O número de veículos furtados em Bauru caiu 11% em outubro, depois de os índices registrarem picos nos dois meses anteriores. No mês passado, foram 56 carros e motos furtados, ante 63 em setembro e 65 em agosto. De acordo com a Polícia Militar (PM), a intensificação do patrulhamento nas áreas mais críticas, assim como realização de bloqueios-relâmpagos e operações de combate a desmanches clandestinos em borracharias e ferros velhos foram responsáveis pela redução nas ocorrências.
Para estabelecer a ofensiva, a PM delimitou as zonas de atuação mais recorrentes dos criminosos. Para efetuar os furtos, as regiões preferidas são a central e bairros localizados nas imediações da linha férrea, como o Jardim Bela Vista, Vila Seabra e Parque Vista Alegre. Mais ao sul, são alvos ainda as proximidades do Jardim Brasil e Vila Universitária.
“São áreas onde há grande concentração de pessoas e de veículos, seja em razão do comércio ou da presença de faculdades e universidades. E percebemos que, em outubro, as ações criminosas ficaram concentradas principalmente entre segunda-feira à tarde até terça-feira à tarde”, revela o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão de PM do Interior (4º BPM-I).
Já as zonas de descarte dos veículos furtados, segundo ele, são mais ermas. Tratam-se de áreas mais periféricas como a Quinta da Bela Olinda, onde se concentram grandes propriedades, pontos inabitados com mato e uma lagoa. Também são preferenciais para desova a região do Jardim Tangarás e Ferradura Mirim, onde, segundo Garcia, se concentram parte dos desmanches da cidade.
“Imaginamos que o criminoso leve o veículo para comercialização de peças nesses desmanches e o que não serve já é descartado em um local bem próximo do estabelecimento”, esclarece. Da mesma forma, na região noroeste - que compreende bairros como o Parque Santa Edwirges, Parque Jaraguá e Núcleo Fortunato Rocha Lima, os carros seriam destinados a oficinas interessadas em adquirir peças de modelos mais antigos.
“Neste caso, os veículos são roubados para a retirada de estepe, capô, bateria. E, geralmente, o perfil dos indivíduos que furtam este tipo de carro é de usuários de drogas . O crime é realizado esporadicamente, mas também já tem compradores certos”, detalha o comandante da 1.º Companhia de PM de Bauru, capitão Paulo César Valentim.
Mais visados
Por este motivo, segundo ele, é bem maior o número de carros furtados com poucos anos de fabricação e, na maioria das vezes, correspondentes a modelos populares, cujas peças têm melhor aceitação no mercado paralelo. “Os modelos mais vendidos são, sem dúvida, os mais visados. Então, orientamos aos proprietários desses carros para que reforcem a segurança com, no mínimo, trava e sistema de alarme”, observa Garcia.
De acordo com Valentim, a suspeita é de que as ocorrências venham sendo praticadas por um grupo reduzido de três ou quatro quadrilhas de Bauru e também vindas da Capital. Pertencentes ao crime organizado, elas contariam com integrantes com bom conhecimento em mecânica e eletrônica de automóveis e com um padrão rígido e bem estabelecido de atuação.
“Eles sabem quais modelos de veículo devem furtar, para quem levar, se for o caso, quem e como as placas serão trocadas, com quem conseguir documentos falsos. Não é uma atividade executada por amadores”, considera.
Para ajudar a polícia a reduzir ainda mais os índices, Garcia pede para que a população fique atenta para alguns sinais que podem indicar que oficinas mecânicas e desmanches estejam atuando clandestinamente. “Para cortar veículos, é preciso usar maçarico ou serra, que fazem fumaça ou barulho. Se perceber qualquer movimento ou indício estranho, o morador vizinho deve nos avisar”, orienta. As denúncias podem ser feitas pelo 190 de maneira anônima.