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No dia 11/11/11, grupo de bauruenses busca ?portal?

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Flávio Tavares/Hoje em Dia/AE

Bebê 11/11 - Rosilene Juliane Teixeira com o filho Heitor, que nasceu às 11 horas e 11 minutos de ontem (11/11/2011), na Maternidade Otaviano Neves, em Belo Horizonte.

Para a maioria dos bauruenses, o dia 11 de novembro de 2011 (11/11/11) passou desapercebido. A reportagem do JC foi às ruas - inclusive às 11h11 - e pôde constatar que a rotina fez com que a coincidência nos números que marcaram o calendário não fosse notada pela maioria da população.

Apesar disso, enquanto muitos nem sequer perceberam a curiosa combinação, outros realizaram atividades relacionadas às suas crenças. Foi o que aconteceu com um grupo de 7 pessoas que passou a madrugada de quinta para sexta-feira em uma chácara em Piraju (145 quilômetros de Bauru) à espera do “portal” que se abriria.

“Em contato com a natureza, fizemos várias celebrações, como a dança circular energética e o próprio yoga, visando o crescimento e busca interior”, comenta Roseli Maria Mussel Gaspar, 45 anos, mais de 20 deles dedicados à arte e ciência da ativação, do direcionamento e da aplicação da Energia Vital Universal para promover o completo equilíbrio energético. Mussel é mestra em Reiki, uma espécie de terapia alternativa e complementar aos tratamentos convencionais baseada na canalização da energia universal através da imposição de mãos.

Segundo ela, a abertura do portal, na verdade, ocorreu às 9h11 de ontem. “Temos que nos basear pelo horário do Meridiano de Greenwich. Esse exato momento está intimamente relacionado à transição interplanetária, pois a Terra está tendo seu nível elevado. Pessoas do mundo todo se uniram nesse momento para orar e receber bençãos”, diz.

 

Coincidência ou sorte?

Nas maternidades locais, pelo que se tem em registro, nenhuma criança nasceu às 11h11, como aconteceu com o pequeno Max Benjamin Richards que, exatamente às 11 horas e 11 minutos de ontem, nasceu no Hospital Distrital de Hawkesbury, em Windsor, New South Wales, noroeste de Sidney, na Austrália. O fato foi registrado pela mídia internacional, já que para muitos ele pode ser considerado como um afortunado. Porém, segundo o hospital, o nascimento nesta hora também não passou de uma coincidência, já que o parto não era esperado senão para meia hora mais tarde.

 

Maioria ‘não percebe’

Mas, na cidade, nem mesmo quem tem a coincidência bem próxima, batendo - literalmente - à porta, parece ter se importado. Morador há 16 anos da rua Onze, no Ferradura Mirim, o jovem José de Oliveira Junior, de 18 anos, teve que parar para pensar no que fazia às 11h11 de ontem. “Normalmente estaria no computador fazendo qualquer coisa, mas acho que hoje (ontem) nesse horário estava tocando violão”.

Assim como outras ruas da região do Ferradura, a rua Onze é batizada apenas com uma numeração. À exemplo, existe a rua Quatro, Doze, e assim por diante. “Quando nos mudamos para cá eu ainda era bem pequeno. Mas sei que não existia rua e meu pai (falecido no ano passado), junto com outros vizinhos, acabou abrindo a rua e montando as primeiras casas. Depois colocaram energia e água”, conta Junior que, curiosamente, também faz aniversário no dia 11 de janeiro, primeiro mês do ano.

O que para a numerologia pode significar muito mais do que mera coincidência, não faz diferença para o jovem. “Não acredito muito nisso não. Acho bacana a combinação, é difícil acontecer. Mas em casa somos adventistas e guardamos o sábado, então no ano de 2007, quando tivemos o 7 do 7 (julho) foi mais interessante”.

 

Relógios públicos estão em extinção na cidade

Ao conversar com a população durante o dia de ontem questionando sobre a curiosa data no calendário e também a combinação registrada às 11h11, a reportagem do JC se deparou com a falta de relógios públicos no município.

De acordo com Álvaro José de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, apenas o relógio da Igreja Matriz está em funcionamento, porém, está com horário errado. “Há um bom tempo o relógio da Estação Ferroviária era o que regulava até mesmo os horários divulgados pelas rádios locais. Existia também um outro na Casa Lusitana que também não funciona mais. Hoje existem outros em algumas igrejas e de alguns estabelecimentos privados. Porém, relógio público mesmo só esse da Matriz. Foi-se o tempo em que as badaladas dos sinos ditavam o horário”, diz.

Para o coordenador, a extinção dos relógios públicos faz parte de um processo natural. “Primeiro vieram os relógios de pulso, depois os celulares. Mas acredito que os relógios são monumentos que devem ser preservados. São eles que ditam, de certa forma, o andamento da cidade. Temos como exemplo o Big Ben (na Inglaterra). Ele está lá, pontualmente britânico. O que acontece é que o poder público não se preocupa com isso”, diz.

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