Tribuna do Leitor

INVASÃO DA USP


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No próximo dia 27, milhares de estudantes prestarão o vestibular da Fuvest, ávidos por conquistar uma vaga na USP, a universidade pública mais conceituada do país. Obter a aprovação não é tarefa fácil. Além da concorrência de dezenas ou, por vezes, até centenas de candidatos por vaga, quem almejar ver seu nome na lista de aprovados terá enfrentado, com toda certeza, muitas horas de estudo e noites de insônia, além da privação de muitos momentos em que deixou de sair com os amigos para dedicar-se ao estudo.

Daí conclui-se que os alunos aprovados poderão ser considerados como parte de uma elite de estudantes que conseguiu destacar-se da grande maioria, ao menos no campo acadêmico. Entretanto, o triste cenário da invasão da Reitoria da USP verificada nos últimos dias nos leva a refletir. Que universidade é essa? Que alunos são estes? A pauta de reivindicações dos alunos é lamentável. Esvai-se como um castelo de fumaça, na primeira tentativa de argumentação.

Que querem, afinal? Trocar a segurança que a presença da polícia no câmpus oferece ? que, diga-se de passagem, ainda assim, não é muita - pela total insegurança representada pela certeza que a inexistência de qualquer patrulhamento oferece. E não é tudo. Nossa elite estudantil repudia qualquer procedimento de averiguação policial, colocando-se acima da lei.

Quero crer que se trata de uma minoria dentre os estudantes. A ampla maioria está lá um busca de um ensino de primeiro mundo e não concorda com essa baderna. Mas, infelizmente, essa ação, reservada a uns poucos, acaba desestabilizando todo um sistema respeitável de ensino.

Esses estudantes que, aliás, são verdadeiros rebeldes sem causa, cometeram diversos crimes: dano ao patrimônio público, desobediência e desacato à autoridade. E, a prevalecer o princípio de que a lei se aplica a todos, sem distinção, deverão responder por eles. A nós, resta torcer para que a USP seja recolocada no seu lugar de destaque, não por uns poucos descontentes mas, como sempre, pela qualidade do ensino que oferece. Afinal, não há força maior do que o estudo para mudar a vida de uma pessoa ou de um país.

Heloisa de Mello Crivelli

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