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Dr. Automóvel: A tecnologia da destruição

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Semana passada choveu muito forte em Bauru e deu para perceber como diversos motoristas simplesmente não estão preparados para dirigir nestas condições.

Ao retornar à minha empresa de um compromisso profissional, enfrentei um trecho de estrada antes de entrar na cidade, justamente quando caiu aquele toró. Primeira providência foi reduzir a velocidade e acender o farol baixo, continuando a rodar na estrada normalmente.

À minha volta, entretanto, tinha de tudo. Pessoas com os faróis apagados, outros apenas com as lanternas acesas (como se ajudasse alguma coisa debaixo daquela tempestade), outros com o pisca-alerta acionado em pleno movimento na pista, gente parada no acostamento sem sinalização nenhuma, enfim parecia um circo dos horrores.

Para que as pessoas não fiquem bobas nem façam besteiras perigosas quando tiverem que enfrentar algo que foge à sua rotina, precisam de treinamento e conhecimento. A certeza de saber como enfrentar uma adversidade traz a serenidade necessária para enfrentar o momento, caso contrário poderá entrar em pânico e agir de forma errada.

Em primeiro lugar, em caso de chuva forte devemos reduzir a velocidade do veículo por 2 motivos: visibilidade e aderência. A visão sob chuva cai drasticamente e não podemos enxergar longe o suficiente para nos precavermos, e a água na pista aumenta o espaço de frenagem por reduzir o atrito entre pneu e pista. É claro que se todos estiverem andando rápido na pista e de repente alguém reduz a marcha, poderá ocorrer um acidente. Portanto, a lógica e o bom senso recomendam que se sinalize a mudança de marcha, freando e acendendo as luzes.

A lei diz que o pisca-alerta só deve ser acionado com o veículo imóvel, portanto só o ligue se estiver parado no acostamento. Nunca o ligue enquanto estiver andando, já que quem conhece as leis de trânsito poderá interpretar que seu veículo está parado e irá desviar ou brecar, podendo causar um acidente ainda maior. Tecnicamente eu não concordo com esta lei, pois em minha opinião o pisca-alerta é justamente para alertar para algum problema como uma parada brusca, acidente ou se tornar mais visível durante uma neblina forte, por exemplo. Mas a lei existe e deve ser seguida como tal, até que seja alterada adequadamente.

As pessoas precisam entender que o uso dos faróis baixos acesos tanto de dia quanto de noite não tem só a ver com enxergar melhor, afinal com sol não precisaria de farol. A finalidade primordial é ser visto pelos outros. Uso de farol alto, de milha ou de neblina na cidade é totalmente proibido pelo ofuscamento que causa, o mesmo se dá na estrada. Em caso de chuva, acenda apenas os faróis baixos e, se tiver, pode usar os de neblina, que iluminam por baixo e não causam ofuscamento nestas condições. Sempre que tiver algo que prejudique sua visibilidade como chuva ou neblina, nunca use fachos de luz direcionais como farol alto ou de milha, já que apenas prejudicará ainda mais sua má visibilidade. E entenda de uma vez por todas que as lanternas só servem para delimitar as extremidades do veículo e não devem ser usadas como únicas luzes do veículo em movimento. Tecnicamente são designadas como luzes de estacionamento e o correto seria deixá-las acesas quando estacionar seu carro por pouco tempo em lugar perigoso. Como são de baixa potência, não consumirão muito de sua bateria e darão mais segurança e visibilidade aos outros motoristas.

Durante o toró da semana passada, quando entrei de volta da estrada para a cidade, uma pessoa com uma grande SUV preta simplesmente reduziu tanto a marcha que o carro que estava à minha frente quase bateu nela. Aí a fila atrás começou a se formar e foi diminuindo a velocidade até parar por completo, porque o(a) bendito(a) da SUV simplesmente parou na pista com medo da chuva e ligou o pisca-alerta. Já pensou uma coisa dessas? Ficou esperando o que, a chuva passar ou um caminhão chegar por trás e não conseguir parar? Essa irresponsabilidade não pode ser tolerada, pois se causar um acidente com mortes, o tonto da frente simplesmente vai embora e fica tudo por isso mesmo, como de costume. Mais uma vez, penso que nossa legislação é muito omissa e o treinamento em autoescolas acaba sendo fraco, pois se ensina a tirar carta e não a dirigir. Não se obriga a fazer um estágio em estrada, dirigir à noite ou com chuva, por exemplo. Isso daria mais segurança ao próprio aluno e futuro motorista, concordam?

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