Uma realidade já constatada em âmbito nacional se reproduz no cenário partidário em Bauru: a existência de partidos políticos sem representatividade, com características ideológicas pouco conhecidas. Conhecidos como ?nanicos?, eles são utilizados pelas siglas maiores para a formação de chapas proporcionais, permitindo assim o lançamento de um número mais amplo de candidatos a vereador, no caso dos pleitos municipais.
Existem registrados na cidade cerca de 26 partidos políticos, sendo que sete deles estão ativos e enquadrados nessas características. Muitos deles já possuem compromissos selados com legendas maiores; em alguns casos, inclusive, com apoio por troca de cargos. Outros dizem que ainda não, mas admitem que as chances de alçarem voo solo são muito escassas.
Na conta dos sete ?nanicos?, não foram considerados pela reportagem os partidos que possuem posicionamentos políticos e ideológicos claros, como o PCO, PSOL e PSTU. Essas siglas, embora não costumem apresentar desempenho expressivo em processos eleitorais, são reconhecidas por suas ?bandeiras esquerdistas?.
Por sua vez, em alguns casos, nem mesmo os membros dos próprios partidos nanicos, como PHS, PRB, PRP, PRTB, PSC, PSDC e PTBN, sabem reconhecer se estão à esquerda, direita ou no centro politicamente, embora esses estigmas estejam cada vez mais sendo deixados ou não identificados pelas siglas mais importantes. Outra característica dos pequenos partidos é a constante troca de comando. A maioria dos presidentes dessas legendas em Bauru, por exemplo, ocupam o posto há menos de dois meses.
O PHS, por exemplo, fugindo à regra, lançou em 2008 a candidatura de José Leme à Prefeitura de Bauru. O desempenho foi pífio, com 397 votos, e o então líder partidário já nem está mais na legenda, que lançou sete candidatos a vereador.
Para 2012, o presidente Nelson Ribeiro da Silva tem a expectativa de eleger pelo menos um parlamentar para a Câmara Municipal do ano que vem. No entanto, é dada como certa a aliança do PHS com o grupo liderado por PV e PPS, que deve lançar Clodoaldo Gazzetta (PV) como candidato a prefeito. "Dessa vez ainda não vai dar, mas vamos trabalhar na discussão do partido para compormos uma chapa forte para a outra eleição", afirmou.
O partido tem 200 filiados em Bauru. Aliás, quando considerados os números de membros, muitos dos nanicos superam siglas médias, como o PSB, que conta com cerca de 80 filiados atualmente. Os pequenos, apesar das características, chegam a ser disputados pelas grandes legendas. O próprio PHS estava acertando com o PP, antes de inclinar para o PPS, que deve atrair também o PRB.
Essa legenda, fundada pelo falecido vice-presidente José Alencar, tem cerca de 20 filiados em Bauru e é comandada pelo ex-vereador Erlon Vinicius Torquato Junqueira, que cumpriu mandato entre 1997 e 2000. O partido não lançou candidatos a vereador em 2008, mas tem a expectativa de reverter o quadro para o ano que vem. Uma das apostas para o partido é o policial militar Jorge Santos.
O presidente, porém, admite que não é possível lançar o PRB sozinho nem mesmo em uma coligação proporcional. "Os partidos grandes são importantes". Apesar disso, Erlon explica que muitas conversas ainda são necessárias e a inclinação ao PPS e ao PV não é definitiva. Existe a possibilidade de o partido se unir ao PMDB do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
?Liga pra ele?
A subordinação dos pequenos partidos aos grandes ficou clara durante conversa com o terceiro tesoureiro do PHS, Richardi Martini. Impossibilitado de conceder entrevista naquele momento, indicou à reportagem que procurasse o presidente do PPS, Arnaldo Ribeiro para falar sobre o ?nanico?.
Procurado pelo Jornal da Cidade, Arnaldo respondeu que ajudou na formação do PHS, que estará junto de seu partido nas eleições do ano que vem. Posteriormente, o presidente do PPS passou o telefone de Nelson, que, oficialmente, comanda o ?nanico?.
Juntos no poder
Outro partido que está próximo do prefeito é o PSC, que tem o comando provisório nas mãos de Celso Nascimento neste momento. No entanto, Sílvia Azambuja é um dos nomes fortes da campanha e é considerada o elo de aproximação entre as siglas a fim de garantir ampliação do leque de alianças no tabuleiro eleitoral para 2012. A negociação, entretanto, envolveria apoio à reeleição do prefeito no campo majoritário, com cada legenda buscando a formação de sua própria chapa proporcional desvinculada do PMDB no próximo ano.
A aproximação acaba de se concretizar com a nomeação de Sílvia Azambuja para uma vaga na assessoria do prefeito. Ela foi designada para atuar junto a Casa dos Conselhos.
O PSC lançou seis candidatos a vereador na eleição de 2008, mas não obteve expressividade em votos. O partido conta com cerca de 200 filiados em Bauru e é rotulado pelo presidente do PMDB, Renato Purini, como um elemento importante para o cenário eleitoral.
O vereador conta que outra sigla próxima ao partido do chefe do Executivo é o recém-reativado em Bauru, PRP. A legenda tem mais de 550 filiados na cidade e, no passado, chegou a lançar, até mesmo, candidato a Assembleia Legislativa. O militar reformado Misael dos Santos comanda a legenda, a qual conta que ajudou a fundar, em 1995.
No entanto, o partido estava parado no município e foi reativado há dois meses pelo atual presidente. "Resolvi saber como andava o partido e agora estou tentando reestruturá-lo, mas temos apenas um candidato interessado a concorrer a vereador. Não há condições de lançar chapa própria", avalia Misael.
Outros
Outros partidos pequenos ativos em Bauru são o PSDC e o PTN. O primeiro tem cerca de 190 filiados e lançou quatro candidatos à Câmara Municipal em Bauru. Já o PTN, com aproximadamente 100 membros, não lançou candidaturas em 2008.
Petroni quer união das siglas pequenas em 2012
Ex-filiado ao PMDB, Cláudio Petroni assumiu o comando do PRTB em Bauru e tem um plano ambicioso: unir o maior número possível de siglas partidárias pequenas - e até nanica, como a sua atual - para a formação de um bloco que poderá disputar o Palácio das Cerejeiras no ano que vem.
Petroni afirma que quer promover o embate entre ?Davi? e ?Golias? nas eleições de 2012. O ex-vereador argumenta que, no País, existem pelo menos 20 partidos considerados pequenos, que individualmente, possuem pouco espaço na representação política e no tempo de televisão nas campanhas, mas juntos, podem mudar o cenário eleitoral. "Cada um pode ter apenas 50 segundos, mas se formos em 15 legendas, o jogo muda", explica.
Por enquanto, a proposta permanece apenas no campo das ideias. No entanto, Petroni garante que há diálogo com o não tão pequeno PP, que tem como pré-candidato o agudense Carlos Octaviani (PP). "Não há definição alguma. Queremos formar um grupo e conversar", diz Petroni.
O líder do PRTB, no entanto, não nega a intenção de sair como vice do ex-prefeito de Agudos. "Tudo pode acontecer", despista.
Petroni pediu ao Jornal da Cidade para divulgação de seu telefone para que presidentes dos partidos pequenos o procurem: (14) 8148-4556. "É uma forma fortalecer os partidos, garantindo autonomia aos pequenos", idealiza.
Cláudio afirma que o PRTB tem cerca de 300 filiados em Bauru. Ele garante que tem o apoio do comando nacional do partido, presidido por Levy Fidelix, inclusive, para lançar candidatura própria.