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Ao mestre? Nenhum carinho!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Seria bom se pudéssemos comemorar o Dia do Professor! Admirar crianças cumprimentando os mestres e oferecendo flores. Infelizmente, não há motivos para festividades! Como celebrar o lamentável e injusto massacre emocional e físico da classe do professorado brasileiro e a vergonhosa execração pública gerada pela violenta desmoralização procedente do cerceamento de direitos? Prostrados, sem proteção legal, sem oportunidade de decisão, petrificados e sem apoio, o professorado resta agasalhado entre as dobras frias da manta do pecado da omissão ardilosamente tecida pelos poderes públicos que vivem a clamar a enganosa eficácia e eficiência da educação nacional sem adotar decisões maduras e justas sobre imperativas mudanças para restituir a dignidade do profissional da educação.

Ofendidos e agredidos física e moralmente, os educadores que deveriam ser reverenciados, permanecem humilhados por jovens que não receberam educação de berço, tampouco tiveram conhecimento básico dos valores sociais e morais que revestem a verdadeira cidadania. Não podemos comemorar o Dia do Professor sequer com merecidos aplausos, pois estaríamos usando a máscara da hipocrisia. Porém, devemos questionar: Que sistema de educação é este que, silente e omisso, reveste de vergonhosa licenciosidade a falta de respeito, a agressividade e até mesmo atos de vandalismo e selvageria? Se o respeito não mais existe, se a infância foi decepada, se a moral foi aniquilada e os valores essenciais da formação humana foram invertidos, significa que os fazedores de leis não estão tomando conhecimento da realidade social em que a nação se depara ou então, resta arrazoar que o custo benefício da anarquia seja deveras lucrativo.

Enquanto não forem tomadas atitudes responsáveis sobre o comportamento atrevido, irreverente e até mesmo criminoso infiltrado nas escolas, nada há que se comemorar. Hoje, quando o carmim da violência e o faiscar das armas adornam o ambiente escolar e a outrora casa de educação e saber transforma-se em vergonhosa masmorra de segregação da ordem e do progresso, urge repensar o sistema educacional com maior seriedade. Oportuno recordar que em outros tempos, nesta data, ramalhetes de flores coloriam a sala de aula e o abraço carinhoso da criança inocente registrava a gratidão. Comemorar o Dia do Professor somente seria possível quando patenteado salário justo, recuperado o poder de decisão e auferido o direito ao renascer da autoestima.

A autora, Valderez de Mello, é professora, pedagoga, psicopedagoga, advogada e autora do livro "Lágrimas Brasileiras"

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