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Unesp utiliza rondas diárias da PM

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Neide Carlos

Estudantes da Unesp de Bauru se dividem sobre os protestos na USP-São Paulo

Na última terça-feira, no momento em que a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) cumpria determinação judicial que pedia a reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), ocupada por estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), desde o dia 2 de novembro, deu-se início a uma nova discussão que, mais do que a forma de ação dos militares e o posicionamento dos estudantes, traz à reflexão a questão da segurança nos câmpus, em específico nas universidades públicas.

A reportagem do JC visitou as duas ‘cidades universitárias’ das representantes estaduais em Bauru - USP e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) - e pôde constatar que, na maior delas, a da Unesp, já existe inclusive um acordo com a PM local que contribui com a segurança da região com rondas diárias.

De acordo com o presidente do câmpus de Bauru, Jair Manfrinato, por quatro vezes ao dia os policiais militares passam pela universidade. Segundo ele, a solicitação foi feita após a tentativa de assalto a caixas eletrônicos instalados na Unesp há cerca de quatro meses. “Me pergunto: se todo mundo pode entrar no câmpus, porque a PM não pode? Eu brinco com os alunos que se alguém for falar com os bandidos para eles não entrarem no câmpus, eu me comprometo a falar com a PM para eles também não entrarem”, pontua.

A questão de segurança também motivou debates no maior câmpus de universidade pública bauruense. Ontem, em assembleia do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia (FEB), este foi um dos assuntos abordados.

Isolada do centro da cidade e cercada por lugares ermos, as rondas da PM ainda não são suficientes para os alunos que, mais do que isso, exigem providências internas para garantir a segurança, principalmente em relação à falta de iluminação adequada na região. “Particularmente sou a favor da presença da Polícia Militar diretamente no câmpus da Unesp de Bauru. Isso porque a universidade não nos oferece segurança. Os funcionários contratados estão aqui para assegurar o patrimônio, e não os estudantes. A Unesp de Bauru é cercada por mata, se torna um lugar perigoso. É  preciso mais iluminação, corte de árvores e mais funcionários contratados”, afirma Matheus Daniel de Souza Luciano, 21 anos, estudante do segundo ano de engenharia mecânica.

De acordo com Jair Manfrinato, o câmpus de Bauru já conquistou recursos para as melhorias solicitadas pelos estudantes.

“Já fizemos a poda das árvores, mas o nosso grande problema é a questão da iluminação. A primeira rede instalada não suporta o crescimento do câmpus. A reitoria já tomou conhecimento e conseguimos verba de aproximadamente R$ 2 milhões para fazer isso. O edital sai no dia 19 de novembro para a recolocação elétrica que deve ocorrer até o final de abril. O que acontece hoje é que, se você troca uma lâmpada, ela vai estourar. É jogar dinheiro público fora. Para quem esperou 3 anos, 4 meses não são nada. Garanto que vamos colocar mais lâmpadas e mais postes”.

 

Projeto

Manfrinato confirma que o problema de segurança é um fator preocupante para a gestão da universidade, mas se defende e diz que já planeja alternativas que devem ser executadas no próximo ano.

“Existe um projeto de segurança da Unesp que já teve aberto seu edital. Agora aguardamos o prazo de recursos para a compra de câmeras e softwares que estarão ligados diretamente à PM para fazer segurança geral. Acreditamos que deve estar ‘ok’ em 2012, primeiro nas portarias e depois em todo câmpus. Nossa intenção é conseguir cobrir todo o câmpus em três ou quatro anos. Esse sistema vai monitorar tanto alunos quanto o patrimônio”, diz.

 

USP/Bauru

Em comunicado oficial o chefe da Seção de Fiscalização e Segurança da Coordenadoria do Câmpus de Bauru (CCB) da USP, Wellington Coelho de Aquino afirmou que o câmpus de Bauru “há mais de vinte anos é representado junto ao Conselho Comunitário de Segurança, que congrega as regiões Centro/Sul da cidade de Bauru”. Segundo ele, esta representação facilita o relacionamento da USP com a PM, mesmo não existindo um convênio formal estabelecido entre as partes.

“O câmpus de Bauru da USP localiza-se numa região de intenso movimento comercial e bancário e conta com expressivo fluxo de usuários internos e externos, tendo em vista os serviços prestados nas áreas de saúde pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho). Em vista disso, a Polícia Militar desempenha um policiamento comunitário em áreas comuns e do entorno do câmpus, atendendo com rapidez todas as solicitações feitas pela Coordenadoria do Câmpus de Bauru (CCB)”, afirma.

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