Bairros

RG leva polícia a trio de assaltantes

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Éder Azevedo

Os três suspeitos foram conduzidos ao Plantão Policial, onde foram ouvidos na tarde desta segunda-feira (7)

A cópia de um RG deixada na cena de um crime “entregou de bandeja” para a polícia os autores de um roubo a um canteiro de obras na madrugada do último domingo. O trio de ladrões atrapalhados se assustou e fugiu com o tumulto provocado por uma vítima feita refém, mas que conseguiu escapar. Na manhã de ontem, os três tiveram decretada a prisão temporária por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.

Segundo a polícia, os três homens tinham como objetivo roubar uma grande quantidade de material de construção armazenada no almoxarifado da construtora, na quadra 8 da rua Rafael Pereira Martini, Jardim Redentor.

Seguindo a pista deixada na cena do crime, policiais militares prenderam na manhã de ontem Ivan Júnior Pereira dos Santos, 24 anos, e o pintor Douglas Cardoso dos Santos, 20 anos, em um imóvel no Parque Júlio Nóbrega. Com eles foram localizados dois rolos de fios de cobre e o celular da vítima feira refém durante o assalto.

Na sequência a PM foi ao canteiro de obras, local do roubo, e prendeu Maike Rodrigues dos Santos, 18 anos, que trabalhava normalmente na construção do conjunto de apartamentos em que praticou o assalto no dia anterior.

O vigia da obra, um aposentado de 57 anos que pediu para não ser identificado, relata que, entre 2h30 e 3h de domingo, foi imobilizado com um golpe de gravata por um homem encapuzado. Ele conta que o ladrão usou sua blusa para cobrir a cabeça e amarrou seus braços e pernas com arame. Depois a vítima foi deixada em um banheiro do prédio em construção, ainda vigiada por um dos ladrões.

 

Refém

O vigia foi obrigado a entregar as chaves de seu carro e seu celular. Em seguida, os homens estacionaram o automóvel da vítima próximo do lugar em que funcionava o almoxarifado da obra e carregaram 10 latas de tintas de 3,6 litros cada, três latas de tinta de 18 litros e três latas de aguarraz de cinco litros cada.

Passados 20 minutos, a vítima achou que não estava mais sendo vigiada. O vigia contou à polícia que se desvencilhou das amarras e correu na direção do portão de saída do conjunto de apartamentos em construção. Um dos bandidos o interceptou e ambos entraram em luta corporal. A vítima descreve que se armou com uma cadeira e partiu na direção do bandido, que optou pela fuga.

Com a confusão, os outros dois ladrões também fugiram sem levar o veículo carregado. Próximo a um muro do conjunto de prédios em obras, os assaltantes abandonaram durante a fuga 88 rolos de fios de cobre, uma CPU e monitor de computador e três mochilas com mais fios.

Com a ajuda de um vizinho da obra, a vítima acionou a polícia. “Sei que foi besteira minha. Se eles me pegassem iria apanhar. Ou se estivessem armado, eu poderia morrer”, diz o refém.

Ele ficou do lado de fora da obra até a troca de vigias na manhã de domingo. Ontem, o vigia estava aflito ao saber que entre os ladrões havia gente que trabalhava na construção. Ele acrescenta que trabalha no canteiro de obras há cerca de três meses. Desejava também localizar as chaves de seu carro e de casa levadas pelos ladrões. O celular foi recuperado com os suspeitos e devolvido.

 

Mochila emprestada

Em uma das mochilas deixadas pelos três ladrões no canteiro de obras havia a cópia da carteira de identidade de uma pessoa que não teria participação alguma no roubo, mas se viu obrigada a informar à polícia para quem cedeu a bolsa.

O dono do RG, que pediu para não ser identificado, disse ao JC que somente emprestou a mochila para um dos envolvidos no roubo. “Não sabia para o que era”, disse o pintor.

Ontem, ele foi localizado pelos policiais militares quando argumentou que trabalhava com um dos acusados e apenas fez um empréstimo da mochila usada no roubo. Com sua indicação, policiais militares chegaram aos autores do roubo.

De acordo com a Polícia Militar, Ivan Júnior Pereira dos Santos já teria trabalhado na construtora. Os acusados não quiseram falar com a reportagem. Conforme a PM, eles confessaram o crime e, aparentemente, não utilizaram arma de fogo durante a ocorrência. 

Após serem encaminhados pela PM ao Plantão Policial ontem, o delegado Roberto Cabral Medeiros solicitou à Justiça a prisão temporária por cinco dias de Ivan Júnior Pereira dos Santos, Douglas Cardoso dos Santos e Maike Rodrigues dos Santos.

A prisão foi concedida e os três foram encaminhados ainda ontem à cadeia pública de Duartina.

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