Turquia - A Turquia decidiu interromper as explorações de petróleo conjuntas com a Síria, país onde missões diplomáticas turcas foram atacadas durante o fim de semana por manifestantes pró-governamentais, declarou ontem o ministro turco da Energia, Tanez Yildiz.
O ministro, citado pela agência de notícias Anatolia, informou que esta decisão envolve seis poços na Síria, onde eram realizadas explorações por parte da companhia pública turca TPAO e pela companhia nacional de petróleo da Síria.
O ministro também ameaçou parar com suas exportações de energia elétrica para a Síria se o clima atual persistir entre os dois países, antigos aliados na região. “Fornecemos atualmente eletricidade [à Síria]. Se esta situação persistir, seremos obrigados a revisar todas estas decisões”, disse o ministro, citado pela agência Anatolia, se referindo aos recentes ataques a missões diplomáticas turcas por parte de manifestantes pró-governamentais.
Também hoje, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que seu país perdeu a esperança de ver o regime sírio responder favoravelmente aos apelos da comunidade internacional para que se comprometa com reformas democráticas e ponha fim à repressão.
“Não esperamos mais que o governo de Assad mostre uma liderança honesta, persuasiva, brava e determinada”, disse ao Parlamento, acrescentado: “Ninguém espera dele que atenda aos pedidos da comunidade internacional”.
Erdogan, que era um aliado político e amigo pessoal do ditador sírio, Bashar Assad, manifesta há meses a sua frustração com a atitude adotada pelo regime de Damasco em relação ao movimento de contestação no país vizinho que deixou 3.500 mortos desde março, segundo a ONU.
“O governo sírio segue um caminho muito perigoso e está sobre o filho da navalha”, considerou Erdogan que preveniu que um “precipício” está no fim do caminho escolhido por Damasco.
Aliada econômica e política da Síria antes das convulsões registradas neste país, a Turquia condenou fortemente a repressão e Erdogan chegou a anunciar que havia rompido seus laços com o regime de Damasco.
No sábado, representações diplomáticas turcas situadas principalmente em Damasco e Alep foram alvos de violentas manifestações de partidários do regime sírio após a decisão da Ligue Árabe de suspender a Síria.
Esses ataques levaram a Turquia a repatriar as famílias dos diplomatas e de seu pessoal não essencial da Síria. Apesar do pedido de desculpas feito pelo ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Mouallem, a Turquia afirmou que espera um pedido oficial.
ONU condena ataques
Washington - O Conselho de Segurança das Nações Unidas, seriamente dividido sobre a crise síria, uniu-se ontem para condenar energicamente os ataques contra as missões diplomáticas ocorridos no sábado na Síria.
O Conselho de Segurança “condena nos termos mais enérgicos os ataques contra várias embaixadas e instalações consulares na Síria, que levaram à invasão dos locais diplomáticos e consulares causando graves danos”, disse um comunicado.
O mais alto órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) reiterou um “chamado às autoridades sírias a proteger a propriedade e os funcionários diplomáticos e consulares e a respeitar plenamente suas obrigações”.
Centenas de manifestantes atacaram as embaixadas de França, Qatar, Arábia Saudita e Turquia em Damasco no sábado, horas após a Liga Árabe votar a suspensão da Síria. O governo sírio pediu desculpas pelos incidentes e a França e a Turquia manifestaram condenação e pediram proteção a seus diplomatas.