Regional

Financiamentos de imóveis explodem em Lençóis Pta.

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Um levantamento da prefeitura de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) revela que em 2004 foram financiados 57 imóveis na cidade. Seis anos depois, o número saltou para 466. Esse é um dos dados que mostra o boom imobiliário na cidade.

A administração local tem um estudo, faz o acompanhamento ano a ano das transferências de imóveis. Tudo o que passa pela prefeitura através de contratos ou escritura pública é computado, explica o diretor de Finanças, Júlio Antonio Gonçalves.

“Evidentemente que essas transferências é aquilo que passou pela prefeitura. Pode ser que tenha tido alguma outra, os contratos particulares e a pessoa pode não ter registrado isso. O estudo mostra uma evolução, uma ampliação e alguns motivos que geraram isso. Os novos loteamentos que surgiram na cidade de 2004 até hoje.”

Segundo ele, o município percebeu que houve um crescimento de imóveis financiados, para todas as classes sociais. “O que a gente vê é a transferência de imóveis de compra e venda. A partir de 2008 a inserção de novos loteamentos no município, isso ampliou a oferta imobiliária.”

Boa parte dos imóveis são frutos de novos loteamentos. “Temos aqui um levantamento dos últimos loteamentos. De 2004 até 2010, tivemos 10 loteamentos. A maioria conjuntos habitacionais. Mais recentemente há casos do Programa “Minha Casa, Minha Vida” voltados à classe trabalhadora. Imóveis com padrões de 200 metros quadrados de terreno”, explica Eduardo L.F. Martins membro da diretora de obras e infraestrutura da prefeitura.

Os novos loteamentos totalizam cerca de 3.400 lotes a mais no mercado. “A maioria já tem edificações porque o estudo começou em 2004. Nesse período muitas residências já foram construídas,” enfatiza Martins.

Na cidade não há loteamento fechado voltado para o alto padrão, mas o crescimento vertical é uma realidade. “Estamos com alguns edifícios sendo construídos. Três que são de padrão mais alto. Tem ainda alguns loteamentos em estudos no departamento de engenharia. Há dois empreendimentos em fase de aprovação para implantação de conjuntos habitacionais pela CDHU, destinados a pessoas de baixa renda e/ou residentes em área de risco.”

Martins frisa que vários empreendedores entraram com requerimentos solicitando diretrizes para a implantação de loteamentos em Lençóis Paulista. “São 5 de alto padrão, três destinados, parcialmente, ao programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ e 4 de padrão médio.”

Ele ressalta que há outros projetos a serem analisados pela prefeitura. “Tem um com 292 sendo 271 para atender ‘Minha Casa, Minha Vida’, os outros 21 destinado ao comercial. Tem outro que deve somar uns 900 lotes.”

 

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Pederneiras tem 15 loteamentos para sair do papel

 

Há mais ou menos três anos a cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) percebeu o aquecimento imobiliário. Mas, neste último é que houve um boom no setor. Segundo a prefeitura, são 15 loteamentos em andamento, voltados a todos os níveis sociais. Um deles é voltado para a classe mais abastada.

Martha Ruiz Furlane Camila que responde pelo setor na administração local diz que há empreendimentos para atender todas as necessidades. “Temos o econômico com casinhas, tipo núcleo. Temos o médio e o alto padrão. Está para ser aprovado um loteamento fechado. Há outro, do mesmo padrão que está iniciando os trâmites. São loteamentos fechados na área urbana para casas de luxo. Os lotes de mil metros ou mais.”

De acordo com a funcionária, a valorização dos imóveis também é uma realidade em Pederneiras. “Hoje, um lote padrão custa em torno de R$ 50 mil. Pela metade do preço, só atravessando a estrada. Os lotes de luxo custam cerca de R$ 150.”

O crescimento horizontal no município atende as necessidades da população, conclui Camila. “Há um edifício terminando e não tem nada em andamento. O crescimento vertical não pegou em Pederneiras. O pessoal prefere imóveis horizontais.” 

O déficit habitacional na cidade gira em torno de duas mil moradias. “Fizemos um levantamento que há necessidade desse número de moradias para o plano habitação de interesse social. Deve ter o dobro de inscritos para esse tipo de imóvel. Temos cinco ou seis loteamentos da ‘Minha Casa, Minha Vida’ em andamento.”

 

 Loteador diz que Pederneiras vive um dos grandes momentos do setor

 

O mercado imobiliário está aquecido e Pederneiras é uma das melhores cidades da região. Tem demanda e comprador com potencial para pagar financiamento. Essa é a opinião do loteador Laerte Parra.

“Eu tenho uma incorporadora, vendemos lotes. Fazemos isso através da ‘Minha Casa, Minha Vida’. Acabamos de fazer um empreendimento com 174 casas que estão quase prontas. Todas vendidas. Estamos fazendo mais um, com mais 100 casas e um terceiro de 140 casas. Sem contar os loteamentos onde estão sendo implantadas a infraestrutura para a venda de lotes. Na minha opinião o mercado está aquecido.” 

Para confirmar a tese, Parra diz que está com um loteamento menor e já computa mais de mil inscrições. “Voltado para a classe mais popular que tem uma procura muito grande. Tem um condomínio de luxo para ser implantado na cidade.”

 

 Corretor em Pederneiras diz que aquecimento é “fantasioso”

O corretor de imóveis e advogado Lauro de Góes Maciel tem opinião contrária a respeito do boom imobiliário na cidade de Pederneiras. Para ele é fantasioso, folclore falar que isso ocorre na cidade. “Aqui a venda e compra de imóvel estão estagnados. Está tudo muito caro, ninguém vende nada, ninguém compra nada. Estava conversando com outros corretores que têm o mesmo entendimento que o meu, inclusive o ano que vem vai ser pior ainda.”

Para justificar a tese, o corretor diz que este ano vendeu pouco. “Eu vendi umas três casas e terrenos foi pouca coisa. Aqui está tudo muito caro em Pederneiras. O mercado de aluguel funciona, mas de compra e venda está parado.”

Para o corretor, a população não tem dinheiro e não consegue financiar imóvel até R$ 85 mil e R$ 90 mil que é o projeto “Minha Casa, Minha Vida”. “Nessa faixa de valor não tem imóvel para comprar e que atenda as regras das exigidas para o financiamento. Está parado.”

Segundo ele, estão para serem lançados dois empreendimentos na cidade, o Jardim Castelo e Jardim Pacaembu. “Tomara que mexa com o mercado. Que aqueça o mercado. Que traga mais oferta para o mercado e o preço esteja mais real.”

Ele lembra que em uma área nobre da cidade, Jardim Alto da Alvorada, há 10 anos, na época do seu lançamento, um lote custava de R$ 13 mil a R$15 mil. “Agora é vendido por R$ 85 mil a R$ 100 mil. Mais que quadruplicou, ninguém compra. O que tem vendido na cidade são terrenos que dê para comprar e construir uma casa até R$ 90 mil. O pessoal daqui não tem dinheiro, tem crédito. O que eles conseguem financiar, até 90 mil não existem imóveis disponíveis. É casa de núcleo que não dá financiamento por causa da documentação.” 

 

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