Damasco - Depois de passar cinco dias preso em Damasco, o jornalista brasileiro Germano Assad, 26 anos, foi libertado na noite de terça-feira e embarcou anteontem de volta para o Brasil.
Ele havia chegado à Síria há alguns meses, no início da revolta popular contra o regime do ditador Bashar Assad, com um visto de estudante para fazer um curso de árabe. Durante sua permanência na Síria, Germano colaborou com a “Folha de S.Paulo”, enviando reportagens sem se identificar, por razões de segurança.
Sua libertação ocorreu horas depois de o embaixador do Brasil em Damasco, Edgard Casciano, interceder a seu favor com o Ministério das Relações Exteriores. As autoridades sírias informaram ao embaixador brasileiro que Germano foi detido por estar trabalhando como jornalista sem autorização.
Germano contou que foi arrancado de um táxi por agentes de segurança perto do apartamento em que morava, na cidade antiga de Damasco, quando se preparava para deixar o país. Passou cinco dias numa pequena solitária em que mal podia se levantar, segundo ele, e foi submetido a longos interrogatórios, mas não sofreu violência física.
A impressão de Germano é que os investigadores tinham um informante muito próximo dele, dada a quantidade de informações detalhadas que possuíam sobre seu cotidiano em Damasco.
A ditadura síria apertou ainda mais o cerco ao trabalho de jornalistas desde o início da revolta, em março, e limitou a números mínimos a entrada da imprensa estrangeira no país.