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PM no câmpus gera polêmica na Unesp

Por Juliana Coissi | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Juliana Coissi

A polêmica em torno da presença da Polícia Militar (PM) na universidade pública não se limita à Capital paulista. No interior, um grupo de alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru protesta contra a PM no câmpus. Em outras quatro unidades - USP de São Carlos e de Ribeirão Preto, Unicamp e UFSCar, a polícia circula há anos.

Os PMs começaram a fazer rondas na Unesp de Bauru desde março deste ano. No último semestre, um grupo de alunos - de 20 a 30, segundo a prefeitura do câmpus, fez um protesto exigindo a saída da polícia do câmpus. O prefeito do câmpus, Jair Manfrinato, diretor da Faculdade de Engenharia, diz que a presença da PM foi uma reação às tentativas de roubo, de suspeita de tráfico e até de casos de ataques sexuais na unidade.

No final do ano passado, segundo Manfrinato, a mãe de um aluno disse que o filho estava sob domínio de um traficante que estaria atuando no câmpus - o tráfico interno não se comprovou, diz ele, mas a PM atuou no caso.

Também houve denúncias sobre o chamado "tarado da Faac". Em uma das faculdades do câmpus, meninas queixaram-se de que o desconhecido exibia as genitais pela unidade e as espiava no banheiro feminino. No início do ano, 12 homens armados tentaram arrombar três caixas eletrônicos no local, sem sucesso.

Manfrinato afirma que os contrários à PM são minoria entre os alunos. "Não tem sentido permitir que qualquer pessoa possa entrar aqui, até pessoas com má intenção e não permitir a entrada da PM", disse.

O prefeito do câmpus disse que o manifesto entregue no protesto dos alunos não tinha assinatura nenhuma e que não soube informar quem são os manifestantes. A reportagem ouviu um membro de diretório acadêmico que confirmou haver um grupo contra a PM no câmpus, mas ele não soube apontar algum integrante.


Presença antiga

Na USP em Ribeirão Preto e na USP e UFSCar em São Carlos, a Polícia Mílitar circula há anos. As universidades informaram não se lembrar de protestos estudantis contra a presença de policiais.

Segundo a PM e a coordenação dos campi, nenhum aluno foi flagrado por policiais neste ano portando drogas - se isso ocorrer, diz a PM, são levados à delegacia. Em nota, a Unicamp diz que, além de seus seguranças, conta com "o apoio permanente" da PM.


Tarado e assaltantes invadiram o câmpus

Em abril deste ano, alunas da Unesp relataram ao JC que um homem bem aparentado, de cabelos pretos e muito bem vestido estaria exibindo sua genitália e as espiando dentro de um dos banheiros femininos da unidade, próximo à sala 50 da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac). Segundo as universitárias, o problema seria antigo, visto que histórias sobre o "tarado da Faac", como ficou popularmente conhecido, já vinham sendo descritas há alguns anos pelos estudantes.

Na época, o diretor da Faac, Roberto Deganutti, afirmou que a segurança no câmpus seria intensificada. Poucas semanas depois, a universidade anunciou a instalação de 12 câmeras de vigilância nas portarias da unidade, como parte de um projeto inicial de monitoramento integrado entre os 23 campi da Unesp em todo o Estado.

Em junho passado, em outra ocorrência policial, 12 assaltantes encapuzados e armados com revólveres e pistolas invadiram o câmpus de Bauru durante a noite, renderam e amarraram quatro agentes de vigilância e um motorista. Com o auxílio de ferramentas, eles arrombaram três caixas eletrônicos instalados no interior da universidade.
O plano de assalto só foi frustrado porque o sistema de segurança da agência bancária foi acionado. Mesmo assim, à época do crime a informação era de que certa quantia de dinheiro tivesse sido levada do local, embora o valor não tenha sido divulgado pela polícia nem pelo banco.

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