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Ocupação da favela da Rocinha vai abalar maior empresa do crime do Rio


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Rio - A favela da Rocinha deve amanhecer isolada pela megaoperação do governo do Estado do Rio para expulsar o tráfico de drogas. Do espaço aéreo ao tráfego de carros, tudo estará fechado para a ocupação, prevista para hoje. O trânsito nas principais vias de acesso será interrompido ainda de madrugada.

Os ônibus que passam por dentro e nos arredores foram orientados a desviar o percurso, e os moradores que quiserem usar o transporte coletivo terão que caminhar até pontos temporários, estabelecidos depois da área bloqueada. O espaço aéreo sobre a comunidade estará fechado desde às 0h e até os voos de asa delta que partem da Pedra Bonita, vizinha à comunidade, foram suspensos. Apenas helicópteros da Polícia Militar e da Polícia Civil poderão sobrevoar o local.

A operação conta ainda com bloqueios da Polícia Rodoviária Federal nas principais saídas do Rio e um hospital de campanha, com seis leitos, montado pelo Corpo de Bombeiros na quadra da escola de samba da comunidade.

Além de policiais do Batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque, a operação, batizada de “Choque de Paz”, tem o apoio dos agentes das polícias Civil, Federal e Federal Rodoviária. O número de policiais que participam da operação não foi divulgado.

A ocupação e pacificação da favela de São Conrado, na zona sul carioca, hoje, vai abalar uma verdadeira empresa do crime organizado. Com negócios diversificados, bons salários e faturamento semanal de R$ 2 milhões, a “Rocinha S/A” já era uma das bocas de fumo mais rentáveis do Rio desde a década de 1980. Mas, a partir de 2007, viu suas transações se multiplicarem.

A virada começou um ano antes, bem longe dali, em algum barraco na Favela das Malvinas, em Macaé, no litoral norte do Rio, onde Rogério Mosqueira Rios, o Roupinol, aprendeu a refinar cocaína. Só em 2006 ele faturou R$ 1 milhão. Em 2007, após ter a refinaria estourada, refugiou-se no Morro do São Carlos, na zona norte carioca, dominada pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), a mesma que controlava a Rocinha.

No São Carlos, a técnica de Roupinol encantou os chefões, que logo o enviaram para a Rocinha. Sua missão era turbinar os ganhos na “joia da coroa” do tráfico. Em agosto de 2007, a polícia estourou a primeira refinaria na Rocinha e prendeu Leonardo Assunção,  27 anos, o Português ou Químico, um dos responsáveis pela produção. Era tarde. Naquele momento, a Rocinha já contava no mínimo com três outras refinarias em funcionamento nas localidades da Cachopa, do Terreirão e na rua 2, conforme denúncias feitas pelo Ministério Público em novembro do ano passado.

Com o faturamento da Rocinha, o chefe do tráfico local, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, dispunha de dinheiro para resolver o aspecto mais complexo do refino: a compra de produtos controlados, como ácido sulfúrico, ácido clorídrico, éter, álcool PA e acetona. Entre 2007 e 2009, Nem gastava quase R$ 10 mil cada vez que precisava adquirir os produtos controlados. Ele pagava R$ 45,00 para 213 moradores, arregimentados nos locais mais pobres da favela, comprarem 2 litros de produtos controlados cada, de acordo com o MP.

O pagamento de bons salários, aliás, é característica do tráfico da Rocinha. Enquanto em outras favelas os jovens ganham no máximo R$ 50,00 por semana para embalar maconha e cocaína, a Rocinha paga R$ 200,00 aos “endoladores”, geralmente homens desempregados arregimentados por Renato Sabino Gonçalves, o Pará, conforme consta em inquérito da 15.ª DP (Gávea). Na refinaria, os salários são mais altos e chegavam a R$ 1.500,00 por semana para as 15 pessoas, cuja produção por quinzena poderia render 250 quilos de cocaína.

O superintendente da Polícia Federal, Valmir Lemos, e o comandante do Estado Maior da PM do Rio, coronel Alberto Pinheiro Neto, afirmam que a ocupação só foi possível após a quebra da conexão entre Rocinha e Macaé. Na ocasião, três homens foram mortos na Favela das Malvinas, no dia do aniversário de Sandro Luís de Paula Amorim, o Foca ou Peixe, que foi preso nesta semana quando deixava a Rocinha sob escolta de policiais corruptos. Ele era o sucessor de Roupinol, morto no ano passado.

 

Além da droga, dentro do território inexpugnável para a polícia, o tráfico cobrava pedágio de dois prostíbulos onde policiais já receberam denúncia de exploração sexual de adolescentes, uma clínica de aborto, agências de turismo, além dos inúmeros mototáxis e vans autorizados a circular pela favela.

Recentemente, o tráfico da Rocinha inovou novamente e passou a arregimentar jovens para vender ecstasy em festas rave e boates da cidade. Um desses jovens, preso em julho deste ano com 1.250 comprimidos de ecstasy, recebia as encomendas pelo site de relacionamentos Facebook. Ele nega as acusações e responde ao processo em liberdade. A página eletrônica foi retirada do ar pelo site.

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