uma preocupação especial com os idosos, que costumam ir em grande número aos cemitérios. Estaremos a postos para garantir o bem-estar das pessoas”, informa.
No Cemitério Portal das Cruzes, a Base Móvel estará instalada como ponto de apoio para as ações, que na área externa acontecerão com os guardas usando bicicletas e na área externa através de viaturas. No Cemitério Jardim, o patrulhamento interno será feito com a utilização de motos e quadriciclos e o entorno será monitorado com uma guarnição percorrendo as ruas. Em Vitoriana também haverá uma viatura para fazer o patrulhamento nas imediações do cemitério do distrito.
Arquitetura do século passado
Em Jaú, o cemitério municipal Ana Rosa de Paulo, foi fundado em 1.894 e um dos poucos do País que tem tour noturno para conhecer a arquitetura dos túmulos.
Hoje é esperada mais de 30 mil pessoas. O cemitério municipal de Jaú foi o terceiro construído na cidade dentro da concepção higienista e tem a arquitetura eclética de predominância neogótica. Há ainda, elementos em art décor e art noveau.
Também é rico em fatos e personagens. Há o túmulo da noiva, recheado de mistério. A primeira história contada pela população é de que a noiva era uma moça muito rica, filha de fazendeiro do café, quando o produto era ainda denominado de ouro negro. Teria se apaixonado por uma pessoa de casta inferior e contrariando os pais decidiu casar com o pobretão.
“A mãe inconformada teria dito, dias antes da cerimônia, que preferia ver a filha morta do que casada com o tal rapaz. No dia do casamento, a noiva já na matriz da cidade, teria tido um mal súbito e morrido”, contou Júlio Polli, coordenador do projeto cultural de visitas ao cemitério.
Na segunda história, a noiva estava pronta para casar quando recebeu um telegrama dizendo que o noivo tinha morrido. Ela teria sofrido um choque e morrido também. “Tudo isso é contado a partir de uma estátua de mármore carrara que segura uma guirlanda. A partir dela surgiram as duas histórias. Não se sabe como surgiram. Na verdade, segundo a família, não há noiva enterrada naquela sepultura,” diz Júlio Poli .
O mito em torno da estátua está tão enraizado na crença popular que o jazigo é muito visitado pelas pessoas que desejam conquistar um amor.
Coriolando Rodrigues, mais conhecido como Criolando foi uma figura popular na cidade de Jaú. Nenhum morador da época queria receber sua visita. Porque quando ele chegava era sinônimo de morte na família, segundo a lenda. Seu nome batizou o velório municipal da cidade.
“Ele tinha mediunidade e sabia antes quem iria morrer. Ele sempre chegava a casa logo após a pessoa ter morrido. Como a memória dele é recente, ele morreu em 81, muitas pessoas, moradores mais antigo que hoje visitam o cemitério, tiveram contato com ele. O lado milagreiro dele é contado através de um relato feito por um morador.”
A prefeitura também fará no local a divulgação para não deixar vasos com água para evitar proliferação de criadouros do mosquito da dengue. A assessoria do prefeito Osvaldo Franceschi Junior (PV) informou ontem que está tudo pronto para receber as visitas hoje.
Os produtos à venda os 25 boxes concedidos a ambulantes são flores, velas, doces, lanches, refrigerantes, caldo de cana e brinquedos. Também serão deslocados agentes para organizar o trânsito nas imediações, informa a prefeitura de Jaú.