É difícil relatar num pequeno texto a profissão do repórter cinematográfico, cujo trabalho vai do simples ao mais complexo, do belo ao triste, do divertido ao perigoso, colocando em risco a sua própria vida como aconteceu com o amigo da mesma profissão Gelson Domingues.
Estamos sempre na trincheira do jornalismo, é a linha de frente das emissoras de TV, o cinegrafísta não é amigo ou inimigo deste ou daquele envolvido no fato da reportagem, ele não é apenas um simples apertador de botão Rec, é um profissional que sai de casa para acompanhar uma equipe, registrando e documentando as imagens e os fatos do cotidiano, que torna em notícia e merece destaque nas emissoras de televisão, quando o repórter cinematográfico registra e documenta o fato com coragem, mostrando através das imagens as injustiças sociais, captando as cenas dos fatos com seu olhar, usando o olho mágico da câmera.
Ele é um herói, quando falha é apenas mais um no meio dos outros, nas tragédias, nos descasos do poder público, nos tiroteios nas favelas, rebeliões nos presídios, enfim, em tudo onde uma equipe de a televisão estiver presente o cinegrafísta é o alvo da linha de frente continua sendo a mira da bala perdida.
Quero compartilhar este texto com os amigos de profissão, não importa a emissora ,somos amigos da mesma luta, enfrentamos a mesma batalha, o câmera, como é conhecido, é o único responsável pelas imagens que vão para as grandes e pequenas redações. É, sem dúvida, o linha de frente das TVs é a mira e o alvo de uma bala perdida, é o cara que carrega no ombro uma câmera, é o personagem que passa despercebido, a presença do repórter cinematográfico é indispensável em todos os momentos na captação das imagens, não importa a situação, ele tem que está de bem com a vida, apesar dos problemas alheios à profissão, nas grandes reportagens televisivas, nas tragédias, nos momentos de clamor, o cinegrafista tem que se manter tranqüilo e calmo em todas as situações.
Quando a imprensa televisiva informa através do seu telejornal, as imagens são o retrato do cinegrafísta, que se esconde atrás da câmera e fica exposto ao perigo constante, é o responsável pelo registros dos acontecimentos, na vergonha do mensalão, no desrespeito ao dinheiro público e para concluir o meu pensamento, o repórter cinematográfico continua sendo o item imprescindível na televisão, porque uma boa reportagem de TV não depende necessariamente de um repórter, produtor, diretor ou do editor de imagens, um clip de imagens pode ser uma ótima aula de jornalismo, mas em televisão nada existe sem o registro do câmera, a televisão não existiria até o momento sem a modesta fita cheia de imagens e surpresas captadas por um cinegrafísta, ainda que árduas nas madrugadas, ao ponto de perder a vida, como aconteceu com o Gilson Domingues, da TV Bandeirantes, que agora é um herói morto, mas recompensado pelo amor ao trabalho realizado na linha de frente de uma emissora de televisão.
Em cada imagem uma lembrança diferente dos fatos e acontecimentos bons e ruins, no passado e do presente, que sempre permanece viva na lembrança de cada um de nós. Meu carinhoso abraço de fé e esperança a todos os amigos repórteres cinematográficos da televisão brasileira.
Lembre-se: uma emissora de televisão sempre foi, e sempre será, uma engrenagem perfeita e sincronizada com a presença do repórter cinematográfico. Nosso trabalho de equipe depende sempre um do outro.
Uma homenagem ao amigo Gilson Domingues, repórter cinematográfico da TV Bandeirante, um guerreiro tombado com a missão de trazer a informação dos fatos do dia a dia. Descanse em paz, amigo.
Jaime Prado - repórter cinematográfico