Nesta semana que passou, entre tantas notícias que foram veiculadas a respeito do nosso país, duas delas me chamaram a atenção. Uma delas refere-se à ampliação do bolsa-família para famílias com até cinco crianças (antes a benesse do governo era estendida a três filhos, somente). Além desta ampliação, necessário lembrar que este benefício sofreu reajuste em março de 2011 ? reajuste esse acima da inflação.
A outra notícia envolve a Greve dos Correios. Há uma grande mobilização da categoria em prol de reajustes salariais. Não se sabe qual o real número de servidores paralisados: os sindicatos acusam praticamente 70% da categoria; a direção dos Correios afirma que 32% dos seus trabalhadores aderiram a paralisação. Os veículos de comunicação já estão noticiando o atraso em correspondências diversas ? causando "transtorno" no recebimento de encomendas.
Quanto à ampliação do bolsa-família para até cinco filhos, vejo com bons olhos tal medida. Custo a acreditar que famílias pobres, aproveitando-se da ampliação do benefício, teriam mais filhos. O valor deste benefício ainda é baixo, ao compararmos com o custeio de um filho: alimentação, educação, saúde...
Em relação à greve: como sabemos, a direito à greve está assegurado na Constituição. Entretanto, a realidade traça um panorama bem diferente: de praxe, medidas coercitivas são tomadas periodicamente contra os trabalhadores.
Esta atitude diante das greves vem ocorrendo com freqüência, tanto no âmbito estadual quanto federal: quando alguma entidade representativa decide entrar em Greve por melhores condições de trabalho, reajustes salariais ou outra medida qualquer, são logo coagidos pelo Governo a retornarem imediatamente ao trabalho, sob pena de terem salários e/ou sanções impostas pelo empregador.
A opinião pública também coloca-se frontalmente contra qualquer greve, em razão do receio de ter os seus serviços prejudicados. No caso da recém-encerrada greve dos Correios, nota-se o atraso no envio das correspondências e culpa-se os servidores por tal fato (não o empregador), o que reforça a atitude coercitiva do empregador ante o funcionário.
Concluindo, creio que o governo (travestido deste reformismo social-democrata e excluindo a crítica, ao menos por ora, das discussões sobre se tal prática do governo é tão somente assistencialista) age de forma correta ao ampliar o benefício do bolsa família para cinco filhos.
No entanto, é discutível a forma pela qual este governo atuou em relação à greve, tendo vista que seus funcionários são aqueles que, cotidianamente, prestam serviço para essa sociedade, e que ? pagando impostos ? passam a custear esses benefícios assistenciais (justiça social) que o governo fornece para aqueles em condições menos desfavoráveis.
Bruno E. Sanches