Regional

Adolescente é acusado de matar garota

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Piraju - Um adolescente de 17 anos está sendo acusado de matar afogada a garota Poliana Gomes Macedo, 12 anos, irmã de sua namorada. Segundo informações da Polícia Civil, o jovem, sua namorada de 14 anos, e a vítima estavam nadando em um trecho do rio Paranapanema chamado de lagoa por ser um local calmo e raso quando Poliana fez um comentário que o acusado não gostou.

O delegado Alberto Bueno Correa Filho, que comanda as investigações, explicou ao JC que o fato aconteceu na tarde de sábado. “As meninas moram com os avós, me parece, e teriam ido com o adolescente até esta lagoa para nadar. Acredito que não era de costume que elas dessem muita satisfação à família ou talvez fosse comum a ida à lagoa”, contou o delegado.

Em um determinado momento, quando estavam no local, o acusado de 17 anos teria abraçado a irmã de Poliana. Então a garota teria insinuado que estivessem mantendo relação sexual, o que o adolescente não teria gostado.

“Então o jovem a pegou pelo corpo e a afundou. A irmã da vítima, testemunha do caso, aparentemente está em estado de choque e não soube informar com precisão por quanto tempo ele manteve a vítima embaixo da água sem respirar. Quando ele a soltou, notou que o corpo não subiu, então teria entrado em desespero”, acrescentou Correa.

A água do local é escura, portanto a localização do corpo começou a ficar difícil. A irmã da vítima e seu namorado chegaram a pedir ajuda para populares que também nadavam no local, mas Poliana não foi encontrada.

“Como a garota não foi localizada, eles (o casal) combinaram de dizer que ela tinha sumido no momento em que eles foram a uma padaria. Assim eles fizeram. Chegaram à residência e perguntaram pela Poliana. Contaram então que ela tinha ido à padaria com eles e que decidiu ir embora antes e sozinha, por isso já deveria estar em casa”.

 

Denúncia

A família chegou a registrar um boletim de ocorrência (BO) de desaparecimento de pessoa. Depois desta atitude o casal tentou “emplacar” uma outra versão: que a jovem teria desaparecido quando foram à lagoa. Então o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas no local, já no sábado à noite, mas sem êxito.

O corpo de Poliana foi resgatado do fundo da lagoa, sem vida, na manhã de domingo. Como ainda não sabiam as causas da morte, o caso foi registrado como morte suspeita. Entretanto, na noite de domingo, a irmã da vítima prestou depoimento e contou como tudo aconteceu.

O delegado então pediu ao Ministério Público (MP) a apreensão do jovem de 17 anos, que teve a identidade preservada conforme as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele foi recolhido na manhã de segunda-feira e prestou depoimento. “Ele nega que tenha afogado a garota, fala que ela se afogou”, contou o delegado.

 

Segundos fatais

O médico pneumologista e coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Bauru (Samu), Carlos Eduardo Sacomandi, explica que poucos segundos são suficientes para um afogamento em entrevista recente ao JC. “Quando a pessoa aspira a água pelo pulmão, independente da idade ou tamanho, é comum ela se desesperar e, em cinco segundos, perder a consciência. É igual a um avião quando há despressurização. Em segundos, a consciência é perdida”, conta. Depois disso, o médico acrescentou que um minuto já é suficiente para que o afogamento seja completo. “Depois desse tempo, se não houver socorro imediato, é bem provável que a vítima morra”, conclui.

 

Investigações

O caso está sendo investigado como ato infracional de homicídio, devido aos depoimentos colhidos até o momento. Outras cinco testemunhas serão ouvidas até o final desta semana. “Este caso se trata de uma apuração de ato infracional. Espero encerrar a investigação até esta sexta-feira”, declarou o delegado Alberto Bueno Correa Filho.

O corpo de Poliana foi submetido a exame necroscópico. O laudo desta perícia deve ficar pronto em três dias. O jovem de 17 anos foi encaminhado à Cadeia Pública de Manduri, que possui espaço para adolescentes apreendidos e em seguida deverá ser transferido à Fundação Casa. Inicialmente, ele cumprirá 45 dias de apreensão, até segunda decisão da Vara da Infância e da Juventude.

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