Internacional

Monti crê que Itália vai superar crise


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Roma - O primeiro-ministro designado, Mario Monti, afirnou ontem que está “tranquilo” e “convencido” de que a Itália será capaz de superar esta etapa difícil, ao final de conversas com as forças políticas do país. Ele confirmou que, na manhã de hoje, irá à Presidência para aceitar oficialmente o cargo de chefe de governo, substituindo Silvio Berlusconi, e que apresentará ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, seu programa de governo.

“Todos têm plena consciência da atual situação de emergência e fé na firmeza das instituições e da sociedade civil” italianas. Monti destacou que viu em seus interlocutores “o sentido de responsabilidade e a vontade de contribuir com respostas eficazes”, aceitando a ideia de “possíveis sacrifícios visando um resultado positivo em seu conjunto”.

O ex-comissário europeu será recebido pelo presidente Giorgio Napolitano às 10h (8h de Brasília) de hoje e espera-se que seja apresentada uma lista de ministros. Mais cedo, ontem, Monti chegou a um acordo com os principais partidos políticos do país para constituir o próximo Executivo do país com o apoio do Parlamento.

A informação foi divulgada ontem pelo secretário da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores, Raffaele Bonanni, depois de se reunir em Roma com Monti na última das duas jornadas de consultas realizadas pelo economista italiano com partidos e agentes sociais.

Especula-se que o próprio premiê pode assumir o cargo de ministro da Economia, com a ajuda de outros quatro vice-ministros: Contas, Finanças, Tesouro e Participações Estatais.

Anteontem, Monti declarou que pretende terminar a atual legislatura em 2013 e que gostaria de formar um Executivo com tecnocratas e políticos das distintas formações presentes no Parlamento.

O anúncio de Monti sobre formar o governo também com políticos, além de tecnocratas, contraria as expectativas dos mercados e deixa transparecer que um gabinete formado por políticos pode ter sido uma condição imposta pelos partidos italianos para apoiarem o governo provisório.

O prêmio de risco da dívida da Itália, medido pela diferença entre o bônus nacional e o alemão a dez anos, voltou a superar hoje a barreira psicológica dos 500 pontos básicos, tocando os 510, apesar da nomeação de Mario Monti para formar um governo após a renúncia de Silvio Berlusconi.

Já o rendimento dos bônus a dez anos ficou em 6,8%. Na semana passada, o prêmio de risco tocou os 575 pontos e o rendimento dos bônus a dez anos se situou em 7,25%, mas com a hipótese de um governo presidido por Monti, o diferencial entre os títulos alemães e italianos experimentou uma ligeira baixa, descendo inclusive dos 500 pontos básicos.

 

Partido de Berlusconi oferece apoio

Roma - A formação de um novo governo italiano ganhou força ontem com o apoio do principal partido do país em meio à crescente pressão do mercado financeiro para que o novo primeiro-ministro italiano, Mario Monti, tome medidas rápidas para solucionar uma crise de dívida que ameaça a zona do euro.

Angelino Alfano, secretário do partido de centro-direita PDL, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, disse depois de conversa com o novo premiê: “Acreditamos que os esforços do professor Monti estão destinados a dar certo”.

O apoio do PDL é importante porque muitos de seus membros têm se oposto ao governo predominantemente tecnocrata que Monti está buscando formar para enfrentar a crise financeira.

O novo governo de Monti precisa de amplo apoio parlamentar para implementar medidas austeras e reformas vistas como impopulares, exigidas por líderes da Europa para controlar a crise de dívida italiana.

Qualquer fracasso ou atraso nesses esforços poderia causar um efeito devastador nos mercados financeiros.

A expectativa é que Monti anuncie seu novo gabinete em breve, possivelmente ainda hoje ou amanhã.

Um eventual resgate da dívida pública italiana, que soma 1,9 trilhões de euros, é vista como alta demais para os recursos financeiros atuais da zona do euro.

 

Agenda

Mario Monti terminou ontem sua rodada de consultas e reuniões com os dois maiores partidos políticos do país, o Povo da Liberdade (PDL) e o Partido Democrata (PD), cujo apoio é fundamental para que seu governo consiga o voto de confiança.

Para aumentar a pressão sobre Monti, em meio à turbulência do mercado, as taxas de juro nos bônus BTP de dez anos subiam para cerca de 7%, o mesmo patamar que fez a Grécia e a Irlanda pedirem por planos de resgate.

O prêmio de risco da dívida da Itália, medido pela diferença entre o bônus nacional e o alemão a dez anos, voltou a superar ontem a barreira psicológica dos 500 pontos básicos, tocando os 510.

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