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Ocupado desde maio, Morro de São Carlos tem tiroteio na madrugada


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Rio - Enquanto todas as atenções da polícia estão voltadas à Rocinha, no Morro de São Carlos, no centro do Rio, que recebeu sua Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em maio, um tiroteio terminou com duas pessoas feridas, ontem de madrugada. Moradores críticos da ocupação acusam PMs de ter iniciado o conflito.

Antes da UPP, a favela era dominada por traficantes da Amigo dos Amigos, a mesma facção criminosa de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, da Rocinha, preso na quarta-feira quando tentava deixar a comunidade escondido no porta-malas de um carro. O chefe do bando do São Carlos era, segundo a Polícia, Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, preso pouco antes de Nem, quando também tentava deixar a Rocinha. Desde a ocupação, já houve outros sinais de resistência por parte dos bandidos, como trocas de tiros e ataques aos policiais.

O incidente foi no alto da favela, na Travessa da Capela, num bar tradicional no local. A PM alega que os policiais intervieram numa troca de tiros entre bandidos, foram alvejados e revidaram; os moradores, porém, afirmam que os PMs atiraram primeiro. Eles acusaram a tropa de ser truculenta e desrespeitosa.

Os feridos foram o gerente do bar, Wallace Gonçalves Silva, e o mototaxista Eduardo de Souza. Ambos têm 19 anos e estão internados, mas não correm risco de vida. A PM informou que eles foram feridos por balas de pistola, arma não utilizada pelos policiais.

A UPP tem 241 policiais e abrange também as comunidades do Querosene, Mineira e Zinco, que, juntas, têm cerca de 17 mil moradores. Foi a 17.ª inaugurada no Estado do Rio. No fim de outubro, a Secretaria de Segurança informou que o efetivo poderia ser aumentado, já que os traficantes da região têm se mostrado os mais resistentes à presença da polícia.

O comando da UPP havia sido trocado em setembro, quando foi descoberto um esquema de pagamento de propina pelos bandidos para que eles pudessem continuar vendendo drogas. Um grupo de policiais receberia R$ 50 mil mensais. A denúncia partira de moradores.

 

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