Casas alagadas, ruas intransitáveis e muita lama. Este foi o cenário deixado pelas chuvas que castigaram diversos bairros de Bauru na noite de quinta-feira e madrugada de ontem. Em meio ao caos formado em vias de terra, casas e trechos de ruas e avenidas pavimentadas também tiveram danos com o temporal.
De acordo com a Defesa Civil de Bauru, bairros como Pousada Esperança, Parque Roosevelt, um trecho do Alto Paraíso, Parque Viaduto, Vila Giunta e Vila São Paulo foram os mais afetados com as chuvas. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, na quinta-feira foram registrados 36,1mm de chuva, enquanto ontem o acumulado era de 51,3mm até por volta de 21h.
"As ruas debaixo da Bernardino de Campos receberam toda a água e terra oriunda da parte alta do Parque Viaduto, Vila São João e do Alto Paraíso. As vias asfaltadas estão cheias de areia e as ruas de terra estão sofrendo com a erosão. O escoamento da água e da terra é um processo natural, mas na área urbana isso acaba se tornando um verdadeiro tormento", enfatiza Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru.
A terra oriunda de uma obra de escavação para colocação de tubos da rede de águas pluviais, justamente para conter enxurrada, foi levada pela chuva, transformou-se em barro e alagou residências da Vila Giunta no meio da madrugada de ontem.
À tarde, máquinas pesadas da Secretaria de Obras trabalhavam com moradores para limpar as moradias da quadra 6 da rua Shimpei Okiama, ponto mais prejudicado pela lama no bairro. O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, disse que as imediações das casas alagadas na Vila Giunta estão em obras para evitar os alagamentos que acontecem com frequência nessa época do ano.
"As galerias começaram a ser feitas. Mas o verão chegou um pouco mais cedo este ano e pegou a gente no meio do caminho (realização da obra)", argumenta. Ele acrescentou que esta região é toda impermeabilizada e a chuva forte vira enxurrada a cada verão.
Obras
Durante todo o dia de ontem, equipes da Secretaria de Obras trabalhavam para atender os pontos emergenciais na cidade. As equipes atuavam em frentes de recuperação para tentar minorar os estragos em ruas e locais inundados. As máquinas mobilizadas trabalhavam na esquina da Dionísio Momesso, quadra 3, com avenida Antonio Fortunato, quadra 5, na Pousada da Esperança. Também foi necessária a intervenção em um trecho da avenida Elias Miguel Maluf, próximo à rotatória.
Apesar do caos formado em alguns bairros, o coordenador da Defesa Civil em Bauru explica que, na medida do possível, a cidade suportou bem as chuvas. "Não tivemos desabrigados, desalojados, não perdemos grandes estruturas como pontes e estradas. O estrago poderia ter sido maior", aponta Brito.
De acordo com ele, nessa época do ano o solo de Bauru, que é arenoso, se torna propenso a abrigar novas crateras. Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade na edição de ontem, uma mulher teve a dianteira de seu carro "engolida" por um buraco que se abriu no asfalto, no bairro Nova Esperança.
Hoje, o secretário de Obras definiu um esquema de plantão para dar manutenção nas ruas. Areco salientou que a manutenção nas vias está na dependência de que pare de chover, porque há ruas, principalmente as de terra, que ficam inviáveis para recuperação.
Em decorrência de vários danos nas tubulações de águas, esgoto e galerias pluviais instaladas na Pousada Esperança I, os bairros Pousada da Esperança I, Vila São Paulo, Quinta da Bela Olinda e Jardim Ivone tiveram o abastecimento de água prejudicados. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) solicita a economia de água.
Previsão do tempo
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, a probabilidade de chuvas para hoje gira em torno de 80%. Já para amanhã, segunda e terça-feira o dia promete ser predominado por sol. Na quarta-feira o tempo muda e volta a ficar nublado, com possibilidade de pancadas de chuva para quinta-feira.
Para o mês de dezembro é esperada uma quantidade de 226 milímetros de chuva. O temporal da última quinta-feira registrou 22.4 milímetros, quase a metade do que era esperado para toda a semana. Até ontem, o acúmulo de chuvas do mês somavam 56.6 milímetros.
Enxurradas e ?rios de lama? em vias de asfalto
Na avenida Elias Miguel Maluf, uma escada hidráulica foi rompida com a erosão provocada pela intensidade das enxurradas. Essa escada hidráulica era responsável pela captação e distribuição da água no local. Com o rompimento do sistema de captação, o escoamento de água acabou correndo por fora da tubulação, aumentando a velocidade do processo de erosão do solo e resultando no solapamento da via.
"A pista ficou comprometida, qualquer chuva tornou-se perigosa para aquele trecho. O DER (Departamento de Estradas e Rodagem), responsável pela obra na via, prometeu soluções emergenciais, mas a população deve ficar atenta ao passar pelo local", alerta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Segundo ele, o problema começou na lateral da pista e agora se estende a todo o trecho.
Na primeira grande chuva do verão em dezembro, moradores perderam móveis detonados pela lama, que invadiu as casas em rua pavimentada. Água e muita lama se transformaram em enxurrada que invadiu residências da quadra 6 da rua Shimpei Okiama, na Vila Giunta.
Muitos não dormiram tirando lama, água e tentando salvar móveis e utensílios domésticos da sujeira que invadiu as moradias. O morador da residência 6-29, Weber Constante de Abreu, comenta que sua residência inundou às 2h30.
A casa em rua pavimentada encheu de água e lama e a família perdeu sofá, rack, guarda-roupa e colchão. Weber diz que terá que jogar tudo fora. Além disso, teria que fazer uma faxina completa na sua moradia até o final da tarde de ontem caso não quisesse perder mais uma noite de sono.
"A noite passada não consegui dormi porque a casa encheu de água e lama", lamenta. Ele salientou que na hora do aperto, por volta das 2h30, a família foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Ele reside no imóvel com a esposa Iorides Bragato e um primo.
No imóvel vizinho, 6-39, os moradores tiveram prejuízo menor, aparentemente. A moradora Márcia Regina Bertolucci contabilizou a perda de um colchão e, provavelmente, uma estante. Ela estava mais concentrada em como limpar a sujeira parada e que transformou o corredor de sua casa em um rio de lama.
À tarde, a máquina da Secretaria de Obras fez uma manobra para tentar escoar a água, contudo, os moradores teriam muito trabalho noite adentro para conseguir recuperar seus imóveis. "Minha vizinha (Iorides) perdeu tudo", preocupa-se.