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Falta trabalhador para fim de semana

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Ao lado do dono do restaurante, Fábio de Souza, o gerente Rodrigo (à dir.) diz que se acostumou a ter uma folga durante a semana

A aceleração da economia vivenciada nos últimos anos criou uma nova realidade para o mercado de trabalho em Bauru. Diante da maior oferta de emprego, alguns profissionais que exercem atividades operacionais já podem “se dar ao luxo” de escolher onde querem atuar e, com isso, vagas que demandam trabalho aos finais de semana começaram a ser rejeitadas.

Como consequência, empresários de ramos como o de bares, restaurantes, hotéis e supermercados, vem enfrentando apuros para preencher seus quadros de funcionários, em funções que vão desde garçons e cozinheiros, passando por operadores de caixa e repositores, até porteiros e camareiras.

“Na verdade, a dificuldade para contratação de mão de obra qualificada é uma realidade generalizada, que se agrava com a necessidade de trabalho em fins de semana ou mesmo no período noturno. A gente oferece a vaga e, quando informa sobre esta exigência, um grande número de candidatos desiste de imediato”, comenta o empresário Fábio Borges de Souza, proprietário de um restaurante da cidade,

Segundo o economista Mauro Gallo, o fenômeno é uma tendência que já vem se consolidando nos últimos quatro anos, devido ao crescimento da economia e aumento do número de estabelecimentos que oferecem serviços de gastronomia e lazer. “São setores em que os finais de semana são os dias mais fortes para os negócios e que cresceram muito devido ao aumento do poder aquisitivo da população como um todo. O problema é que o pessoal com disponibilidade de horário não cresceu na mesma proporção”, comenta.

Para piorar a situação dos empresários, a expansão da economia proporcionou o aumento da oferta de empregos, o que fez com que profissionais mais bem qualificados pudessem escolher onde trabalhar, seja para a melhoria de rendimentos ou mesmo de qualidade de vida. “De repente, eles se viram em condições de começar a passar o fim de semana com a família. E o fato de não ter tempo para o lazer com os filhos é algo que acaba pesando muito”, considera Gallo.

 

Estratégia

De acordo com ele, a resistência dos trabalhadores também pode ser verificada em vagas de emprego ofertadas por estabelecimentos comerciais da região central da cidade ou do próprio shopping. Mas em segmentos mais específicos, como o supermercadista, a dificuldade para encontrar mão de obra especializada disposta a abrir mão dos finais de semana costuma ser ainda mais persistente.

“O índice de desistência quando fazemos recrutamento é bastante grande. Ás vezes, o candidato chega a ser avaliado pelo departamento de recursos humanos, entrevistado pelo coordenador de setor e pela gerência de loja e, mesmo aprovado para assumir a função, não assume”, comenta Siméia Avante, coordenadora de recursos humanos de uma rede supermercadista de Bauru.

Com piso de R$ 856,00, a jornada no estabelecimento contempla uma folga durante a semana e, a cada dois domingos trabalhados no mês, o funcionário tem direito a descanso em um domingo. Pela restrição, Siméia conta que alguns supermercados da cidade passaram a remunerar seus funcionários com R$ 50,00 extras, em média, para cada dia de trabalho aos domingos e feriados.

“Na hora da contratação, este dinheiro acaba funcionando como uma estratégia de convencimento, já que, mesmo recebendo um extra, eles continuam com a folga garantida”, pontua.

Mas há quem prefira trocar de emprego e ganhar menos para não ter de sacrificar os fins de semana, conforme destaca a coordenadora de recursos humanos de uma empresa de recrutamento de Bauru, Lívia Cordeiro. “Se a diferença não for muito grande, o candidato acaba ficando com a vaga que não exige trabalho aos domingos. É bastante comum uma pessoa ser selecionada para uma vaga e, depois, desistir porque surgiu uma outra oportunidade de emprego que não tivesse esta exigência”, afirma.

 

Até desempregado rejeita

Coordenadora de recursos humanos de uma empresa de recrutamento em Bauru, Lívia Cordeiro comenta que até mesmo pessoas desempregadas rejeitam vagas que demandem trabalho aos finais de semana. Justamente por se sentirem confiantes de que conseguirão emprego rapidamente devido à estabilidade da economia atual, preferem ficar sem salário por mais algum tempo do que sacrificar os tradicionais dias de descanso.

“Nos processos seletivos, inclusive, este tem sido um grande desafio, porque existem vagas abertas para contratação, mas não encontramos mão de obra minimamente qualificada para preenchê-las”, resume.

 

Gerente de restaurante diz que não se importa de trabalhar no domingo

Profissionais como Rodrigo Alexandro Figueira, 32 anos, são cada vez mais raros no mercado de trabalho atual. Gerente de um restaurante de Bauru, ele diz não se importar em sacrificar os finais de semana em nome do emprego e revela preferir folgar durante a semana para resolver pendências que não conseguiria aos sábados e domingos.

“Tenho tempo de pagar minhas contas e fazer compras em lugares que não abrem aos domingos. Acho bem mais tranquilo”, comenta ele, que sempre foi contratado em estabelecimentos comerciais com funcionamento aos finais de semana.

“Antes, já trabalhei em farmácia, em posto de gasolina e em supermercado. Acabei me especializando no ramo de comércio e acho difícil ter outra vida. Por enquanto, estou bem vivendo assim, até porque folgo em um domingo por mês, quando posso programar algo junto com a família ou os amigos. Acho que é o suficiente”, aponta.

 

 

 

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