O assunto não poderia ser outro. A invasão da reitoria da USP foi assunto durante toda a semana. Inicialmente, note-se que os próximos dizeres são reflexões de uma mente fisicamente distante da realidade vivida na Capital do estado, razão pela qual desde já peço vênia para arriscar meus palpites sem, contudo, ter exatidão nas informações. Lanço minhas humildes palavras como cidadão inconformado.
Ao que parece, todo o alvoroço ocorrido teve como fonte o convênio estabelecido entre a USP e a Polícia Militar, visando coibir os crimes que têm ocorrido na Cidade Universitária. De um lado, a alta cúpula da universidade pretendia por fim à sensação de insegurança que paira no câmpus. De outro, estudantes que se sentiram prejudicados com o convênio, uma vez que a presença dos policiais impediria o consumo de maconha. Após deliberação dos próprios discentes, um grupo dissidente resolveu invadir a reitoria da USP. Ora, os argumentos que norteiam as reivindicações dos universitários apresentam graves incongruências, de modo que a atitude tomada não encontra amparo na razoabilidade.
De início, não é possível olvidar que as universidades ainda estão sujeitas às atitudes opressivas de um grupo militarizado, como ocorria nos anos de chumbo. Em outras palavras, o país sofreu profundas alterações políticas após a redemocratização, fato esse que consolidou uma Constituição forte o suficiente para solidificar o Estado Democrático de Direito. Nesse compasso, a presença da Polícia Militar no câmpus não encontra paralelo no que ocorria na ditadura militar. O medo já passou.
Ademais, não encontra respaldo social, tampouco na legislação, a intenção de consumo de entorpecentes no meio universitário. O ambiente universitário não pode tolerar ações criminosas como a do consumo de drogas dentro de suas imediações. Nesse sentido, o convênio estabelecido pela USP não pode limitar-se no combate às infrações contra o patrimônio, cabendo-lhe também assegurar o cumprimento da lei, não tolerando o consumo de maconha no campus.
Não se pretende excluir da pauta da sociedade a discussão acerca da legalização do consumo de drogas no país, nem muito menos, a importância das manifestações estudantis. Ocorre, no entanto, que o legítimo direito de protestar do Poder Público não autoriza a invasão de prédios públicos, tampouco os danos que ali foram constatados. Vale ressalvar que eventuais excessos cometidos pela Polícia na reintegração de posse devem ser apurados e, caso realmente tenham acontecido, deve-se identificar os militares e sujeita-los às penalidades penais e administrativas. Por fim, resta à sociedade uma triste sensação de que a educação superior precisa encontrar causas relevantes para discutir. Nossos jovens pararam no tempo, atuando como marionetes de poucos líderes apaixonados pelo romantismo da ditadura.
O autor, Renan dos Reis M. Chaves, tem 22 anos e é estudante universitário