Polícia

Criatividade é arma dos estelionatários para aplicar golpes

Neto del Hoyo Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Cada vez mais, estelionatários abusam da criatividade para aplicar golpes em clientes bancários. Embora ainda não exista levantamento real, o número de ocorrências de crimes de estelionato que envolvem os terminais de autoatendimento bancário, os chamados caixas eletrônicos, são cada vez mais evidentes e, conforme publicou o JC na edição de domingo, cada vez mais “sofisticados”.

No sábado, em uma agência bancária da rua Luiz Aleixo, uma mulher foi vítima de mais um golpe conhecido como “chupacabra”, uma forma de ter acesso aos dados pessoais como senhas e chaves de segurança possibilitando saques, transferências e compras.

Segundo consta o boletim de ocorrência, ela forneceu os próprios dados por telefone depois de ser enganada, provavelmente, por uma quadrilha.

Ela ainda relatou aos policiais que atenderam a ocorrência que após ter seu cartão magnético “engolido” pelo equipamento, foi orientada por um desconhecido que aguardava para usar o mesmo terminal a fazer contato com o banco através de um telefone instalado.

A vítima, porém, não percebeu que o aparelho era, na verdade, uma ferramenta instalada pela suposta quadrilha e passou todos seus dados - inclusive senha do cartão - para uma pessoa que estava do outro lado da linha. Ao retornar à agência, a vítima percebeu que o telefone havia sido arrancado do local.

“Essa foi mais uma das muitas estratégias utilizadas por eles (estelionatários) que, conforme surgem novas tecnologias, sempre buscam alternativas para driblar os sistemas de segurança”, afirma  Milton Bassoto Júnior, delegado titular do 3º DP de Polícia Civil de Bauru.

Ele lembra que, apesar das novas “artimanhas”, a maioria dos casos de estelionato registrados esse ano em Bauru, estão ligados à falsários que se passam por funcionários para obter informações dos clientes e de suas contas. “Apesar de não termos registrado um volume grande que seja relacionado em específico aos ‘chupacabras’, temos inúmeros registros de notificações de farsantes, ou que se passam por funcionários e prestam atendimento, seja por telefone ou até mesmo nos próprios caixas eletrônicos”, diz.

 

Alvo fácil

Os caixas eletrônicos foram implantados no início da década de 80, quando a técnica mais comum entre os criminosos era a utilização de instrumentos para arrancar o equipamento de sua base e arrastá-lo. Quando mecanismos foram criados para impedir essa ação, os bandidos passaram a explodir as máquinas com dinamite e bombas caseiras.

Além do “chupacabras”, outra armadilha muito utilizada pelos criminosos em todo o País foram os “pescadores”, onde os golpistas instalavam um dispositivo que impedia o envelope de depósito de chegar no local de destino, resgatando-os posteriormente. “Os maiores índices de casos desse tipo acontecem em caixas eletrônicos mais distantes de lugares movimentados, onde os criminosos podem ‘montar’ suas armadilhas com maior tranquilidade”.

 

Responsabilidade de quem?

De acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), existem no Brasil 179 mil terminais autoatendimento (ATMs), sendo que 26% (46,5 mil) estão instalados fora das agências bancárias, para facilitar e dar comodidade aos clientes que precisam fazer operações bancárias. “Os criminosos se beneficiam com a distância desses caixas eletrônicos do centro e acabam optando por horários mais calmos para agir”, afirma o delegado Milton Bassoto Júnior.

Em nota, a Febraban afirma que mantém “um grupo de trabalho que compõe a Comissão de Segurança Bancária, composta por executivos de bancos ligados a área de segurança e numerário, cujo objetivo é discutir e encontrar novas soluções para os caixas eletrônicos, procurando se antecipar a novas investidas da criminalidade”.

Mesmo assim, Bassoto acredita que a responsabilidade de fornecer segurança a seus clientes é dos próprios bancos. “As agências bancárias deveriam ser responsáveis pela segurança, uma vez que eles estão prestando atendimento, mesmo que não haja nenhum funcionário. Ao menos devem oferecer segurança”.

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