Tribuna do Leitor

A USP E O SEU PAPEL SOCIAL


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Todos estão acompanhando o desfecho entre a Reitoria da USP e seus alunos. Esse fato tem tido publicidade e notoriedade dos grandes e pequenos meios de comunicação. Parece que isso é normal nas universidades do Estado de São Paulo. Lá eles protestam, usam pano no rosto, igual às rebeliões dos cadeiões que temos por aí, e deixam para nós várias perguntas como essa: são alunos? Estão lá para estudar e contribuir para o desenvolvendo da ciência e do país? Fazem parte de algum movimento estudantil? Pagam para estudar?

A sociedade vê que a realidade na USP é a mesma realidade das outras escolas do Governo do Estado de São Paulo. Que sofrem com a falta da segurança e do uso contínuo e discriminado de drogas. A diferença está na arrecadação extraordinária que a USP tem, ou seja, está na hora de a sociedade cobrar do Governo e da própria universidade um posicionamento em relação aos indicadores, verificar se a universidade está cumprindo seu papel social e contribuindo com a própria sociedade de maneira geral.

A USP tem condições de fazer um convênio com a Polícia Militar. É o que foi anunciando e é um dos motivos da chamada rebelião. A questão é que isso não ocorre com as outras escolas do Estado, que têm a promessa da Ronda Escolar, mas não tem a Ronda Escolar, pelo fato de o mesmo Governo não ter pessoal necessário ou suficiente para cumprir a promessa. Os tenentes dizem: ou atendemos às ocorrências ou fazemos ronda. Ouvi isso várias vezes em reuniões que participei no Conseg.

O fato é que a USP e os seus são privilegiados pela política do Governo do Estado de São Paulo, ou seja, todos nós, paulistanos, pagamos para que esses "caras" façam uso de excelente estrutura. A sociedade não acredita que esses "alunos" e seus familiares fizeram tantos esforços para que os mesmos utilizem esse espaço de conhecimento para usar drogas como a maconha. A sociedade deveria pedir para que esses alunos fossem expulsos do meio acadêmico e proporcionassem essas vagas para quem bem de direito tenha.

Todos têm direito de falar e escrever o que pensam, mais leia isso: "Se há um agressor, estuprador ou assaltante armando, a PM será acionada como em qualquer outro crime. Mas revistar estudantes, dar buscas em centros acadêmicos ou prender jovens que fumam maconha em gramados do câmpus é não só dar destinação errada para a PM como extrapolar suas supostas funções de proteger a comunidade". Esta frase é professor doutor Henrique S. Carneiro, do Departamento de Historia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Folha de São Paulo 05/11/11.

Portanto, estão apontados vários motivos para que o Governo crie clínicas e mais clínicas para os nossos jovens, na verdade, precisamos fazer uso das palavras de Fernando Pessoa: "Há um tempo em que é preciso abonador as roupas usadas, que já tem a forma do corpo/E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares/ É o tempo da travessia/ E se não ousar-mos fazê-la/Teremos ficado para sempre/ À margem de nós mesmos."


Cleverson Moreira, professor e contador

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