Regional

Pimentões ?viajam? até para o Exterior

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os pimentões de estufa produzidos na microrregião de Bauru “viajam” milhares de quilômetros até chegar à mesa do consumidor final. O transporte é feito por freteiros até o Ceagesp de São Paulo, onde são recebidos por “intermediários”, que vendem o produto para todo o Brasil e até países vizinhos. 

Para que o produto chegue em bom estado de comercialização e ganhe valor, o Pare embala os pimentões em caixas de papelão personalizadas com o logotipo, conta a presidente da entidade, Maria Paula Bentoca. 

“Os freteiros visitam as propriedades rurais diariamente e coletam o produto. Levam para o Ceagesp/SP. O frete é dividido entre o ‘intermediário’ e o produtor. O transporte é terceirizado para todo o Brasil. Já mandamos pimentões para a Argentina e Chile.” 

José Roberto de Carvalho é do Ceagesp/SP e recebe uma média diária de 700 caixas de pimentões produzidos no município de Avaí, Reginópolis e Iacanga. “A maioria da mercadoria vem pelo sistema consignado. Há dias que recebo mil caixas, noutro, 500. Cerca de sete mil quilos de pimentões. Nós comercializamos os pimentões e recebemos uma porcentagem sobre a venda. Vendo verde, amarelo e vermelho.”

Carvalho explica que a venda maior é para fora do Estado de São Paulo. “Esses pimentões ‘viajam’ para Porto Alegre, Curitiba, o Nordeste todo, Rio de Janeiro. Vendemos para o Ceagesp de lá, para supermercados, mercados, feiras e grandes restaurantes. Muitas vezes, o pimentão percorre milhares de quilômetros antes de ser vendido no varejo.”

Para chegar ao destino com boa qualidade, os pimentões têm que estar bem embalados, na opinião de Carvalho. “O produto deve chegar ao destinatário em bom estado de conservação. Para isso, é importante estar bem embalado, do contrário, pode chegar amassado. A embalagem depende do produtor. Sem dúvida que o produto bem embalado tem melhor comercialização.”

Carvalho avisa que pimentão embalado em pé é o menos aceito pelo mercado. “O comprador rejeita o produto que vem embalado em pé com a última camada deitada. Eles acham que estraga mais fácil. Se o fruto for muito graúdo também não é fácil de comercializar. Tem que ter um tamanho médio.”

Cada caixa de papelão acomoda de 20 a 80 pimentões, dependendo do tamanho, explica. “Nós vendemos por peso. Nenhuma embalagem pode ter menos do que 10 quilos. Em média elas têm de 10 a 12 quilos. Se o pimentão for graúdo são 20 em cada caixa. No tamanho médio, de 70 a 80.”

Para garantir a qualidade do produto vendido, outro comerciante do Ceagesp/São Paulo embala novamente os pimentões. Marcelo Alves de Souza, que é responsável pela comercialização de pimentões de estufa da empresa permissionária, explica que os pimentões para viagem são bem cuidados “Mandamos pimentões para o Mato Grosso, Curitiba,  Goiânia, Belém e Salvador. Não fazemos exportação do produto. Temos dificuldades para mandar para o Exterior porque há defensivos sem registros sendo utilizados. O que dificulta.”  Para a empresa, segundo Souza, a qualidade está em primeiro lugar. “Recebo aproximadamente 1.500 caixas por dia, 7 mil por semana cerca de 70 mil quilos por semana mais ou menos. Quando o produto chega em nossas mãos, já sabemos se o produtor é cuidadoso ou relaxado. O pimentão não pode estar com o talo melando.”  A pior época é a de chuvas: estraga mais fácil.

 

Planta demora de 90 a 100 dias para dar frutos

 

Uma plantação de pimentão dura em média 10 meses. Depois desse período, ela entra em decadência, produz poucos frutos e deve ser arrancada, ensina a presidente da Apri, Conceição Otero.

Depois da terra tratada, outras mudas são plantadas, comenta a presidente do Pare, Maria Paula Bentoca. “A muda está apta a ser transplantada a partir de 60 dias e se for muda enxertada a partir de 90 dias. Após o transplante, a muda demora de 90 a 100 dias para começar a produzir.”

Comentários

Comentários