As associações de produtores de pimentões existem para colocar os produtores em contato com novas tecnologias voltadas ao setor olerícola, facilitar a comercialização do produto e também efetuar compras em grupo.
Para a presidente do Pare, Maria Paula Bentoca, a principal finalidade da associação é informar aos produtores a melhor comercialização; agregar valor final ao produto; defender e auxiliar seus associados nas suas atividades econômicas, sociais e culturais, proporcionando a eles um vida mais digna no campo; apresentar as novas tecnologias voltadas ao setor olerícola.
As compras conjuntas de insumos agrícolas, segundo Bentoca, geram um ganho de 40% nas compras. “Com isso, agregamos valor ao produto. Na nossa região, cultivamos os pimentões vermelho e amarelo, além de várias olerícolas. Cerca de 90% de pimentão e 10% de pepino japonês, pimenta americana e ardida e tomate,” afirma. A produção mensal é, em média, de 280 toneladas (7 mil caixas de 10 kg por semana) para uma área plantada de 2,5 hectares. “O maior polo comprador é São Paulo, via Ceagesp, sendo este um receptor de 95% das mercadorias,” conta a produtora.
Na Apri, dos 70 associados, 35 são produtores de pimentão, 15 trabalham com pecuária e os demais não pertencem a nenhuma das duas cadeias produtivas. Segundo a presidente da entidade, Conceição Aparecida Otero, aproximadamente 90% da produção têm destino certo: o Ceagesp de São Paulo.
“Produzimos cerca de 2 mil a 2.500 caixas de pimentões nas estufas de arco, durante o ciclo produtivo. Nas estufas londrinas, de 1.300 a 1.600 caixas. São os dois tipos de estufas usadas na nossa região. Nos organizamos para produzir o ano todo. Quando uma plantação está se findando em uma estufa, já estamos com outra. O ciclo produtivo é de cerca de 10 meses.”
Ela explica que os pimentões têm diversas variedades. “Ele é verde antes de atingir a maturação. O amarelo é o mais adocicado. O vermelho é o mais pesado e quase sempre o mais barato.”
O cultivo dos pimentões, de acordo com Otero, atinge o pico da produção nas quatro primeiras semanas. “Quando ele começa a produzir, cerca de 90 dias após o plantio, as primeiras semanas são as melhores. Depois a plantação começa a apresentar números menores de frutos.”
2011 superou expectativa dos produtores da região
O ano de 2011 começou muito ruim para quem trabalha com pimentões. A partir de abril, o mercado melhorou, superando a expectativa do setor agrícola, frisa a presidente do Pare de Reginópolis, Maria Paula Bentoca.
“Muitos produtores arrancaram e não plantaram de novo pimentão, porque o preço estava em queda. Eles passaram a produzir tomate e pepino. Em abril, havia pouca oferta de pimentões no mercado e o preço triplicou. Outro fator que contribuiu para o aumento do preço foi o frio. Em baixas temperaturas, o fruto demora a amadurecer. O preço da caixa de pimentões já chegou a R$ 5,00, sendo o preço médio de R$ 20,00 a R$ 30,00. O excesso de oferta de produto prejudica o mercado”, conta.
Para a presidente da Apri de Iacanga, Conceição Aparecida Otero, a falta de planejamento é que mexeu com o setor. “Nós dependemos da demanda como qualquer outra atividade. O pimentão amarelo, no ano passado, obteve o melhor preço. Todo mundo plantou e, este ano, com uma grande oferta, o preço caiu.”
De acordo com ela, os pimentões roxo e creme têm clientela garantida, selecionada, e não vale a pena investir neles porque a produção já é suficiente para atender a demanda existente. São poucos produtores. “É uma clientela selecionada. São alguns restaurantes e receitas que levam essa variedade de coloração.”
Obstáculos
Uma estufa de pimentões tem em média mil metros quadrados. Na forma de arco, ela apresenta uma produção maior durante todo o ciclo produtivo, cerca de duas mil caixas. Porém, sua instalação é mais cara, valor em torno de R$ 35 mil. A estufa londrina produz menos, de 1.300 a 1.600 caixas, mas em compensação tem um custo menor, cerca de R$ 25 mil.
O custo da montagem de uma estufa é elevado para os produtores, em sua maioria, agricultores familiares, na opinião da presidente do Pare, Maria Paula Bentoca. Segundo ela, esse é um dos obstáculos enfrentados pelo setor. “Além da falta de assistência técnica especializada, alto custo das mudas e da falta de conhecimento de certos produtores.”
Outro custo que pesa no bolso do produtor, ressalta a presidente da Apri, Conceição Otero. “O tipo de solo e o clima. Precisamos preparar a terra. Para minimizar os danos do calor excessivo, temos que fazer a nebulização. Há casos que ela não é suficiente e temos que instalar exaustores para melhorar a circulação de ar.”
Otero lembra que há produtores, em outras regiões que estão fazendo instalações elétricas nas estufas para poder colocar os ventiladores em ação. “Com calor excessivo, a maturação é rápida. Todos os pimentões maduram ao mesmo tempo e inviabilizam a colheita e a venda.”
A produção em estufa gera mais segurança para o produtor rural, na opinião de Bentoca. “Por ser um ambiente protegido. Com ela, é possível produzir na entressafra, aumenta a produção e diminui os riscos com intempéries e ataques de pragas e doenças.”
Ticiano Antonio Chies mostra pimentões já colhidos
Ticiano Antonio Chies e seu pai Ângelo Chies são produtores de pimentão no município de Iacanga. Na propriedade, eles mantêm três estufas, cerca de três mil metros quadrados que abrigam os 4.500 pés do fruto. Três vezes por semana, eles enviam pimentões para o Ceagesp da Capital. Há um mês, eles tiveram suas estufas atingidas por um forte vendaval e chuva que destruíram um deles assim como um depósito de alvenaria que acomodava máquinas e defensivos agrícolas.
“O maior obstáculo para os produtores é a variação de preços. Há semanas que a caixa é vendida por R$ 5,00, na outra por R$ 90,00. Nós produtores ficamos sem saber quanto vamos ganhar e qual o investimento possível de se fazer. Ainda bem que tenho seguro das estufas, uma delas deu perda total.” Ele frisa que o pimentão depois de colhido apodrece em uma semana. “Ele murcha e não temos como vender. Doamos para entidades da cidade e tratamos dos porcos.”