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Vôlei: Para Negrão, ouro em 92 construiu hegemonia

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-jogador de vôlei Marcelo Negrão, campeão olímpico com a Seleção Brasileira nos Jogos de Barcelona-1992 e um dos grandes nomes de sua geração, sendo considerado o melhor do mundo e melhor das Américas, esteve, ontem à tarde, nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB), onde participou de um bate-papo com alunos, ex-alunos e vestibulandos, abordando assuntos relacionados à sua carreira e trajetória na seleção.

Negrão, hoje, é comentarista, veio à cidade divulgar programa de financiamento estudantil do Banco do Brasil, do qual é representante no marketing, e descarta veementemente qualquer possibilidade de se tornar técnico. "Não dá, é muito estressante. Não é meu perfil, não teria paciência para ensinar, passar dicas e analisar o time adversário jogador por jogador. Deus me livre, não quero isso não", brinca.

Negrão considera que a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1992 foi fundamental para a hegemonia que o Brasil construiu ao longo do tempo no vôlei mundial, uma vez que propiciou a chegada de investimento e, conseqüentemente, estrutura para a modalidade. "Na época, entrou o Banco do Brasil e aí deu uma evoluída gigante para o que é hoje. Infelizmente, esporte de alto rendimento precisa de dinheiro, desde a alimentação dos jogadores, lesões que precisam ser tratadas, o que requer hospitais e aparelhos caros, viagens, análise de adversários, computador, câmera... tudo gera custo, pessoas que vão estar por trás dos aparelhos. A gente não tinha patrocínio de tênis, cada um comprava o seu. Hoje tem a Olimpikus, que dá todo o suporte. Tudo isso veio por causa da medalha de ouro", considera.

Negrão comentou sobre as diferenças no vôlei de sua geração para hoje. "A regra mudou muito, na nossa época não era o tie break, como é hoje. Os jogadores eram mais fortes, porque tinha hora para começar, mas não tinha hora para acabar. O jogador tinha que ter resistência física muito grande. Hoje, o biotipo dos jogadores é mais alto e mais magro, não precisa ter condicionamento físico tão grande como naquela época. Toda bola é ponto, antes tinha a vantagem. Mas em relação a técnicas e táticas, continua o mesmo. O jogo ganhou um pouco de velocidade, mas está começando a voltar ao que era porque os jogadores estão ficando cada vez mais altos e jogadores altos não conseguem bater bola com muita velocidade", diagnostica.

O ex-jogador demonstra confiança no desempenho do vôlei do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres, no próximo ano. "O Brasil vai bem, independentemente de qual modalidade, vôlei de praia ou quadra. O Brasil já criou uma cultura muito grande no vôlei e dificilmente vai regredir", resume. Negrão ainda comentou sobre os dois técnicos das Seleções Brasileiras, José Roberto Guimarães, da feminina, e Bernardinho, da masculina. "O Zé Roberto é mais calmo, é bravo, mas gosta mais de conversar, de passar as técnicas e dicas do que está acontecendo durante o jogo. O Bernardinho é um cara exigente, cobra demais e quer treinar o tempo inteiro. Mas os dois querem ganhar do mesmo jeito e são realmente os melhores do mundo", aponta.

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?Não conheço jogador que ficou rico jogando vôlei?


Marcelo Negrão foi considerado o melhor jogador do mundo e travou duelos emocionantes contra o italiano Andrea Zorzi e o cubano Joel Despaigne, em confrontos entre suas respectivas seleções. Hoje, no entanto, acha difícil apontar um jogador como melhor do mundo. "Já cheguei a jogar quase cinco horas, igual tênis. Hoje, uma hora, 1h10, já acabou o jogo. Então, o melhor atacante faz ali 25 pontos, no máximo. Na minha época, eu lembro que ataquei e foi recorde no Campeonato Italiano 74 bolas no chão, fora aquelas que ataquei e foram vantagem. Então, imagina quantos pontos fiz no total. Hoje, 74 pontos, dão três sets. Hoje, não consigo apontar um cara que vai do começo ao fim levando o time, o melhor. O Brasil cresceu muito no ataque pelo meio, tem o Lucão, que acho excelente para a regra de hoje, e o Gustavo, que também gosto muito", aponta.

O ex-atleta ainda analisou o cenário nacional no vôlei e comentou sobre as dificuldades de cidades menores desenvolverem um vôlei competitivo, com uma equipe de ponta, devido à falta de investimento para segurar os melhores atletas. "Não tem jeito, não tem como manter. Ou você dá dinheiro para esse pessoal (jogadores) ou, se aparecer uma oportunidade melhor, tem que ir embora. Agradece a todo mundo, mas vai embora, porque a carreira de atleta é muito curta. Estou com 39 anos e aposentado. Imagina um cara com 39, aposentado, que nunca mais vai poder jogar voleibol e ganhar um real jogando profissionalmente. A carreira é muito curta e tem que aproveitar as oportunidades. O time que quer, tem que bancar. O conselho que dou (para os jogadores) é para procurar o lado financeiro, vendo a estrutura. Esse negócio de dizer que o atleta é mercenário, esquece. Se você ver o lado do atleta, chega nos 35, 36 anos, parou, acabou. Imagina enterrar o cara, é literalmente isso. Não conheço um jogador de vôlei que ficou rico jogando voleibol", constata.

O diretor administrativo da FIB, José Ranieri Neto, comemorou a presença de Negrão na instituição. "Para o curso de Educação Física, que completa dez anos, vai ser uma experiência bastante válida. Temos bastante alunos inscritos, tanto do curso de Educação Física quanto da Publicidade, Administração. Aproveitamos esta oportunidade para trazê-lo à faculdade", destaca.

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