Vi as cenas da ocupação e desocupação, li os jornais e, excessos à parte, de ambos os lados, continuo acreditando que a presença da polícia dentro de um câmpus universitário é algo que não combina. Não tem liga. Prefiro continuar pensando que, como ouvi por aí, se a Polícia Militar quer entrar na USP, precisa prestar vestibular. Jovens são assim mesmo e sempre o serão, livres e rebeldes, inconsequentes e enfrentando tudo e todos com uma lança afiada, a la a dos moinhos de Cervantes. Ninguém os mudará, todos os erros possíveis e imaginários, inclusive alguns impossíveis, impensáveis e improváveis, acontecem nesse período de nossas vidas.
Depois, passados os anos, deixamos de fazer tudo aquilo, não agimos mais daquela forma abrupta e tresloucada. Dizem que isso se chama amadurecimento, mas no meu caso e no de muitos, morremos de saudade de tudo o que foi feito. Nada como ser jovem e poder fazer tudo isso. Tem uma frase dita pelo marginal Lúcio Flávio apregoando que "bandido é bandido, polícia é polícia". A repito nesse momento com uma pequena alteração: "Polícia é polícia, estudante é estudante".
Henrique Perazzi de Aquino - professor e jornalista - www.mafuadohpa.blogspot.com