Acho que a Esplanada dos Ministérios está precisando trocar os batentes que dão acesso à entrada por escadas rolantes, urgentemente. Ou é muita falcatrua acontecendo por lá ou necessidade de reparos imediatos. Está caindo ministro demais, concorda? É possível até que seja pelo número exagerado de ministérios que foi criado ao longo destes vinte anos. Salvo engano, no tempo dos militares, em plena ditadura, o ministério era composto por apenas 12 pessoas e hoje já está quase atingindo o séquito do Ali Babá.
Os conchavos, os acordos, as falcatruas, os rabos de palha, os telhados de vidro, as propinas, os enriquecimentos ilícitos, o jogo do empurra-empurra do poder, as chantagens, os descaramentos, as promessas, os altos salários, as vantagens, o elitismo e a cara de pau de nossos políticos, misturados à febre do poder e do se dar bem a qualquer custo, fazem com que cargos desnecessários e subsecretarias que são verdadeiros cabides de emprego, sejam criados em meio aos desmandos e ao caos que prolifera na Capital Federal. Daí, no decorrer destes anos, numa corrida desenfreada de interesses escusos, com o único intento de atender politicamente a todos os partidos e aliados políticos, o mais tardar uns dez anos a mais para que tenhamos um número de ministérios que, divididos equitativamente, será de dois por Estado e, em contrapartida, partidos serão criados paralelamente para se igualarem aos mesmos propósitos. Ah, Juscelino!
Como deves ter se arrependido de ver o fruto da tua impetuosidade, da tua audácia, do teu pioneirismo, de tua garra de desbravador, nos dias de hoje, relegado aos desmandos, à falta de ética, à imoralidade, a falta absoluta de vergonha, moral e responsabilidade, onde usam todos estes artifícios escabrosos em propósitos firmes e pessoais de massacrar este povo e esta Pátria que tanto amaste. Todos os teus projetos sérios em prol do desenvolvimento desta Nação, foram paulatinamente relegados a um antro macabro de troca de favores, até virar esta casa de mãe Joana que ora vive a gerir situações embaraçosas, nos expondo internacionalmente como "o povo do jeitinho " da política suja, de governantes inescrupulosos e uma das nações mais massacradoras no tocante a impostos que são cobrados impiedosamente deste povo ordeiro, mas imensamente omisso.
Não sei nem se o adjetivo trabalhador ainda se enquadra às pessoas de classe menos favorecida, pois esta realmente vive somente de esmola, lembrando o que disse Luiz Gonzaga em uma de suas canções: " ... mas doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão ... " Isto há mais de quarenta anos.
É, meu presidente Juscelino, não mata de vergonha não, o cidadão viciou mesmo, a música não foi feita como ficção, foi uma previsão. Que pena, não? Bolsa família, vale-gás, vale celular ou qualquer nome que dêem ao que estiver programado a mais, é disputado à tapa, com unhas e dentes e, conseqüentemente, é voto certo na urna da humilhação e da vergonha!
Carlos Cardoso Escritor/Poeta/Radialista