Aceituno Jr. |
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Pamela Oliveira, 17 anos, foi a vencedora do concurso cultural na categoria fotografia |
O ambiente instigante, as pessoas se importando efetivamente umas com as outras e a postura colaborativa de cada um refletem a conquista de prêmios de duas adolescentes de Bauru em um concurso cultural do programa “Adolescente Aprendiz” da Caixa Econômica Federal.
Integrar o desenvolvimento de uma equipe de trabalho ainda que na condição de aprendizagem de uma função corporativa pode definir motivações para o futuro. As aprendizes de 17 anos, Pamela da Silva de Oliveira e Julie (nome fictício por se tratar de uma menor abrigada), aproveitam a oportunidade de desenvolver seus potenciais e, ainda, foram premiadas no concurso “Caixa, 150 anos na vida dos brasileiros”.
Pamela conquistou o primeiro lugar na categoria “foto”, e Julie foi a vencedora na categoria “texto” do concurso. Elas atuam no departamento jurídico da Caixa Econômica Federal, divisão de Bauru. Incentivadas por todos, as adolescentes investem em dons que poderiam não aflorar caso não estivessem no local certo e ao lado de amigos.
Julie vive uma circunstância de superação após o desmanche de sua família iniciado com a morte de seu padrasto, há cerca de cinco anos. Ela avalia que foi quando a situação da família desajustou e o caminho de mãe e filhos se separou.
Ela foi para um abrigo feminino enquanto, os outros dois irmãos, de 13 e 15 anos, seguiram para uma instituição para meninos. Com o tempo, perdeu o contato com outros dois irmãos adotados.
Ela se encaixaria no estereótipo de “adolescente problema”. Mas Julie não se deixou levar pelas dificuldades da vida e se desdobra no trabalho como aprendiz, abrindo um vasto leque de opções para seu futuro profissional. “Tenho um dom e gosto muito de trabalhar”, afirma.
A aprendiz avalia as possibilidades de seguir a carreira da advocacia, definida desde os 8 anos, período em que se recorda de visitas ao ambiente de Fórum judicial. “Acho que de tanto ir à Vara da Família, peguei gosto”, define. No entanto, ela tem consciência de que a profissão não é uma visão infantil e pensa na possibilidade de promover justiça.
Vestibular
Ela se prepara para disputar uma vaga em universidade pública. Julie divide seu tempo atuando como aprendiz na Caixa, se preparando no cursinho vestibular da Unesp e nas aulas do terceiro ano do secundário na Escola Estadual Stela Machado, em que se formará neste ano.
Sua paixão é ler e escrever. Ela foi a primeira colocada na categoria texto no concurso cultural “Caixa, 150 anos na vida dos brasileiros”. Julie fala com emoção de quando receberá a premiação, um netbook. Já se imagina pesquisando em seu primeiro computador.
As opções para o futuro são muitas. A adolescente também pretende prestar concurso público, preferencialmente para bancos estatais - logo, a Caixa é uma meta. No quesito sonhos a serem realizados, ela pretende juntar a família novamente, morando com seus dois irmãos.
Quanto aos outros dois adotados, a história é mais complicada, já que a família que os adotou prefere evitar o contato entre os irmãos.
Paixão
Ao lado da colega Julie, a aprendiz Pamela de Oliveira ganhou o prêmio da Caixa na categoria foto. Denise Taveira, que trabalha no setor jurídico do banco, percebeu que a adolescente gostava de produzir “books” fotográficos de colegas e que poderia ousar na arte da fotografia.
Denise é fotógrafa e passou a dar algumas dicas a Pamela e emprestar algum equipamento para aguçar ainda mais o seu dom. Surgiu então a oportunidade do aprendizado da linguagem fotográfica, e lá estava Denise com o incentivo na dose certa para que Pamela cursasse fotografia na Oficina Cultural Regional “Glauco Pinto de Moraes”, em Bauru.
A jovem concorreu com uma foto para o concurso “Caixa, 150 anos na vida dos brasileiros” e conquistou o primeiro lugar nesta categoria. Segura do que entende sobre fotografia, a adolescente explica que trabalhou a linguagem fotográfica ao manipular a angulação para obter a imagem que atendesse aos critérios do tema do concurso e ainda impor um toque particular à imagem capturada.
Sonhos
Pamela da Silva de Oliveira, 17 anos, a aprendiz que conquistou o primeiro lugar na categoria foto do concurso cultural “Caixa, 150 anos na vida dos brasileiros”, confessa que não esperava ser premiada. “Aprendo aqui a não ter medo de tentar e não conseguir”, reflete.
A função que ela exerce no departamento jurídico de um grande banco estatal, com a colega Julie, requer responsabilidade e competência para lidar com pessoas dos mais diversos perfis, diariamente, na recepção. Ambas são uma espécie de cartão de visita de um setor que pode ser caracterizado como sisudo, por lidar com questões jurídicas em uma instituição financeira.
Ela comenta que aprende muito neste ambiente de trabalho e já faz planos de seguir uma carreira. A adolescente ainda está na dúvida entre um curso na área de recursos humanos ou publicidade, opção em que conciliaria a paixão pela fotografia. A adolescente também cursa o último ano do ensino secundário na Escola Estadual Professor Carlos Chagas, em Bauru.
Ela reside na Vila São Paulo com os pais Maria Sandra da Silva de Oliveira e Juraci Brois de Oliveira Filho e os irmãos Patrick, de 11 anos, e Paola, de 1 ano.
Além da premiação
Mais do que uma premiação, Julie e Pamela têm a admiração de todos no setor jurídico da Caixa, em Bauru. José Sotrati Júnior, funcionário do jurídico do banco estatal e orientador delas no programa “Adolescente Aprendiz”, comenta que o projeto apresenta o mercado de trabalho aos adolescentes e cria a oportunidade de interação de mundos muitas vezes distantes.
Julie e Pamela foram escolhidas para o setor jurídico após um curso na entidade Recuperação e Assistência Cristã (Rasc), em Bauru. Entre as atividades desenvolvidas pela entidade está a preparação de adolescentes para o mercado de trabalho.
Há cerca de um ano, as duas meninas foram selecionadas após entrevista e conquistaram o primeiro emprego com carteira assinada, como aprendiz. Sotrati acrescenta que a contratação é feita pela entidade conveniada com o governo federal para desenvolver o programa com o menor aprendiz.
Ele calcula que a Rasc atue no programa com cerca de 70 adolescentes em Bauru. Além de orientador das meninas no banco, ele dá aulas na Rasc de português, informática e noções de serviços bancários que também podem ajudar em concursos públicos.
