João Rosan |
|
|
Paulo Panhoza, da Comissão de Trânsito da OAB, afirma que a Emdurb será oficiada |
Idealizado como uma das possíveis soluções frente ao crescimento exponencial da frota de Bauru, o estacionamento rotativo, na opinião dos munícipes, virou uma “dor de cabeça”. Com poucos vendedores de talão e muitos pontos de venda não identificados, as áreas Verde e Azul viraram alvo de muitas reclamações. Até a Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) relata o problema. E, mesmo deficiente, as áreas continuam sendo ampliadas (leia mais ao lado).
Iniciadas no Centro e depois expandidas para a zona sul da cidade, as áreas verdes - com limite máximo de permanência de uma hora - e azuis - de duas horas - já somam 1,7 mil vagas em Bauru.
A quantidade de orientadores - os funcionários que vendem os talões para o estacionamento rotativo -, entretanto, não chegam nem perto desse número. Segundo o gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso, são apenas 27 orientadores. Ou seja, cada funcionário é responsável por uma área de 63 vagas.
Ontem, a reportagem esteve em alguns pontos de estacionamento rotativo. No Centro, apesar de poucos, havia alguns orientadores. Já na zona sul, nenhum deles foi encontrado.
Questionado sobre essa quantidade de funcionários, Cardoso confirma ser bem deficitária, porém, argumenta que, além dos vendedores, os talões podem ser adquiridos em estabelecimentos comerciais credenciados. “Hoje, são 280 postos de venda”, explica.
Entretanto, surge outro problema: saber quais estabelecimentos vendem os talões. De acordo com Gustavo Cardoso, a maioria das lojas se recusa a colar adesivos identificando os locais como pontos de venda. “A Emdurb não tem como obrigá-las a fazer essa identificação”, argumenta.
Uma sugestão seria consultar o site da empresa municipal e descobrir quais os estabelecimentos credenciados (www.emdurb.com.br). Entretanto, Gustavo Cardoso explica que a rotatividade de locais autorizados varia semanalmente e, conforme o próprio site informa, a relação divulgada dos postos de venda não é atualizada desde abril do ano passado.
“Nosso conselho é de que a pessoa compre vários talões e já deixe no carro. E também estamos trabalhando para aumentar os postos de venda. Sabemos que faltam orientadores, por isso, o ideal é que a pessoa não precise procurá-los”, completa o gerente técnico de infrações da Emdurb.
Zona sul
Se, conforme a própria Emdurb admite, o número de orientadores não supre a demanda, o problema é ainda pior na zona sul do que no Centro. Após flagrar o momento no qual duas mulheres que estavam busca do talão foram multadas, a Comissão a Comissão de Trânsito da OAB-Bauru irá oficiar a Emdurb.
“O fato ocorreu na semana passada em uma área verde na rua Antônio Alves. As duas mulheres foram buscar o talão e, quando chegaram, já estavam sendo multadas. Como a multa já tinha sido feita, o fiscal disse que nada poderia fazer. Por casos como esse, iremos oficiar a Emdurb para tentar alguma solução”, promete o presidente da comissão Paulo Rodolfo Panhoza Tsé.
Ainda segundo ele, o que está ocorrendo é ilegal, uma vez que o Estado exige algo do cidadão, porém, não dá o suporte para que essa exigência seja cumprida.
O JC esteve no local do problema relatado pelo presidente da comissão. Durante o tempo em que a reportagem esteve lá, nenhum orientador apareceu.
Serviço
Para pessoas físicas, um cartão na Área Verde custa R$ 1,00 e o talão - com 10 unidades -, R$ 10,00. Já na Área Azul, o preço unitário é de R$ 1,50 e o do talão é de R$ 15,00. Para pessoas jurídicas, o cartão na Área Verde custa R$ 1,00 e o talão, R$ 8,50. Na Área Azul, a unidade pode ser adquirida por R$ 1,50 e o talão por R$ 13,00.
Área Verde na zona sul será ampliada amanhã
Mesmo sem aumentar o número de funcionários para vender os talões, a zona sul de Bauru ganhará mais vagas de Área Verde. De acordo com a Emdurb, começa amanhã a instalação de sinalização do estacionamento rotativo nas proximidades do Bosque da Comunidade. Apesar disso, os pontos de venda dos talões não foram definidos.
Os novos locais serão nas quadras 27 e 28 da rua Antônio Alves, da 27 à 31 da Araújo Leite e nos dois lados da Praça José dos Santos.
A própria empresa, porém, informa que ainda está “providenciando o credenciamento dos estabelecimentos das proximidades pare efetuar a venda de cartões e talões para os munícipes”.
Sem avisar, Emdurb reduz tolerância
Quem apresenta o talão do estacionamento rotativo possui 15 minutos de tolerância para usar a vaga. Desse modo, caso o uso esteja compreendido entre esse período de tolerância, o cartão não perde a validade e pode ser reutilizado. Por bom senso, a tolerância era aplicada também a quem não possuía o cartão, porém, sem comunicar, a Emdurb diminuiu esse prazo.
O próprio gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso, revela o fato. Segundo ele, o tempo tolerado sem cartão, que antes era de 15 minutos, foi reduzido para cinco. “As pessoas estavam se aproveitando disso. Então, há cerca de 30 dias, diminuímos essa tolerância”, conta.
Questionado sobre a empresa municipal não ter comunicado a população, ele argumenta que era algo instituído apenas pelo bom senso. “Essa tolerância não é prevista em lei ou no Código de Trânsito. Era só questão de bom senso. Por isso, não tínhamos obrigação de avisar”, completa Cardoso.
Não é o que Maurício Buzzetti, 30 anos, e Emerson Timóteo, 38, pensam. Ontem, eles estacionaram em uma área de zona verde na Antônio Alves sem o cartão. “Eu vou na loja aqui pertinho. Iria usar esses 15 minutos permitidos. Eu não sabia que eles tinham diminuído. Já era costume, eles precisavam ter avisado”, reclama Emerson.
Faltam funcionários, mas sobram reclamações em todas as regiões
Basta conversar com motoristas tanto na região central de Bauru quanto na zona sul para surgir uma série de reclamações sobre o estacionamento rotativo. Cansado de não encontrar funcionários vendendo os talões, o porteiro Marcelo Alves Cursino, 36 anos, deixou o carro em um estacionamento particular para ir ao Calçadão da Batista ontem.
“Acho mais seguro e evita ter que ficar atrás de um talão. Aqui em Bauru é assim: não é o vendedor que nos procura, mas sim o contrário. E se você vai procurar, corre o risco do fiscal passar e te multar nesse tempo”, reclama.
Para quem é de fora, o problema é ainda maior. É o caso do funcionário público Márcio Lima, 36 anos. “Eu sou de Fernandópolis. No sábado, como não moro aqui, tive que sair de estabelecimento em estabelecimento procurando o talão. Não vi ninguém vendendo na rua”, relata.
Na zona sul, as pessoas alegam verdadeira inexistência de orientadores. “Se eu quiser usar (o estacionamento rotativo), tenho que comprar um talão inteiro. Aqui (na Antônio Alves), nunca tem ninguém vendendo mesmo”, conta a comerciária Silvana Lima, 47 anos.
