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Lupi diz que tentará mudar o enredo de queda de ministros

Folhapress
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Brasília - Um dia após dizer que não teve intenção de afrontar a presidente Dilma Rousseff ao falar que só deixava o cargo “a bala”, Carlos Lupi (Trabalho) foi além ontem: “Presidente Dilma, desculpe se fui agressivo, não foi a minha intenção: eu te amo”, declarou em evento na Câmara.

Lupi se retratou após ter sido “enquadrado” anteontem pelo Palácio do Planalto, que tinha avaliado a declaração dele sobre a permanência no cargo como uma ameaça. “São 200 (jornalistas) dando tiro na gente. Eu falei nesse sentido, nunca desafiando”, justificou.

Ele disse que se sente em um “tribunal de inquisição” e criticou a cobertura da imprensa nas crises que levaram à queda de cinco ministros desde o começo do ano. Lupi considerou “injusta” a demissão do ex-ministro do Esporte Orlando Silva. “Hoje, a bolsa de apostas da mídia é saber quem vai ser o próximo. Quando se começa atirar em um soldado do Exército é para atingir o general”, afirmou.

O ministro disse ainda que tentam derrubá-lo desde que assumiu o cargo, em 2007, mas disse não temer ser o próximo ministro a cair. “Eu vou mostrar para vocês que é possível a mídia errar, vou mostrar que, com o erro, vocês terão de dar espaço para defender a honra das pessoas.”

O ministro foi à Câmara após reportagem da “Veja” relatar que servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho cobrariam propinas para liberar recursos a ONGs.

Lupi foi ouvido em uma sessão esvaziada e, ao final, foi criticado até pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para quem o ministro deveria falar “um pouco menos”.

A despeito de outros ministros que deixaram os cargos no governo Dilma Rousseff acusados de irregularidades, Lupi afirmou ontem que irá surpreender e mudar a rotina de demissões de chefes de pastas.

Se cair, Lupi será o sexto ministro do governo a deixar a Esplanada por denúncias de supostas irregularidades. “Nem toda novela o próprio autor tem controle sobre o final. Nem todo enredo é igual do início ao fim”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados para esclarecer as denúncias que recaem sobre a pasta. “O roteiro não está pronto”, acrescentou.

Lupi recebeu manifestação de apoio do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que, no entanto, não perdeu a oportunidade de destacar a veia retórica do ministro. “O Lupi é ministro, ele não está ministro. E como ministro do governo, ele tem todo o nosso apoio”, disse Vaccarezza a jornalistas. “Acho, no entanto, que ele devia falar um pouco menos, mas ele mesmo disse isso.”

Na audiência na Câmara, Lupi rebateu as denúncias de corrupção contra o ministério que comanda e atacou o fato de as denúncias serem anônimas. O ministro, entretanto, admitiu que podem existir falhas e erros de administração na pasta.

Apesar da defesa de Lupi, a oposição criticou o ministro durante a audiência, e o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), chegou a pedir a saída do ministro do cargo.

 

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