Um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que os funcionários de instituições financeiras são os que recebem os melhores salários na região de Bauru. Na média, este grupo - formado essencialmente por bancários - é remunerado com R$ 4.160,61 mensais, seguidos dos servidores dos Correios, que ganham R$ 3.031,14, e dos profissionais da educação, que possuem rendimento médio de R$ 2.401,83.
De acordo com Paulo Tonon, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o resultado - referente a dados de 2010 - já era esperado, uma vez que o setor financeiro continua, disparado, figurando entre os que obtêm os melhores faturamentos anuais. “Nos primeiros nove meses de 2011, o lucro dos cinco maiores bancos do País ultrapassou a marca de R$ 40 bilhões. É natural que eles paguem melhor seus trabalhadores”, pontua.
Exatamente por buscarem esta alta lucratividade, o economista Reinaldo Cafeo avalia que a disputa entre as instituições pelos melhores profissionais acaba por forçar a elevação dos salários de uma maneira geral. “E, por conta desta rotatividade em cargos mais elevados, a possibilidade dos demais funcionários crescerem dentro da empresa também é muito grande”, observa.
Como justificativa para o resultado da pesquisa, Cafeo aponta ainda as lutas sindicais dos bancários. Na avaliação de Tonon, os salários são mais altos também porque a maioria dos funcionários é contratada como gerente, cargo em que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite ultrapassar a jornada de seis horas diárias.
O diretor, entretanto, salienta que o piso salarial dos bancários, por mais que seja superior à média dos demais trabalhadores, continua menor do que o de seus colegas em outros países, até mesmo na América do Sul.
Planos de carreira
Já o setor educacional, que aparece na terceira posição da lista, é impulsionado principalmente pelo fato de Bauru possuir mais de dez centros de ensino superior, entre universidades e faculdades que, de maneira geral, pagam melhor seus funcionários. “Também temos observado uma disputa para contratação de professores entre as escolas particulares de Ensino Médio. Elas buscam bons resultados no Enem e nos vestibulares para se consolidarem no mercado e acabam pagando melhor”.
Nas universidades mais tradicionais da cidade, esta condição se repete. Para atrair docentes qualificados e atender as exigências do Ministério da Educação, as instituições são obrigadas a estabelecer planos de carreira com oferta de bons salários.
Mas, enquanto alguns professores doutores recebem acima de R$ 10 mil, a maioria dos educadores da rede pública do Ensino Fundamental ao Médio continua ganhando quase dez vezes menos. “Mesmo na rede privada, há professores de educação infantil que ganham R$ 800,00 mensais. O problema é que o rendimento dos trabalhadores da cidade, no geral, é baixo”, aponta o presidente na Sindicato dos Professores (Sinpro) de Bauru, Sebastião Clementino da Silva, o Macalé.
De fato, um salário médio de R$ 2,4 mil ser o terceiro maior de uma lista de 30 setores denota que os rendimentos dos trabalhadores da região estão abaixo do ideal, conforme avaliação da gerente de recursos humanos Giuliana Moscatelli Fabiano. “Perto de outras cidades polo do Interior ou até mesmo em algumas cidades vizinhas, como Pederneiras, os salários de Bauru não são altos, até porque as contratações na cidade são fortemente apoiadas no comércio, que não paga tão bem, por exemplo, como a indústria”, aponta.
Correios
A segunda melhor remuneração é oferecida pelos Correios, que não forneceu, até o fechamento desta edição, as informações sobre salários e contratação de funcionários solicitadas pelo JC. Por telefone, a reportagem também tentou contatar o presidente e vice-presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), mas nenhum deles atendeu as ligações.
Em setembro e outubro deste ano, os servidores dos Correios realizaram greve de 21 dias por melhores salários. Com piso salarial de R$ 807,00 para jornada de oito horas, os empregados conseguiram um aumento salarial real de R$ 80,00 e reposição da inflação de 6,87%.
Comércio emprega mais
Como era de se esperar, o comércio de Bauru continua empregando a esmagadora maioria dos trabalhadores. Ao todo, o setor soma 22,5 mil funcionários, seguido pelo segmento de serviços e administração pública, com 10.504 empregados. Em terceiro lugar, aparece o ramo de obras de infraestrutura, com 9.268 contratados e, depois, serviços de escritório (8.565 funcionários) e educação (7.642).
Estudo
O levantamento sobre o rendimento médio dos trabalhadores de Bauru integra o Sistema de Informações do Programa Capital Humano da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que utiliza informações do Ministério do Trabalho e Emprego para alimentar seu banco de dados.
O programa foi criado pelo Departamento de Ação Regional (Depar) da Fiesp e se baseia em divulgações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).