São Paulo - Copa, Olimpíadas, país emergente, economia estável. Tudo isso está atraindo arquitetos estrangeiros para o Brasil, em busca de oportunidades de negócios, coisa rara hoje nos Estados Unidos e na Europa, que enfrentam dura crise econômica.
Um exemplo da “invasão estrangeira” é a licitação de R$ 30,6 milhões da Prefeitura de São Paulo para a elaboração dos projetos de três novas operações urbanas.
Para disputar os contratos, sete consórcios se formaram. Em todos, há arquitetos estrangeiros. Mas, na maioria, há parceria com brasileiros.
“O brasileiro conhece bem a lei e a cultura local. O estrangeiro contribui por ter feito projetos fora e por trazer novas perspectivas”, diz o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.
“Havendo crise lá fora, os escritórios vão procurar onde tem trabalho. Ninguém fica de braço cruzado”, afirma Ronaldo Rezende, presidente da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).
Adriana Levisky, da Levisky Associados, se uniu a dois escritórios de Barcelona (ERV Architects e Jornet-Llop-Pastor) e um nacional (De Fournier, de um suíço radicado no Rio de Janeiro) na disputa pelo projeto da operação urbana Lapa-Brás.
Ela diz que a grande contribuição dos “gringos” é a experiência em desenho urbano. “No Brasil, temos experiência em planejamento urbano, mas não em desenho urbano”, afirma.
Entre os estrangeiros, o que está mais estruturado no Brasil é o norte-americano Aecom, que faz o projeto Nova Luz, de revitalização da cracolândia. Eles também fizeram o plano diretor de Londres para a Olimpíada-2012.
Na Nova Luz, o Aecom tem sociedade com empresas brasileiras de projeto (Concremat), urbanização (Cia. City) e estudos econômicos (FGV), mas não há parceria com arquitetos nacionais.
O Aecom apresentou propostas para as operações urbanas: Lapa-Brás que fará o plano para a demolição do elevado Costa e Silva, o Minhocão e Mooca-Vila Carioca para revitalizar a área.
Na empreitada, o Aecom se associou ao escritório de engenharia CNEC, criado por brasileiros, mas comprado no ano passado pelo grupo australiano WorleyParsons.
Outros Projetos
Há outros projetos de escritórios internacionais na capital. O hotel “seis estrelas” que será feito no antigo hospital Umberto Primo, na Bela Vista, está a cargo dos franceses Jean Nouvel, arquiteto, e do designer Phillip Starck.
O governo do Estado entregou sem licitação ao suíço Herzog & De Meuron o projeto do futuro teatro da dança, nos Campos Elíseos, região central de São Paulo.
O governo do Estado disse, à época da contratação, que a ideia de trazer um escritório estrangeiro era de “expor a arquitetura brasileira à arquitetura internacional”.