Atenas - O acordo para a formação de um governo de unidade nacional na Grécia desmoronou ontem, horas depois de o primeiro-ministro, George Papandreou, dizer que estava entregando seu cargo a uma coalizão que não existe.
Em um dia em que foi bizarro e caótico, Papandreou desejou boa sorte a seu sucessor e dirigiu-se para encontrar o presidente grego - apenas para descobrir que não havia nenhum sucessor, devido a rixas nos partidos políticos.
Mais cedo, fontes de partido disseram que os membros dos partidos socialista e conservador haviam escolhido o presidente do Parlamento, o veterano socialista Filippos Petsalnikos, a menos que surgissem imprevistos de última hora.
Mas os imprevistos surgiram, com grandes seções do partido Pasok, de Papandreou, e da legenda Nova Democracia conservadora recusando-se a apoiar Petsalnikos após uma busca de três dias por alguém para liderar a coalizão até as eleições no início de fevereiro.
Gregos e credores internacionais do país assistiram com horror crescente por três dias como líderes partidários divergiram sobre uma lista cada vez menor de candidatos confiáveis para liderar a coalizão de unidade nacional, depois que o governo de Papandreou implodiu.
A Grécia vai ficar sem dinheiro no próximo mês, a menos que o próximo governo concorde com os financiamentos de emergência da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), credores remanescentes de Atenas, incluindo um pacote de socorro de 130 bilhões de euros.
Papademos de volta
Alguns parlamentares disseram que os partidos teriam de voltar a um plano anterior - aparentemente parado - de escolherem Lucas Papademos, um ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), para chefiar o novo governo como um tecnocrata e dar-lhe a credibilidade que os políticos perderam há muito tempo. “A única solução é Papademos. Se ele aceitar, hoje de manhã vamos ser capazes de formar um governo forte, que vai tirar o país da crise”, disse o deputado socialista Spyros Vougias.
Papandreou e o líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, começaram a conversar com o presidente grego, Karolos Papoulias, sobre uma nova coalizão para salvar a Grécia da falência. Mas antes que os líderes de partidos menores pudessem se juntar a eles para selar a coalizão, as negociações foram abruptamente interrompidas.
Crise na Itália
Roma - O presidente italiano, Giorgio Napolitano, antecipou ontem que as medidas exigidas à Itália pela União Europeia (UE) serão aprovadas “em poucos dias” e que, em seguida, o premiê Silvio Berlusconi deverá renunciar. Napolitano informou, em comunicado, que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, junto com a oposição e a maioria governamental, concordaram em submeter “em poucos dias” a votação da lei que contém as medidas exigidas pela União Europeia para garantir a estabilidade financeira e reduzir a enorme dívida pública do país, que atualmente corresponde a 120% do PIB (1,9 trilhão de euros).
Napolitano anunciou que não existe “incerteza” alguma sobre a renúncia de Berlusconi, anunciada na véspera, a qual será apresentada assim que as medidas forem aprovadas, o que deve acontecer antes de domingo, segundo fontes parlamentares. “Ante a pressão dos mercados financeiros sobre os títulos do Estado italiano, que chegou a níveis alarmantes, há que se dissipar todo equívoco ou incompreensão”, anunciou Napolitano, preocupado com a alta da nota de risco do país, que disparou ontem para 555 pontos, alcançando um nível recorde.
O presidente afirmou ainda que na Itália não haverá um “prolongado período” de inatividade governamental ou parlamentar, depois que a incerteza no mercado secundário levou os bônus italianos a dez anos a superar nesta quarta a barreira dos 7% de rentabilidade.