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Usuários criticam novos pontos dos coletivos e a

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Eles já foram chamados de "monstrinhos" e "mico". Os novos abrigos nos pontos de parada de ônibus apenas começaram a ser instalados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e já se tornaram alvo de controvérsia e reprovação entre os usuários do transporte coletivo da cidade.

Entre as reclamações reportadas ao Jornal da Cidade ou postadas em redes sociais virtuais estão o número reduzido de assentos, o toldo estreito que não protege contra a chuva e o sol e a estrutura lateral em aço, reservada à publicidade, que impede a visibilidade de quem aguarda a chegada dos ônibus.

Uma consulta realizada pela própria Emdurb demonstrou que a maioria dos usuários é favorável à instalação de novos abrigos, mas 64,5% apontaram que eles precisam ser modificados. Diante das críticas, a autarquia argumentou que a iniciativa teve custo "zero" e que o desenho foi determinado por questões técnicas, como a largura das calçadas da cidade, mas adiantou que irá estudar eventuais adequações ao projeto original junto à empresa contratada para executar o serviço (leia mais abaixo).

Uma das munícipes insatisfeitas é a pensionista Rosa Bosco, 70 anos, que toma ônibus diariamente em um ponto da rua Alves Seabra, onde uma das novas coberturas, feitas em aço, foram instaladas. No local, a calçada é realmente estreita, mas Rosa reclama que as estruturas não protegem os passageiros contra o sol em nenhum horário do período da tarde.

"Isso aqui é para enganar tonto. Na minha opinião, seria um erro continuar colocando essa cobertura no resto da cidade. Já que estão fazendo, que façam uma coisa boa, que atenda às necessidades da população", considera.

Já o pintor Orlando Romualdo de Oliveira, 63 anos, conta que ficou "encurralado" na semana passada, quando houve uma forte chuva atingiu no local no momento em que ele aguardava a chegada de um ônibus. "Fiquei tentando me esconder do temporal, mas tomei tanta chuva quanto se não estivesse embaixo de nada", relembra.

Em frente à Praça do Líbano, no cruzamento entre as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves, as auxiliares de limpeza Patrícia Quintino Munhoz, 33 anos, e Odete Quintino de Souza, 52 anos, reconheceram que o novo abrigo é "melhor do que nada", mas defenderam que as proteções mais antigas ? e maiores, instaladas em outros pontos, mas que futuramente serão retiradas - são bem mais eficientes na função de acolher os usuários. "Elas realmente protegem as pessoas, mesmo quando tem chuva com ventania, além de conseguir abrigar muito mais gente contra o sol", aponta Patrícia.


Inadequados


A empregada doméstica Élide Barbeiro, 39 anos, também utiliza diariamente os pontos de ônibus da Praça do Líbano, que não contava com cobertura até pouco mais de 20 dias atrás. Mas, mesmo com a novidade, ela diz continuar preferindo acomodar-se nos bancos da praça. "Apertando, cabem três pessoas sentadas. É muito pouco, principalmente no final da tarde, que fica mais movimentado. No banco da praça, ao menos a sombrinha das árvores é mais agradável", descreve.

A impressão dos passageiros que fazem uso do transporte público é corroborada pela avaliação técnica realizada pelo arquiteto e desenhista industrial José Xaides de Sampaio Alves, a pedido do JC. De acordo com ele, os novos abrigos não se adequam às necessidades da população sob o aspecto funcional e ergonômico.

Além de não serem dotados de encosto, os assentos são em número insuficiente e protegidos por um toldo demasiadamente alto, sustentado por colunas desenhadas para ostentar material publicitário.

"Entendo que estabelecer parcerias com a iniciativa privada seja um fator positivo, porque reduz os custos da prefeitura. Mas a cobertura poderia ser entre 20 e 30 centímetros mais baixa e, talvez, ter um tamanho maior, para conter com eficácia a chuva e os raios solares", aponta ele, que também é professor do departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Esteticamente, o especialista também não aprovou o desenho da estrutura sob alguns aspectos, embora avalie que o material utilizado aparentemente tenha boa durabilidade.

"Não é um projeto maravilhoso e nem traz uma identidade para Bauru ou algo que agregue valor às ruas, como seria o ideal. É um projeto simples, que favorece a visualização de publicidade, mas que não deverá sofrer processos corrosivos com muita facilidade", resume.

