A empresa de ônibus Cidade de Bauru foi fundada por Fioravante Tedesco. Nasceu em 7 de outubro de 1898, em Botucatu. Viveu a infância e juventude na cidade de São Manuel, onde iniciou no ramo de comércio de compra e venda de carros usados, ligada à agência de José Salmen, com sede em Agudos.
Em 1938, a firma Salmen transferiu-se para Bauru. Fioravante, percebendo que Bauru tinha potencial para o desenvolvimento do transporte coletivo da cidade, com três carros usados começa seu próprio negócio, fundando a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB). Para isso, admitiu os dois primeiros motoristas: André Bassoto e depois Ricardo, que já tinha experiência no setor, na empresa de ônibus da Barra Funda, na grande São Paulo, fazendo a linha Barra Funda ?Largo de São Bento.
Na cidade tinha duas linhas, a nº 1 era feita por Fioravante, e a Linha nº 2 servia a Vila Falcão, era feita por André Bassoto. O ônibus era um transporte que ainda não atraía, pois a população era acostumada a andar a pé pelas ruas da cidade ou em veículos de tração animal. Estudando estratégias para conquistar a população, adotou várias medidas: as crianças não pagavam; aos estudantes do antigo Ginásio do Estado, hoje Ernesto Monte, eram distribuídas passagem de graça; foram colocados relógios dentro dos carros para servir de referência aos passageiros; instalou bagageiros no teto do coletivo para maior comodidade aos clientes.
A princípio eram dois carros: um de marca international e um Ford 1934. Um ano depois, já trouxe um Chevrolet Rex 1940, com rádio, cortinas de lona nas janelas para tornar a viagem mais agradável. Não havia, pontos para embarque e desembarque determinados, bastava o usuário dar o sinal e os ônibus paravam em qualquer lugar dentro da linha. Para conquistar o povo, valia tudo, pois era permitido o transporte de quase tudo, desde pacotes, malas até pequenos animais domésticos. O preço da passagem era duzentos reis da Praça Washington Luiz até a Estação Ferroviária. E até o ponto final (rua Araújo Leite esquina com Rodrigo Romeiro) o passageiro pagava outra passagem.
Fioravante também teve de enfrentar outro elemento para quem começa um novo empreendimento, a concorrência. Havia o transporte por meio dos motoristas de praça que não viam com bons olhos um transporte coletivo que diminuísse seus clientes. Assim, em 1940 chegaram a ameaçar de morte Fioravante, que ia realizar o transporte para o recinto da Feira de Amostras, hoje Praça das Cerejeiras. Outra ameaça de quebra no Dia de Finados se o ônibus chegasse até o Cemitério da Saudade.
Mas quando parecia que tudo iria melhorar, teve início a Segunda Guerra Mundial, com efeitos no País com a escassez de peças, pneus, gasolina e óleos, o que estimulou, em 1941, a venda da empresa a Alexandre Quaggio, que já possuía uma oficina mecânica e assim poderia sanar sérias dificuldades como a instalação do aparelho de gasôgenio nos veículos. Utilizando gasolina apenas nas subidas.
O novo proprietário também enfrentou os problemas advindos da Guerra. Mas superou e outras linhas foram implantadas. A de nº 3 servia o Jardim Bela Vista, a nº 4, Vila Cardia e assim por diante. A ECCB cessou suas atividades em 1996, quando foi substituída por três empresas: Cidade Sem Limites, a Grande Bauru e a BauruTrans, que continuam a ser o transporte mais adequado para o desenvolvimento sustentável.
A autora, Márcia Nava, é professora e colaboradora de Opinião