Bairros

Só "Vai quem qué"

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

O Natal e o Ano Novo estão chegando e, nesta época, muitas crianças começam a matutar sobre qual presente pedirão ao Papai Noel pelo bom comportamento durante todo o ano. Na lista de opções, nos primeiros lugares do ranking, estão as bicicletas, sonho de consumo da maioria dos pequenos.

Já os adultos, sempre sérios e compenetrados, aproveitam a época para estabelecer as metas do próximo ano, entre elas, emagrecer, praticar mais atividades físicas, economizar mais e não se estressar tanto com o trânsito, cada vez mais caótico.

Frente a esse cenário, muitos adultos estão adotando uma alternativa inteligente: seguindo o exemplo dos pequenos e dando uma nova chance às bicicletas.

Quem já fez a experiência, afirma que descobriu na magrela da infância um novo estilo de vida.

“Vou de bicicleta para o trabalho diariamente. Pedalando, faço atividades físicas, aprecio a paisagem e ainda economizo tempo e dinheiro com gasolina ou transporte público”, afirma o artista plástico Matheus Marques Pinheiro, 20 anos.

Basta dar uma volta pelos bairros da cidade para notar que a popularidade das bikes está em alta. É possível encontrar dezenas delas em universidades, empresas e também em áreas de lazer como as ciclofaixas e ciclovias, instaladas em diversos bairros da cidade há cerca de dois anos.

E se engana quem pensa que as magrelas atraem somente os jovens. Em Bauru, o grupo de ciclistas ‘Vai quem qué, volta quem pode’, que completa 20 anos este mês, reúne 60 pessoas, com idade entre 18 e 80 anos, que trocam qualquer programa por uma boa pedalada.

Os benefícios alcançados por quem faz essa escolha são muitos. Segundo o médico ortopedista e ciclista Alberto Sala Franco, as pedaladas são capazes de aumentar a produção de endorfina, substância responsável pela sensação de bem-estar, e reduzir a hipertensão, além de contribuir para a melhora nos níveis de colesterol e triglicérides.

“O ciclismo previne os processos degenerativos associados ao sedentarismo e ao envelhecimento. Além disso, é um ótimo tratamento para a ansiedade e depressão, e fortalece o coração”, enumera o médico, que ressalta que é fundamental procurar por um médico antes de iniciar a atividade.

“De preferência um médico especializado em medicina esportiva ou um cardiologista. Ele fará vários testes para descobrir se a pessoa tem alguma restrição à prática de exercícios”, salienta ele, que destaca que os ciclistas devem se atentar também ao ajuste correto da bike.

Quanto à idade para se iniciar nas pedaladas, Alberto é categórico em afirmar que não existe barreira alguma. Pois, como diz o velho ditado, passe o tempo que passar, quem aprende a andar de bicicleta nunca mais esquece. Então, está esperando o quê pra desempoeirar a bike, calibrar os pneus e colocar a magrela pra rodar?

 

Ciclovias e ciclofaixas

Agregar mobilidade aos bairros de Bauru e oferecer à população uma alternativa segura, econômica e saudável de transporte é o principal objetivo das ciclovias e ciclofaixas, instaladas na cidade há dois anos.

Atualmente, Bauru contabiliza 18.600 metros de ciclovias e ciclofaixas, instaladas ao longo das avenidas Getúlio Vargas, Marcos de Paula Raphael, Edmundo Coube, Moussa Tobias, Nações Norte, Comendador José da Silva Martha, além da ciclovia de trabalho que liga o Distrito Industrial ao Núcleo Octávio Rasi.

Para o vereador Fernando Mantovani, idealizador do projeto, as ciclofaixas e ciclovias contribuíram muito para o aumento do número de ciclistas na cidade e também para a reeducação dos motoristas com relação aos adeptos do pedal.

“A ideia é estabelecer nesta nova geração a cultura do uso da bicicleta. Mostrar que é um meio de transporte alternativo e seguro”, explica.

O projeto, segundo ele, é, no futuro, interligar ciclovias e ciclofaixas de forma que seus usuários tenham mobilidade total por meio do uso das bicicletas.

Sobre as críticas feitas por alguns ciclistas quanto à largura das faixas ou até mesmo o sentido único de algumas ciclofaixas, Mantovani esclarece que a cidade adotou o padrão brasileiro de trânsito.

“Ciclofaixas e ciclovias não foram feitas para andar em duplas ou trios, mas, sim, para facilitar o transporte das pessoas. Por isso, a largura é suficiente”, esclarece. Quanto ao fato da ciclofaixa da avenida Getúlio Vargas funcionar somente aos domingos e feriados, das 7h às 12h, Mantovani explica que o objetivo específico desta ciclofaixa é outro.

“É a única ciclofaixa de lazer existente na cidade. Ou seja, ela funciona junto da Recreiovia, projeto que interdita as ruas para que as crianças aprendam a andar de bicicleta, entre outras coisas. Todas as outras ciclofaixas e ciclovias são de trabalho e funcionam 24h por dia”, explica.

 

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