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Consulta


Na última terça-feira, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) realizou uma consulta junto a 211 usuários do transporte coletivo e verificou que 89% são favoráveis à instalação dos novos abrigos. Do total de entrevistados, no entanto, 64,5% apontaram a necessidade de adequações, como o aumento do tamanho da estrutura e do número de assentos, a retirada de ao menos uma das placas laterais, redução da altura do toldo, instalação de lixeiras e vedação da parte traseira.

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Prefeito e Emdurb afirmam que adequações
serão estudadas com pesquisas aos usuários



Diante da insatisfação dos usuários em relação aos novos abrigos, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que adequações ao projeto original das estruturas poderão ser efetuadas junto à empresa que venceu a concorrência pública para prestar o serviço. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) também disse estar aberta a discutir mudanças, embora argumente que todo o desenho dos equipamentos foi pensado a partir das necessidades da população.

"Vamos fazer uma pesquisa junto aos usuários e, então, uma avaliação com a empresa para que ela faça alguns ajustes no equipamento. Estamos apenas no começo da implantação e ainda dá tempo de tornar os abrigos mais agradáveis", diz Rodrigo.

A Emdurb explica que os abrigos terão quatro tamanhos distintos e que apenas o menor deles foi instalado até o momento em 21 pontos de parada de ônibus de Bauru. Ao todo, serão 1.200 unidades e a intenção é que, quanto maior for o movimento de passageiros, maior seja o número de assentos e a cobertura.

"As primeiras estruturas estão sendo instaladas em locais de pequeno fluxo de pessoas. A estratégia é começar pelos bairros mais distantes, onde nunca houve abrigo, e alguns poucos pontos mais centrais só para divulgação aos empresários e à população em geral", diz o presidente da Emdurb, Nico Mondelli.

Além de considerar o número de usuários, a autarquia justifica, entretanto, que os modelos precisam ser compatíveis com o calçamento. Na prática significa que, em calçadas estreitas, não será possível a instalação de abrigos de maior porte, mesmo que a demanda seja grande.

Já o problema dos toldos ? apontados como muito altos e estreitos pelos usuários ? poderá ser sanado com a diminuição da curvatura desta estrutura, conforme garante o empresário José Cláudio Godiano, proprietário da empresa contratada por meio de licitação para executar o serviço. "O topo tem 2,40 metros de altura e vamos diminuí-lo para 2,20 metros. Assim, ganharemos mais 10 centímetros de área coberta para o abrigo", detalha.

Godiano acrescenta ainda que alguns pontos específicos poderão receber unidades personalizadas. "O edital permite esta customização. A avenida Rodrigues Alves, que concentra um grande fluxo de passageiros, poderá, inclusive, receber abrigos ainda maiores dos que existem."

A empresa vencedora da licitação terá até cinco anos para instalar todas as estruturas e poderá explorar publicidade por 15 anos, quando os abrigos se tornarão patrimônio público. Até lá, terá a obrigação de manter a integridade dos equipamentos e entregá-los à prefeitura em perfeitas condições.

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Prefeito aponta economia
para as finanças públicas


De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, a prefeitura não teve condições de priorizar recursos para adquirir abrigos mais sofisticados para os pontos de parada de ônibus em Bauru. As instalações que estão sendo implantadas tiveram custo "zero" para os cofres públicos, com a contrapartida de que a empresa vencedora da licitação pudesse explorar publicidade nas estruturas.

"Inicialmente, íamos comprar os abrigos, mas o projeto inicial tinha um custo alto, de cerca de R$ 3 mil a R$ 5 mil por estrutura. Então, a Emdurb fez a opção por este projeto de custo "zero" para a administração pública", comenta.

Para a empresa de mídia que venceu a licitação, cada cobertura teve custo aproximado de R$ 3 mil, sendo que, para explorar propaganda nas 1.200 estruturas, terá de pagar outros R$ 223 mil à prefeitura. O modelo mais simples teria sido escolhido de acordo com um estudo de viabilidade econômica que contemplaria a atual dinâmica de mercado da cidade, segundo reconhece o próprio prefeito.

"Em Bauru, são poucas as grandes empresas com poder financeiro para fazer anúncios nestes abrigos. Temos de trabalhar com o comércio local e, por este motivo, tivemos de optar por abrigos menores. Mas é muito melhor ter um abrigo, por menor que seja, do que não ter nenhum", avalia.

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